Cascas de frutas podem ter mais fibras que a polpa, diz estudo

Cascas de frutas podem ter mais fibras que a polpa, diz estudo

Foto: Diego Delso / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Quem costuma jogar fora as cascas de frutas, os talos e as sementes pode estar descartando partes com mais fibras do que a polpa. Segundo a Super Interessante, um estudo publicado no periódico International Journal of Food Sciences and Nutrition chegou a essa conclusão.

Um estudo com 12 alimentos

Cientistas do King’s College London estudaram 12 frutas e hortaliças, entre elas abóbora, kiwi, melancia, brócolis, pimentão, abacaxi, alho-poró, erva-doce, couve, aipo, couve-flor e beterraba. A equipe comparou o teor de fibras da parte mais consumida de cada alimento com o de cascas, sementes, talos e outras partes que costumam ir para o lixo.

cascas de frutas: Close de muitas sementes de abóbora secas, de cor bege, empilhadas
Close de muitas sementes de abóbora secas, de cor bege, empilhadas. Foto: Daniel Schwen / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

O resultado chamou atenção. Em 10 dos 12 alimentos, as partes descartadas tinham mais fibras. No abacaxi, a casca e o miolo tinham cerca de 450% mais fibras do que a polpa. No caso da abóbora, a casca e as sementes reúnem 9,25 gramas de fibra por 100 gramas, ao passo que a polpa traz somente 2 gramas.

Por que isso importa para a alimentação

A Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) mostra que 68% dos brasileiros consomem fibras em quantidade insuficiente. Por isso, os cientistas veem no aproveitamento dessas partes uma forma de ampliar a ingestão desse nutriente sem depender só da polpa.

Os autores chamam essa prática de alimentação “da raiz à ponta”. Além do possível ganho nutricional, ela pode ajudar a reduzir o desperdício de comida. No caso dos restaurantes, também pode diminuir os custos da cozinha.

O obstáculo é o sabor e a textura

O problema é que essas partes costumam ser duras e difíceis de mastigar. Além disso, nem sempre têm um sabor agradável quando comidas cruas. Diante disso, os pesquisadores sugerem outras formas de preparo, como ralar, triturar ou assar esses ingredientes em receitas.

Mão segurando pedaços de fruta descascados, de polpa clara e casca alaranjada, com folhas verdes ao fundo
Mão segurando pedaços de fruta descascados, de polpa clara e casca alaranjada, com folhas verdes ao fundo. Foto: Judgefloro / Wikimedia Commons (CC0)

Uma ideia antiga

Segundo a Super Interessante, algumas pessoas já afirmavam que cascas, sementes e talos podiam ser ainda mais nutritivos que a polpa. Agora, o estudo com pesquisadores de Londres reforçou essa ideia. A pesquisa constatou que, de fato, essas partes são mais ricas em fibras do que as partes consumidas.

Segundo os autores, o teor de fibras de muitos componentes dessa alimentação ainda é desconhecido. Os resultados, segundo eles, sugerem que o consumo “da raiz à ponta” pode favorecer uma maior ingestão de fibras.

Segundo a Super Interessante, aproveitar essas partes poderia aumentar significativamente o consumo de fibras da população. A reportagem destaca que isso importa especialmente porque grande parte das pessoas não ingere a quantidade diária recomendada.

A revista que divulgou o estudo

A Super, nome popular da Superinteressante, é uma revista brasileira de divulgação científica e cultura. Segundo a Wikipédia, ela é publicada mensalmente pela Editora Abril desde setembro de 1987.

A editora adquiriu os direitos da publicação espanhola Muy Interesante e pretendia lançar uma versão em português com textos traduzidos. Ao descobrir que os fotolitos da versão espanhola eram maiores que os brasileiros, a editora passou a fazer as próprias reportagens. Hoje, a situação se inverteu: a Super exporta suas matérias para filiais estrangeiras.

A edição número 1 saiu no fim de setembro de 1987, com supercondutores como matéria de capa. Em 1995, a revista passou por reformas no projeto gráfico, com mais infográficos, e diversos infográficos foram premiados em feiras internacionais.

Em 1998, para comemorar dez anos, a Super lançou um CD com a maioria das matérias já publicadas. Em 2002, ao completar 15 anos, passou a lançar todo ano a coleção completa das edições desde 1987, em CD-ROMs.

Em 2010, a tiragem era de 400 000 exemplares, a terceira maior da Editora Abril na época, atrás apenas de Veja e Cláudia.

Em 1992, a revista ganhou o Prêmio José Reis de Divulgação Científica. Em 2001, o Prêmio Abril a escolheu como a “Revista do Ano”. Em 2002, recebeu o Prêmio Malofiej como a revista que melhor usa infográficos no mundo.

Depois de anos publicando só artigos de ciências exatas e biológicas, a revista passou a publicar também artigos de ciências humanas e sociais, segundo a Wikipédia.

A família Super

Algumas revistas surgiram de edições especiais da Superinteressante. A Mundo Estranho começou em agosto de 2001 como especial, com as melhores perguntas de Superintrigante. O sucesso rendeu uma sequência e, mais tarde, deu origem à própria revista, voltada principalmente a adolescentes. Ela responde perguntas e traz curiosidades, geralmente sobre entretenimento.

A Aventuras na História, de junho de 2003, é exclusivamente sobre história. A Vida Simples, de janeiro de 2003, trata de filosofia de origem oriental e de assuntos como ioga.

A Revista das Religiões, de maio de 2003, abordava assuntos ligados à religião de forma ecumênica. Ela deixou de circular em julho de 2005, segundo a Wikipédia.

Perguntas frequentes sobre cascas de frutas

Como aproveitar cascas de frutas na cozinha?

Os pesquisadores defendem usar essas partes em receitas, como ralá-las, triturá-las ou assá-las. Crus, elas costumam ser duras, difíceis de mastigar e nem sempre têm sabor agradável. Os autores chamam essa forma de consumo de “da raiz à ponta”, que inclui cascas, sementes e talos.

Quanta fibra tem a casca da abóbora?

No estudo, a casca e as sementes da abóbora reúnem 9,25 gramas de fibra por 100 gramas, enquanto a polpa traz apenas 2 gramas. No abacaxi, a casca e o miolo tinham cerca de 450% mais fibras que a polpa. Os pesquisadores de Londres compararam a parte mais consumida de 12 alimentos com as partes que costumam ir para o lixo. Em 10 deles, as partes descartadas tinham mais fibras. Os dados foram publicados no International Journal of Food Sciences and Nutrition.

O aproveitamento de cascas de frutas reduz o desperdício?

Os autores dizem que essa prática poderia reduzir o desperdício de alimentos. Nos restaurantes, ela também poderia diminuir os custos das cozinhas. Além dos possíveis benefícios nutricionais, a proposta combina dois ganhos: mais fibra na alimentação e menos alimento jogado fora.

Os brasileiros consomem fibras na quantidade ideal?

Nem sempre. Segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), 68% dos brasileiros consomem fibras em quantidade insuficiente. Além disso, grande parte das pessoas não chega à quantidade diária recomendada desse nutriente. Por isso, os pesquisadores veem no aproveitamento dessas partes uma forma de ampliar a ingestão sem depender só da polpa.

E você, costuma aproveitar cascas e talos na cozinha ou manda tudo para o lixo?

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