Macklemore doa 1 milhão de dólares após ser expulso da turnê de Ed Sheeran por apoiar Palestina

Macklemore doa US$ 1 milhão para ONGs pró-Palestina após ser expulso da turnê de Ed Sheeran

Foto: Microsoft / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Macklemore acabou de detonar a própria carreira numa turnê de alto perfil — e, em vez de se arrepender, decidiu transformar a pancada em propósito. De acordo com o G1, o rapper anunciou nesta quarta-feira (16) que vai doar todo seu salário da turnê “Loop” de Ed Sheeran — nada menos que US$ 1 milhão (R$ 5,1 milhões) — para seis organizações que auxiliam o povo palestino.

A história é polêmica demais pra ser coincidência. Macklemore estava escalado como atração de abertura em oito dos dez shows restantes da turnê pelos EUA. Tudo desabou no início de setembro, quando ele gritou “Free Palestine” durante sua apresentação no MetLife Stadium, em Nova Jersey, dizendo que queria que Gaza e a Cisjordânia soubessem que não haviam sido esquecidas.

A reação que derrubou tudo

A frase inflamou os ânimos na hora. O Conselho Israelense-Americano lançou uma petição pedindo a exclusão do rapper, e os estádios começaram a mexer os pauzinhos. A Messina Touring Group, promotora da turnê, avisou que vários locais — Boston, Atlanta, Charlotte, Indianápolis, Dallas e Tampa — se recusavam a receber Macklemore de volta.

Multidão em concerto noturno com palco iluminado e telas gigantes
Multidão em concerto noturno com palco iluminado e telas gigantes. Foto: Shixart1985 / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

A justificativa oficial foi fria: “Isso resultaria no cancelamento da turnê e impactaria centenas de milhares de fãs.” Tradução: a pressão foi tão grande que ninguém queria se queimar mantendo o rapper no line-up. Macklemore foi cortado da turnê, que retomaria em 19 de setembro na Filadélfia.

Macklemore responde doando o dinheiro

Aqui vai a guinada: em vez de processar ou reclamar, Macklemore gravou um comunicado de tirar o chão. “Temos carreiras, dinheiro, oportunidades, segurança e público no mundo todo. Quaisquer que sejam as consequências que enfrentemos pelo que dizemos, podemos voltar para casa e para nossas famílias. As vítimas são os palestinos”, escreveu.

Macklemore em apresentação no palco durante show, com iluminação azul e efeitos visuais
Macklemore em apresentação no palco durante show, com iluminação azul e efeitos visuais. Foto: © Markus Felix | PushingPixels (contact me) / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

E cumpriu a palavra: anunciou que todo o US$ 1 milhão que ganharia com a turnê iria direto para as seis organizações pró-Palestina. Ainda convocou o empresário Robert Kraft, responsável pelo Gillette Stadium em Boston (um dos locais que pressionou Ed Sheeran a tirar o rapper), a fazer uma doação também.

A turnê de Ed Sheeran virou uma peneira

A confusão não parou em Macklemore. A saída dele abriu uma caixa de Pandora. Na terça-feira seguinte (15), os cantores Finneas, Aaron Rowe e Lukas Graham, além da banda Beoga, anunciaram que também não abririam mais os shows de Ed Sheeran. Todos manifestaram apoio à causa palestina.

Lukas Graham não deixou margens para dúvida ao afirmar que “deveríamos conseguir conversar sobre conflitos armados, sobre vidas civis perdidas, sobre crianças que têm direito a um futuro”. Onde quer que vivam. Qualquer que seja a sua bandeira”. A banda Beoga, que inclusive abriria shows em São Paulo nos dias 5 e 6 de dezembro, disparou: “Como irlandeses que entendem colonialismo, somos ativistas com compromisso pela justiça e continuaremos a ser”.

Finneas e Aaron Rowe também citaram sua herança irlandesa e o conhecimento de genocídio, fome forçada e ocupação violenta para justificar o apoio à Palestina. Com tudo isso, Ed Sheeran perdeu praticamente todos os artistas de abertura que tinha escalado, com a turnê prevista até 11 de dezembro.

O contexto que ninguém está ignorando

A decisão de Macklemore não é tirada do ar. Um comitê de investigação ligado à ONU divulgou em junho que Israel direcionou ataques contra crianças de forma intencional na Faixa de Gaza, caracterizando essas ações como genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra. De acordo com o relatório, das 73 mil mortes registradas no conflito de Gaza, aproximadamente 30% eram crianças, o que corresponde a pouco mais de 20 mil vidas.

Macklemore em apresentação ao vivo em palco com iluminação azul, projeções e estruturas cênicas
Macklemore em apresentação ao vivo em palco com iluminação azul, projeções e estruturas cênicas. Foto: © Markus Felix | PushingPixels (contact me) / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Ed Sheeran, por sua vez, disse que a decisão de tirar Macklemore partiu inteiramente da promotora Messina Touring Group e dos próprios estádios, lavando as mãos. O britânico ainda não comentou a saída em cascata dos demais artistas de sua turnê.

Quem é Macklemore e sua trajetória musical

Segundo a Wikipédia, Benjamin Hammond Haggerty, conhecido como Macklemore, nasceu em Seattle em 19 de junho de 1983 e é rapper, cantor, compositor e ativista norte-americano. Começou a carreira como músico solo em 2000 e ficou famoso com “Thrift Shop”, videoclipe que ultrapassou 1 bilhão de visualizações no YouTube e alcançou a primeira posição da U.S. Billboard Hot 100 Chart.

Seu terceiro single “Can’t Hold Us” também chegou ao topo da mesma tabela. Macklemore e seu parceiro Ryan Lewis foram a primeira dupla a ter seus primeiros dois singles no primeiro lugar sem fazer parte de nenhuma grande editora discográfica, em 20 anos. O álbum de estreia “The Heist” foi lançado em 2012 e vendeu mais de um milhão de cópias.

De acordo com a Wikipédia, Macklemore participou de um programa focado na educação e identidade cultural chamado “Portais para jovens encarcerados”, onde facilitou oficinas de música. Ele também usou sua experiência com abuso de substâncias para criar a canção aclamada “Otherside”.

As organizações que receberão a doação

Conforme publicado pelo G1, Macklemore afirmou em comunicado no Instagram que o valor de US$ 1 milhão será enviado para seis organizações pró-Palestina. O montante representa integralmente seu cachê como artista de abertura na turnê americana de Ed Sheeran.

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