Repetição genética que triplica risco de Alzheimer é descoberta em estudo científico

Repetição genética que triplica risco de Alzheimer é descoberta em estudo científico

Foto: Spudgun67 / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Uma descoberta científica envolvendo o DNA pode explicar por que algumas pessoas têm maior risco de desenvolver Alzheimer. Pesquisadores identificaram que certas sequências genéticas repetidas — especificamente um trecho chamado CCG — estão associadas à doença e aumentam a atividade de um gene ligado a danos celulares.

O estudo, realizado por cientistas da Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong e outras instituições, foi publicado na revista Nature Neuroscience em 12 de outubro. A pesquisa combinou análises genéticas com testes em laboratório para entender como essas variações no material genético influenciam a suscetibilidade à doença.

Como a sequência genética funciona

O material genético é composto por letras que representam componentes químicos. Os cientistas encontraram diferenças na quantidade de vezes que a sequência CCG se repete em uma região que controla o funcionamento do gene FAM193B.

Variante genética: Diagrama científico da estrutura de DNA com hélice dupla e legenda de componentes químicos (hidrogênio
Diagrama científico da estrutura de DNA com hélice dupla e legenda de componentes químicos (hidrogênio. Tradução do texto da imagem: Hidrogênio, Oxigênio, Nitrogênio, Carbono, Fósforo, Pirimidinas, Purinas, Sulco maior, Sulco menor. Foto: Zephyris / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Para chegar aos resultados, os pesquisadores analisaram dois grupos de pessoas na China: 1.516 com Alzheimer e 1.674 sem alterações cognitivas.

Vale lembrar: essa associação mostra um padrão entre os grupos estudados, mas não significa que a probabilidade individual de desenvolver Alzheimer ao longo da vida simplesmente dobra. O mesmo padrão apareceu em participantes de ancestralidade europeia, porém de forma menos intensa.

O que acontece nas células

Nos testes com células humanas em laboratório, os cientistas compararam sequências com 11 e 25 repetições. A versão mais longa aumentou significativamente a atividade do gene FAM193B.

Os pesquisadores constataram que esse aumento de atividade se relacionava com marcadores de lesão no DNA e mudanças em processos de estresse celular e morte neuronal — mecanismos que podem favorecer o surgimento do Alzheimer. Os achados abrem uma pista sobre como as diferenças no material genético podem tornar algumas pessoas mais vulneráveis à doença.

Entendendo o Alzheimer

O Alzheimer é uma doença degenerativa que causa a morte de células cerebrais. Uma característica peculiar é que pode começar décadas antes do aparecimento dos primeiros sintomas — razão pela qual o diagnóstico precoce é tão importante para retardar o avanço.

Embora os sintomas sejam mais comuns em pessoas com mais de 70 anos, não é raro que a doença se manifeste em jovens por volta dos 30 anos. Quando isso acontece, é chamada de Alzheimer precoce.

Na fase inicial, quem tem Alzheimer costuma esquecer coisas simples: onde guardou as chaves, o que comeu no café da manhã, nomes de pessoas ou até a estação do ano. Com o tempo, surgem desorientação, dificuldade para lembrar do próprio endereço ou do caminho para casa, e problemas para tomar decisões rotineiras como o que comer ou o que fazer no dia.

Perda de interesse em tarefas habituais, mudanças de comportamento (ficando mais nervoso ou agressivo) e repetições frequentes também aparecem como sinais comuns da doença.

O que sabemos sobre as causas

De acordo com a Alzheimer’s Drugs Discovery Foundation (ADDF), o desenvolvimento da doença pode estar ligado a vários fatores: acúmulo de proteínas prejudiciais (Amilóide e Tau), problemas vasculares, inflamação neuronal, deficiência energética nas células nervosas e questões hereditárias, incluindo a variante genética APOE.

O tratamento atual envolve medicamentos para diminuir os sintomas, além de fisioterapia e estimulação cognitiva. Importante destacar: o Alzheimer não tem cura, e o cuidado deve continuar até o fim da vida.

Quanto as repetições aumentam o risco

O estudo chinês mostrou que pessoas com pelo menos 18 repetições da sequência CCG apresentaram aproximadamente o dobro de chance estatística de ter Alzheimer comparadas com quem tinha até 11 repetições. Isso significa que a quantidade de vezes que a sequência se repete no DNA influencia diretamente na suscetibilidade à doença, segundo o Metrópoles.

Ilustração de cromossomo com coloração em azul, verde e laranja, representando estrutura genética
Ilustração de cromossomo com coloração em azul, verde e laranja, representando estrutura genética. Foto: Prateek Pattanaik / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O dado importante é que essa associação representa um padrão nos grupos estudados, mas não significa que cada indivíduo com essa variante genética necessariamente desenvolverá a doença ao longo da vida. Os mesmos achados apareceram em europeus, porém com menor intensidade.

Como a variante genética influencia as células

Quando a sequência CCG se repete mais vezes, o gene FAM193B fica mais ativo dentro das células. Esse aumento de atividade gera sinais de danos no DNA e altera mecanismos relacionados ao estresse celular e morte de neurônios — processos que contribuem para o desenvolvimento do Alzheimer.

Esse achado fornece uma pista sobre o mecanismo biológico de como a variante genética afeta a saúde do cérebro.

Por que a descoberta importa para a saúde

Entender como uma variante genética influencia o Alzheimer abre caminho para novas abordagens de prevenção e tratamento. Pessoas que carregam essa sequência com mais repetições poderiam se beneficiar de diagnósticos mais precoces e acompanhamento mais rigoroso dos primeiros sintomas.

Múltiplas imagens de tomografia computadorizada (TC) do cérebro humano em diferentes cortes axiais
Múltiplas imagens de tomografia computadorizada (TC) do cérebro humano em diferentes cortes axiais. Foto: Department of Radiology, Uppsala University Hospital. Uploaded by Mikael Häggstr / Wikimedia Commons (CC0)

Embora o Alzheimer não tenha cura, intervir no início da doença com medicamentos, fisioterapia e estimulação cognitiva ajuda a retardar o avanço dos sintomas. Por isso, conhecer o próprio risco genético pode motivar monitoramento da saúde cerebral desde mais cedo.

Perguntas e respostas sobre a variante genética

O que é a variante genética CCG descoberta no estudo?

A variante genética é uma sequência de três letras no DNA (CCG) que se repete na região controladora do gene FAM193B. Quando essa sequência tem mais repetições — especialmente 18 ou mais — ela está associada a maior risco de Alzheimer. O estudo descobriu que pessoas com essa versão mais longa têm aproximadamente o dobro de chance de desenvolver a doença.

Ter essa variante genética significa que vou desenvolver Alzheimer?

Não. A descoberta mostra uma associação estatística entre os grupos estudados, mas não significa que cada pessoa com a variante genética necessariamente terá Alzheimer. Muitos outros fatores — como estilo de vida, saúde vascular, atividade cognitiva e genética — influenciam se a doença vai se manifestar ou não.

Como a variante genética aumenta o risco de Alzheimer?

Quando há mais repetições da sequência CCG, o gene FAM193B fica mais ativo nas células cerebrais. Esse aumento de atividade gera danos no DNA e altera mecanismos de estresse celular, levando à morte de neurônios. Esses processos contribuem para o desenvolvimento da doença ao longo do tempo.

Posso fazer um teste para descobrir se tenho essa variante genética?

O estudo identificou a variante genética em análises genéticas de laboratório, mas testes comerciais para essa sequência específica ainda não estão amplamente disponíveis. Conversar com um geneticista ou neurologista é importante para saber quais testes fazem sentido para o seu caso, especialmente se há histórico familiar de Alzheimer na sua vida.

Diante dessa descoberta sobre a variante genética, você faria um teste para saber se possui a sequência de risco, ou acha que isso geraria ansiedade desnecessária?

Com informações de metropoles.com.

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Comentários

3 respostas a “Repetição genética que triplica risco de Alzheimer é descoberta em estudo científico”

  1. […] Variante genética: 4 perguntas e respostas […]

  2. […] Variante genética CCG aumenta risco de Alzheimer […]

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