Foto: Patrick Cristiano / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)
Ed Sheeran, o artista britânico com reputação de rapaz simples e inofensivo, está vivendo o momento mais controverso de toda a sua carreira. Segundo reportagem do G1, tudo começou quando ele retirou o rapper Macklemore de sua turnê nos EUA porque o artista fez manifestações pró-Palestina durante os shows. E essa decisão desabou a imagem que levou anos pra construir.
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A reputação de santo que caiu por terra
Ed Sheeran vendeu mais de 120 milhões de discos e passou mais de mil semanas nas paradas dos Estados Unidos. Mas seu grande diferencial nunca foi só a música — era a personalidade. O cara que volta de trem de Glastonbury mesmo sendo estrela principal do festival. Em 2014, doou todo seu guarda-roupa pra caridade. Adotou um gato que seria eutanasiado e o chamou de Graham. Administra uma organização beneficente com aulas de música pra menores de idade na sua casa de campo na Inglaterra.

Sheeran cultivou tão bem essa imagem de rapaz bom, receptivo, humanitário, que virou parte inseparável da marca dele. Mas essa cuidadosa construção de reputação — a de alguém que não se mete em política, que acha que shows devem ser “locais de segurança e refúgio” — desmoronou em uma semana.
Quando Macklemore disse o que Sheeran não quis ouvir
O rapper foi escolhido pra abrir a turnê de Sheeran nos EUA. Na primeira noite, fez um discurso gritando “Palestina livre” e mostrou imagens da destruição na Faixa de Gaza. Na noite seguinte, chamou o que acontece lá de genocídio — uma acusação que Israel rejeita. Aí começou o caos nos bastidores.

A organização StopAntisemitism acusou Macklemore de criar uma “armadilha”. Os donos dos estádios, aparentemente liderados pelo bilionário Robert Kraft (dono do time de futebol americano New England Patriots), pressionaram Sheeran pra tirá-lo da turnê. Depois de uma semana de discussões, conseguiram. Na terça-feira (15/9), Sheeran publicou uma declaração dizendo que quem tomou a decisão foram os promotores, não ele.
A defesa que acabou piorando tudo
Sheeran afirmou ter tentado construir pontes entre as partes, sem sucesso. Disse que “não foi conivente” e que sua decisão de ficar fora do debate sobre Oriente Médio em público não era prova de que ele “não se importava”. Escreveu que estava indignado com o conflito e que o sofrimento nos dois lados era uma tragédia humana.
Mas aqui entra a questão que os críticos não deixam passar: se Sheeran estava tão preocupado com crianças sofrendo, por que não mencionou as milhares que morreram na Faixa de Gaza? E mais — sua abstenção da política nunca foi tão absoluta quanto ele pinta. Em 2018, usou camiseta com “Justiça para Grenfell” (referência ao incêndio em Londres). Participou de festival pela Ucrânia em 2022 e gravou música de protesto com U2 em 2026.
Virou zoeira: artistas saem da turnê
A declaração de Sheeran saiu e, de uma hora pra outra, virou treta. Segundo o Portal LeoDias, três artistas que abririam seus shows — Finneas, Aaron Rowe e Lukas Graham — anunciaram saída e expressaram apoio a Macklemore. A banda irlandesa Beoga também desistiu. Com isso, Sheeran perdeu todas as atrações de abertura na turnê até 11 de dezembro.

Nas redes sociais, o assunto decolou. O ator Javier Bardem pediu boicote a Sheeran. Fãs se disseram decepcionados. Artistas questionaram a decisão, argumentando que excluir Macklemore representava supressão da liberdade de expressão. Até Pink, estrela do pop que pertence à comunidade judaica, compartilhou um meme contra Macklemore pra explicar sua desaprovação aos comentários do rapper.
O beco sem saída que Ed criou pra si mesmo
O jornalista especializado em música Jeffrey Ingold falou à BBC Rádio 5 Live chamando a atitude de Sheeran de “covardia”. “Ele é um dos maiores músicos do mundo. Tem poder e influência. E basicamente lavou as mãos”, disse. Ingold lembrou que Sheeran poderia ter dito aos promotores: “Se não deixarem todos tocarem, não faremos os shows ali. Vamos encontrar lugares alternativos”.
O tom da declaração de Sheeran — “não é responsabilidade minha” — certamente não ajudou a desmontar a crise. Ingold afirma que “ele disse que não é conivente, mas, na verdade, ele é totalmente conivente com o que está acontecendo”. E complementa: “Acho que isso irá mudar a forma como as pessoas olharão para ele a partir de agora”.
Jem Aswad, editor-executivo de música da revista Variety, é menos pessimista. Acha que o episódio mostra que “não se pode ser neutro nesta questão”, mas aponta que a maior parte das críticas não vem necessariamente de fãs de Sheeran, e sim de pessoas questionando seu comportamento. Duvida que a controvérsia cause grandes danos à carreira dele a longo prazo.
O Brasil aguarda — sem Finneas
A pressão dos bilionários e a empresa de turnê
De acordo com o Portal LeoDias, a Messina Touring Group, responsável pela promoção dos shows de Ed Sheeran nos Estados Unidos, fez uma solicitação formal pedindo que o artista removesse Macklemore da programação das apresentações seguintes. A decisão veio após o discurso do rapper em 4 de setembro, quando gritou “Palestina livre” e mostrou imagens de destruição na Faixa de Gaza.
Sheeran afirmou que conversou longamente com os proprietários dos locais na tentativa de construir uma ponte. Uma dessas pessoas foi Robert Kraft, bilionário dono do New England Patriots e do Gillette Stadium.
Relação questionada entre Sheeran e Kraft
A ligação entre Ed Sheeran e Robert Kraft também virou alvo de críticas. O cantor cantou no casamento de Kraft em 2022 e, em entrevista após o evento, o chamou de “superdoce”. Isso levantou questões sobre possíveis influências da amizade na decisão de retirar Macklemore da turnê.
O que Macklemore realmente disse
Na segunda noite de shows, o rapper fez um pronunciamento direto: “A todos os meus irmãos e irmãs judeus: criticar Israel, criticar o apartheid e opor-se ao genocídio não é, de forma alguma, uma crítica a vocês”. A organização StopAntisemitism acusou Macklemore de criar uma “armadilha” para o público com essas declarações, aumentando a pressão para sua saída da turnê.
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