Foto: Stavrolo / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)
Uma colônia de gatos de vida livre foi acompanhada por 18 meses por uma pesquisa da Universidade de Brasília (UnB). Segundo o Cães&Gatos, a colônia formada por 157 felinos, que nunca havia recebido qualquer intervenção, encolheu 47,8% depois que se adotou um protocolo fundamentado na técnica Captura, Esterilização e Devolução (CED).
Neste artigo
Como foi a pesquisa
A pesquisa nasceu no Programa de Pós-Graduação em Ciências Animais, vinculado à Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da UnB. Os pesquisadores dividiram o trabalho em três etapas: reconhecimento e preparação, intervenção e monitoramento. No fim, 98,8% dos animais já tinham sido esterilizados.
Além da captura e da castração, a pesquisa incluiu ações de manejo e educação. A autora, Ana Nira Nunes Junqueira, avaliou que o protocolo foi “eficiente e humanitária” no controle da população de gatos.
Mais do que capturar e castrar
O estudo deixa claro que o CED não se resume a recolher os animais e castrá-los. O protocolo envolveu planejamento prévio, esterilização em massa, manejo ativo e acompanhamento constante.
Segundo a pesquisa, políticas de controle populacional precisam caminhar junto com a promoção da adoção, a prevenção do abandono e a educação para a guarda responsável. Para que os resultados possam ser mantidos ao longo do tempo.
Uma série mostra a rotina de uma colônia real
Esse tipo de situação também aparece na série documental “Os Gatos da Casa Abandonada”, criada pela jornalista e documentarista Stefania Fernandes. Em cinco episódios, a produção acompanha uma colônia que vive perto de um imóvel abandonado e mostra o esforço necessário para organizar uma operação de captura e castração.

Tudo começou quando quatro filhotes apareceram na garagem da tia de Stefania, em São Roque. A investigação revelou que eles faziam parte de um grupo maior, formado por gatos adultos e filhotes que circulavam pelo terreno abandonado e pelas ruas da região. Os quatro filhotes foram encaminhados para adoção, mas os adultos seguiram sem solução.
Da preparação à primeira operação
Nos episódios seguintes, a série ouve pessoas com opiniões diferentes. Algumas alimentam e protegem os animais, enquanto outras relatam conflitos provocados pela presença deles. Diante desse cenário, Stefania e as protetoras envolvidas decidiram organizar um manejo populacional.

No quarto episódio, a equipe, com orientação de especialistas, passou a alimentar os gatos em horários e locais definidos, mapeou a colônia e preparou a captura. A produção traz o CED como um caminho para bichos que vivem soltos na natureza e que, frequentemente, não têm perfil para serem domesticados nem para ir para um lar adotivo.
No quinto episódio, o plano saiu do papel: oito gatos foram capturados. Após a avaliação veterinária, sete foram castrados, identificados e devolvidos ao território de origem. Já a gata Vitória ficou na clínica para tratamento. A série mostra que a operação encerra apenas uma etapa, porque cuidar de uma colônia exige continuidade.
Da página no Instagram à série
Essa série representa o trabalho mais novo de uma caminhada iniciada nas redes sociais. Stefania é quem criou a página A Louca dos Gatos, que já ultrapassa 44 mil seguidores no Instagram. Por lá, ela compartilha três postagens semanais sobre o vínculo entre pessoas e gatos, o jeito como esses animais se comportam e maneiras de aprender mais sobre a espécie.
No ano passado, a comunidade da página deu origem a um podcast de seis episódios. Nele, Stefania compartilha sua experiência com os três gatos que vivem com ela e usa essa convivência para discutir diferentes aspectos da relação entre pessoas e felinos.
Na série, o ponto de partida muda. Em vez de começar pela vida doméstica, Stefania acompanha um problema concreto que envolve moradores, protetores e especialistas. Os pesquisadores da UnB e a produção da série chegam, assim, a um mesmo ponto: controlar gatos de vida livre exige uma sequência de ações, e não um procedimento isolado.
Por que colônias de gatos crescem sem manejo
Segundo o Cães&Gatos, colônias sem manejo podem envolver reprodução contínua, abandono e disputas territoriais. Além disso, essas colônias podem provocar atritos com vizinhos e tornar difícil oferecer comida, atendimento veterinário e segurança aos bichos.
O texto ressalta que o problema não se resume à quantidade de animais. Ele aparece com frequência em áreas urbanas, onde gatos passam a viver e se reproduzir livremente em um mesmo território.
Sobre a universidade por trás da pesquisa
Segundo a Wikipédia, a UnB é uma instituição pública de ensino superior localizada em Brasília, no Distrito Federal. Ela tem quatro campi: Plano Piloto, Planaltina, Gama e Ceilândia.

A universidade foi inaugurada em 21 de abril de 1962. Em sua primeira reunião, Darcy Ribeiro foi eleito presidente do conselho e reitor. A mesma fonte afirma que a UnB foi avaliada pelo Ministério da Educação como a melhor universidade da região Centro-Oeste.
Perguntas frequentes sobre colônia de gatos
O que é o método CED?
CED é a sigla de Captura, Esterilização e Devolução. Na série documental, os gatos capturados passam por avaliação veterinária. Depois, sete dos oito capturados foram castrados, identificados e devolvidos ao território de origem. Segundo a autora da pesquisa, Ana Nira Nunes Junqueira, o protocolo foi uma prática eficiente e humanitária para o manejo da colônia.
Quantos gatos tinha a colônia estudada pela UnB?
A colônia de gatos tinha 157 felinos, que nunca tinham recebido qualquer intervenção antes do estudo. Ao longo de 18 meses, o tamanho da população caiu 47,8%. Ao final, 98,8% dos animais já estavam esterilizados.
Por que uma colônia de gatos pode crescer sem controle?
Sem manejo, uma colônia de gatos pode envolver reprodução contínua, abandono, disputas territoriais e conflitos com moradores. Segundo o Cães&Gatos, esses problemas aparecem com frequência em áreas urbanas. Por isso, o controle populacional envolve mais do que o número de animais no território.
Basta castrar a colônia de gatos para resolver o problema?
Não, segundo a pesquisa da UnB. O CED não se resume à captura e à castração. Essa iniciativa reuniu etapas como preparo antecipado, castração em grande quantidade, controle direto dos animais, monitoramento constante e atividades de conscientização. Os pesquisadores também destacam que, para que os ganhos se sustentem no futuro, é necessário estimular a adoção, evitar que animais sejam deixados para trás e orientar os tutores sobre a responsabilidade de cuidar deles.
Conteúdo informativo, não substitui avaliação de médico-veterinário. Fonte oficial vinculada na matéria.
E você, acha que as prefeituras deveriam investir mais em programas de castração de gatos de rua, ou essa tarefa deveria ficar com os próprios moradores e protetores?
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