Foto: Acabashi / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
Quem usa iPhone conhece o jailbreak, que tira o aparelho das amarras impostas pelo fabricante. No Android, a mesma ideia ganha outro nome: root. Segundo o Canaltech, o procedimento dá ao usuário permissões de administrador, algo que o sistema normalmente bloqueia.
Neste artigo
O que muda no funcionamento do aparelho
A palavra root vem do Linux, sistema que serve de base para o Android. Nesse ambiente, o usuário root tem acesso amplo a arquivos e configurações protegidos contra alterações comuns.
No dia a dia, o Android isola cada aplicativo em um espaço próprio, chamado sandbox. Essa separação impede que um programa mexa nos dados de outro ou nos arquivos internos do sistema. Com o acesso de superusuário, o dono do aparelho pode liberar permissões extras a determinados apps e fazer mudanças que, sem isso, não seriam possíveis.
Vale notar que o root não é o mesmo que desbloquear o bootloader, o programa que inicia o sistema e confere se ele está íntegro. Os dois processos costumam aparecer juntos, mas são diferentes e variam conforme o modelo do celular.
Quais portas o acesso avançado abre
Com esse acesso, é possível remover aplicativos de fábrica que não saem pelos meios convencionais. Também dá para instalar ROMs customizadas, versões alternativas do sistema como o LineageOS, que podem trazer recursos diferentes ou atualizações para aparelhos sem suporte oficial.
Outras opções incluem modificar o kernel, componente central que controla funções de hardware e software, e usar ferramentas que precisam de permissões administrativas para mexer em arquivos e configurações protegidos. Algumas dessas mudanças, no entanto, exigem também o desbloqueio do bootloader, a instalação de ferramentas de recuperação ou passos específicos para cada aparelho.
O que o usuário ganha com isso
A maior vantagem é o controle. Dependendo do modelo e das ferramentas, é possível alterar fontes e elementos visuais, eliminar apps de fábrica, bloquear anúncios em certas situações e criar backups de dados e configurações com mais alcance.
Há também ajustes de desempenho. Algumas ferramentas mudam a frequência do processador: o overclock aumenta a velocidade, e o underclock a reduz. Os resultados variam conforme o hardware, e os ajustes podem elevar o consumo de energia, aquecer o aparelho e comprometer a estabilidade.
Para quem tem um celular antigo, o root pode servir para estender a vida útil. Uma ROM personalizada permite usar uma versão mais nova do Android ou continuar utilizando o celular após o fim do suporte do fabricante. Mesmo assim, o funcionamento varia conforme o modelo, e uma ROM alternativa não assegura atualizações de segurança completas.
O preço da liberdade
Esse controle extra tem um custo sério. A modificação pode enfraquecer mecanismos de segurança, provocar falhas de funcionamento e impedir o acesso a aplicativos bancários e outros serviços. Em alguns casos, o método depende da exploração de brechas de segurança que contornam as proteções do sistema.
Como os procedimentos mudam de um aparelho para outro e de uma versão do Android para outra, não existe uma receita única. Por isso, a decisão precisa levar em conta o modelo do celular e o que se pretende fazer com ele.
De onde vem a ideia de jailbreak
Segundo o Canaltech, o termo jailbreak pode ser traduzido como algo próximo de “fuga da prisão”. No iPhone, a prática permite executar aplicativos não autorizados pela Apple, segundo a Wikipédia.

Essa mesma fonte cita apps que não são aprovados para a App Store e instaladores não oficiais, como o Cydia. A fabricante não recomenda essas técnicas, porque elas permitem instalar programas vindos de outros lugares.
O Android por trás do root
Segundo a Wikipédia, o Android é baseado no núcleo Linux e foi desenvolvido por um consórcio chamado Open Handset Alliance, com o Google como principal colaborador. O Google adquiriu a Android, Inc. em 17 de agosto de 2005, e o projeto foi revelado em 2007.

O código do sistema é disponibilizado sob licença de código aberto, embora a maior parte dos aparelhos venha com uma combinação de software livre e software privado. Essa abertura incentiva comunidades de programadores a criar projetos que levam o Android a aparelhos que não nasceram com a plataforma.
Como o jailbreak ganhou fama no iPhone
No iPhone, o jailbreak ficou conhecido por temas e ajustes feitos com pequenos programas chamados tweaks. Segundo a Wikipédia, o Winterboard aplica temas na tela de bloqueio e nos aplicativos, o Activator permite personalizar gestos e o BytaFont muda a fonte.

A mesma fonte separa o jailbreak em tipos. O tethered não deixa o aparelho ligar sozinho e precisa de um software externo. O untethered, descrito como o tipo mais procurado, permite ligar, desligar e reiniciar o aparelho sem problemas.
Perguntas frequentes sobre jailbreak no Android
O jailbreak no Android é o mesmo que root?
Na prática, sim. O Canaltech explica que, no Android, a prática equivalente ao jailbreak é conhecida como root. Esse processo confere privilégios elevados de administrador, o que permite excluir apps que já vêm de fábrica, alterar arquivos do sistema e mudar ajustes que, em condições normais, ficam travados. Root e desbloqueio do bootloader, porém, são processos diferentes.
Todo jailbreak no Android depende de brecha de segurança?
Não. Segundo o Canaltech, para chegar a esse acesso pode ser necessário aproveitar uma ou mais falhas de segurança que driblam as defesas do sistema. Ainda assim, as técnicas mudam conforme o celular e a versão do Android, e nem todo método de root se apoia em falhas existentes. Não existe, portanto, uma receita única para todos os celulares.
Quais são os riscos do jailbreak no Android?
A alteração pode enfraquecer barreiras de proteção, provocar problemas de funcionamento no celular e tornar impossível usar apps de bancos e outros serviços. Mexer no desempenho também tem seus perigos: o overclock pode elevar o gasto de bateria, aquecer mais o aparelho e prejudicar a estabilidade. Os resultados variam conforme o hardware de cada aparelho.
Vale a pena fazer jailbreak no Android em um celular antigo?
Pode ajudar, mas com limites. Uma ROM personalizada pode trazer uma edição mais nova do Android ou permitir continuar usando o aparelho depois que o fabricante deixa de dar suporte. De acordo com o Canaltech, o resultado varia de acordo com o modelo do aparelho, e uma ROM alternativa não assegura atualizações de segurança integrais nem que todas as funções continuem operando.
Para a maioria das pessoas, o root não compensa os riscos. Por si só, o Android traz recursos de personalização, controle de permissões e gestão de energia, o que diminui a exigência de alterar partes mais internas do sistema. E você, arriscaria o root no seu celular ou prefere deixar o sistema como o fabricante entregou?
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