Foto: KVYTICAL / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
Rafael Câmara já era apontado como uma das joias do automobilismo de base brasileiro, mas foi um teste privado em Portugal que fechou de vez o acordo com a Haas. O pernambucano de 21 anos foi anunciado na última quinta-feira como titular da escuderia americana para a temporada 2027 de Fórmula 1, tornando-se o segundo brasileiro no grid atual — e tudo começou naqueles dias de agosto no Autódromo Internacional do Algarve.
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Segundo reportagem do GE Globo, a atividade aconteceu entre 26 e 28 de agosto, em Portimão, onde Rafael foi testado ao lado de dois fortes candidatos: Leonardo Fornaroli, campeão da Fórmula 2 apoiado pela McLaren, e Ryo Hirakawa, piloto experiente com respaldo da Toyota. A tarefa era avaliar quem melhor preencheria a vaga deixada por Esteban Ocon.
O desempenho que impressionou
Os números falam por si: Rafael Câmara foi o mais rápido do dia com o VF-25, carro da temporada anterior da Haas. Isso mesmo — mais rápido que Oliver Bearman, o titular atual da equipe, que servia como referência para medir os candidatos. O pernambucano foi dois décimos mais veloz que o inglês, quase quatro décimos à frente de Fornaroli e sete décimos acima de Hirakawa.

Mas aqui vem o detalhe que realmente abriu portas: em seu primeiro contato com um carro Haas e num circuito nunca antes pisado, Rafael se adaptou em tempo recorde. Era sua primeira vez andando no Algarve e primeira experiência com aquela máquina, ainda assim levou poucas voltas para brigar de igual para igual com pilotos muito mais experientes.
O que além da velocidade conquistou a equipe
Ayao Komatsu, que comanda a Haas, foi direto ao ponto ao revelar os termos do acordo: segundo ele, quando Rafael participou do programa de testes da equipe em Portugal, demonstrou ter capacidade de se adaptar rapidamente, mesmo com pouco tempo de familiarização com o carro. Mostrou mais do que velocidade pura. “Ele foi capaz de montar um espaço onde conseguisse extrair o máximo do seu potencial.”
E Komatsu tinha razão em destacar isso. A Haas identificou duas qualidades que vão muito além de marcar bons tempos na volta seca. A primeira foi justamente essa capacidade de se adaptar em condições difíceis — começar do zero numa pista desconhecida e num carro desconhecido, e ainda sim extrair performance.
A segunda qualidade foi o feedback para os engenheiros. Rafael conseguiu passar informações consistentes sobre como o carro se comportava e como melhorar o acerto diante das mudanças de pista. Os engenheiros da equipe americana compararam essas análises às de um piloto veterano — algo que até a Ferrari, da qual Rafael faz parte da academia, já havia atestado em testes anteriores.
Long runs e pneus: a prova de fogo
Mas a Haas foi além: colocou os três candidatos para rodar em simulações de corrida, os chamados long runs, onde não basta ser rápido numa volta — é preciso manter a velocidade, a consistência e, muito importante, não desgastar os pneus rapidamente. Na Fórmula 1 atual, gerenciar o pneu é quase uma arte.
Rafael passou nesse teste também. Mostrou velocidade mantida, consistência de volta para volta e um bom feeling com os compostos de borracha. Foi aí que Komatsu e sua equipe realmente tiveram o queixo caído: o brasileiro não apenas superava Fornaroli e Hirakawa, como também deixava para trás Bearman, que tem 39 corridas de F1 no currículo e está em sua segunda temporada cheia como titular da Haas.
Por que Rafael venceu a disputa
Fornaroli tinha seus méritos — já havia pilotado um carro Haas em junho em Jerez de la Frontera e ainda testou uma McLaren de 2025 semanas antes em Portimão. Hirakawa trazia experiência em endurance e alguns treinos livres pela Haas. Mas Rafael tinha algo que os rivais não tinham: o apoio estratégico de uma Ferrari investindo pesado nele.

A escuderia de Maranello não só o queria no grid em 2027, como fornecerá motor, câmbio e a parte traseira do carro para a Haas, com um desconto ainda mais generoso que o normal. Além disso, o sucesso de outros pilotos formados na Academia Ferrari — como Kimi Antonelli e Arvid Lindblad, que fizeram carreira nas categorias de base junto com Rafael — também pesou na balança.
Agora, o pernambucano ainda disputará as duas últimas etapas da Fórmula 2 (Catar e Abu Dhabi) pela Invicta Racing, onde lidera o campeonato com 207 pontos. Acredita-se que ele fará pelo menos um treino livre com Ferrari ou Haas ainda em 2026, provavelmente no GP de São Paulo em Interlagos.
Os rivais que Rafael superou
Leonardo Fornaroli, campeão da Fórmula 2 com apoio da McLaren, tinha experiência — já havia testado um carro Haas em junho em Jerez e um modelo McLaren de 2025 semanas antes em Portimão. Ryo Hirakawa, o mais velho do trio aos 32 anos, trazia carreira sólida em endurance e alguns treinos livres pela equipe americana. Mesmo assim, Rafael venceu a disputa de forma clara, segundo reportagem do GE Globo.

O que abriu as portas na Academia Ferrari
Rafael Câmara não chegou à Haas sozinho. O sucesso de seus contemporâneos Kimi Antonelli e Arvid Lindblad, que foram companheiros em categorias de base e agora disputam a F1, ajudou a validar o trabalho da Academia Ferrari. Os engenheiros de Maranello também compararam o feedback do pernambucano ao de um piloto veterano durante testes anteriores, segundo o GE Globo.
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