Quando a marca entra no refrão: a publicidade nas letras de música

Quando a marca entra no refrão: a publicidade nas letras de música

Foto: Peter Salanki / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

A publicidade nas letras de música chegou a parecer um futuro inevitável, mas o mercado precisou testar a ideia na prática para descobrir o que realmente funcionava. Segundo a g1, a história começa com as Pussycat Dolls, que chegam ao Brasil pela primeira vez com show em São Paulo no dia 30 de outubro, e termina no sertanejo de Gusttavo Lima.

Um e-mail enviado por engano

Em 2008, mensagens do empresário Adam Kluger caíram por acidente na caixa de entrada de vários jornalistas. Nelas, ele oferecia espaço publicitário dentro das letras do grupo. O repórter ligou para o telefone do rodapé e ouviu um homem um pouco ríspido, mas que explicou o modelo de negócio sem rodeios.

Na mesma conversa, Kluger garantiu que nenhuma música do grupo tinha sido vendida. Ou seja, a proposta existia, mas ficou no papel no caso das cantoras.

Quem topou foi o rapper Flo Rida

Se o grupo ficou de fora, outros nomes da Kluger Agency aceitaram a ideia. Flo Rida foi quem, de fato, vendeu os próprios versos. “Hey Jasmin” tinha como tema a Live Jasmin, site de transmissão ao vivo por webcam com modelos, algo parecido com o OnlyFans daquele período.

Depois veio “Zoosk Girl”, dedicada ao Zoosk, app de namoro apontado como precursor do Tinder. As duas faixas mostram que o modelo era real, e não só uma conversa de bastidores.

Por que a ideia não pegou lá fora

Essas iniciativas criaram a expectativa de que as marcas tomariam conta das canções. Para os críticos, era o auge da mercantilização da música. No fim, porém, a experiência não decolou fora do Brasil.

A indústria concluiu que mostrar produtos de forma visual nos videoclipes funcionava bem, mas transformar o refrão em vitrine sonora pegava mal com os fãs. Dá pra entender os dois lados nessa: quem vive de música precisa de dinheiro, mas quem ouve quer a canção, não um comercial.

No Brasil, o sertanejo achou a fórmula

Se a tática soou forçada no pop estrangeiro, por aqui ela virou mina de ouro. Segundo o texto original, Gusttavo Lima recebeu no mínimo R$ 1 milhão para mencionar a marca de uísque Old Parr em “Zé da Recaída”, hit que saiu em 2018.

Dois anos mais tarde, a dupla Zé Neto & Cristiano deixou essa tendência às claras com “Alô Ambev”, música que se situa justamente entre uma canção de sofrência e um comercial da Brahma, e que mostra a publicidade nas letras de música em plena evidência.

O que sobrou dessa história

Hoje, vender espaço direto nas composições ficou raro. O caso mais comum é o artista citar uma marca sem cachê, só porque ela cabe na narrativa da música. Caetano Veloso e Lulu Santos, por exemplo, cantam sobre política, juventude e amor e ainda mencionam uma coca-cola gelada, sem patrocínio algum.

O que realmente vingou foram as parcerias visuais em clipes, as cotas de turnês e as redes sociais. Todo mundo quer marca por perto, mas quase ninguém abre mão da própria letra.

E as Pussycat Dolls, hoje?

O grupo também voltou ao noticiário com planos de retorno. Segundo o Portal LeoDias, a banda anunciou a turnê “PCD Forever”, mas, na época da publicação, ainda não tinham sido divulgadas datas nem cidades. A expectativa é que apenas Nicole Scherzinger, Kimberly Wyatt e Ashley Roberts façam parte da nova fase.

O conjunto foi criado em 2005, com seis integrantes, e emplacou sucessos como “Don’t Cha” e “When I Grow Up”. A separação veio em 2009, após desentendimentos entre algumas integrantes. Agora, as cantoras lançaram um site oficial para quem quiser receber novidades sobre datas e ingressos.

E você, incomoda ouvir uma marca no meio do refrão ou nem repara? Conta aqui embaixo.

A turnê cancelada de 2020

As Pussycat Dolls já tinham planos de se apresentar no Brasil em 2020. Segundo o Portal LeoDias, a turnê foi cancelada por causa da pandemia de Covid-19.

publicidade nas letras de música: Quatro cantoras se apresentam em palco com luzes roxas e azuis, diante de um painel em formato de coração
Quatro cantoras se apresentam em palco com luzes roxas e azuis, diante de um painel em formato de coração. Foto: Lil-unique1 (Flickr) / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Agora, o perfil oficial do grupo publicou um teaser da cadeira icônica do clipe de “Buttons”. A publicação deixou os fãs em polvorosa, de acordo com o mesmo site.

Ainda antes de a notícia ser confirmada, boatos sobre quem comporia a volta já corriam pelos veículos de comunicação e pelas plataformas digitais, de acordo com o próprio portal.

Os seis nomes da formação original

O grupo foi criado em 2005 com Nicole Scherzinger, Carmit Bachar, Ashley Roberts, Jessica Sutta, Melody Thornton e Kimberly Wyatt. Além de “Don’t Cha” e “When I Grow Up”, elas emplacaram “Wait a Minute”, segundo o Portal LeoDias.

Melody Thornton cantando com microfone, de bustiê brilhante com estampa de zebra, em show ao ar livre
Melody Thornton cantando com microfone, de bustiê brilhante com estampa de zebra, em show ao ar livre. Foto: Peter Cruise / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Ao longo da carreira, o conjunto lançou dois álbuns, de acordo com o mesmo site.

Contexto da publicidade nas letras de música

Em 2008, ano dos e-mails de Adam Kluger, as Pussycat Dolls lançaram o álbum Doll Domination, segundo a g1. A proposta de vender versos surgiu no mesmo período.

Show ao vivo visto de longe: palco iluminado, telas laterais e público lotando a arena
Show ao vivo visto de longe: palco iluminado, telas laterais e público lotando a arena. Foto: [2] / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Os dois casos mostram momentos distantes do mesmo tipo de acordo. Em 2008, a oferta das Pussycat Dolls não gerou venda de músicas. Em 2018, Gusttavo Lima recebeu pelo menos R$ 1 milhão para citar o uísque Old Parr.

Entre os artistas da Kluger Agency, o rapper Flo Rida foi quem, segundo a g1, efetivamente vendeu os próprios versos, nas faixas “Hey Jasmin” e “Zoosk Girl”. No Brasil, o formato ganhou força com o sertanejo, e o refrão virou espaço pago em mais de um hit.

Hoje, a g1 descreve como mais comum o artista citar uma marca sem cachê, como acontece com Caetano Veloso e Lulu Santos ao cantarem uma coca-cola gelada. A mesma reportagem afirma que o formato que vingou foi o das parcerias visuais em clipes.

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