Cães de Chernobyl têm DNA que chama a atenção dos cientistas

Cães de Chernobyl têm DNA que chama a atenção dos cientistas

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Foto: Артемий Титов / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

Os Cães de Chernobyl vivem perto da usina nuclear desativada, na Ucrânia, e têm perfis genéticos diferentes do normal. Segundo reportagem do Cães&Gatos, adaptada da CNN Brasil, as mudanças aparecem em áreas ligadas ao câncer, ao reparo de danos no DNA, à resposta imune e à regulação do ciclo celular.

Para entender o caso, os pesquisadores compararam os animais dos arredores imediatos da usina com os cães que moram na cidade de Chernobyl, a cerca de 16 quilômetros do complexo atômico. O estudo foi publicado na revista científica Genes e dá continuidade a investigações anteriores.

Cidade e arredores têm perfis bem diferentes

Os cães da cidade mantêm características genéticas parecidas com as de cães comuns do Leste Europeu, como os da Polônia e da Rússia. Já os animais que vivem nas cercanias da usina trazem mutações e traços moleculares próprios, principalmente em trechos do genoma ligados à regeneração do DNA.

Cães de Chernobyl: Usina nuclear de Chernobyl, com o sarcófago de concreto, guindastes e torre de ventilação ao fundo
Usina nuclear de Chernobyl, com o sarcófago de concreto, guindastes e torre de ventilação ao fundo. Foto: Tiia Monto / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

A dúvida dos cientistas era saber se essa diferença vinha da seleção natural ou da deriva genética, que são mudanças aleatórias na frequência dos genes causadas pelo isolamento reprodutivo. Para testar as hipóteses, a equipe comparou as amostras com o perfil de cães que vivem isolados no arquipélago das Ilhas Galápagos.

O isolamento não explica tudo

O resultado mostrou que os animais da região da usina não perderam a variabilidade genética que costuma acompanhar a deriva. Isso enfraquece a ideia de que apenas o isolamento geográfico explica o que foi encontrado.

Vista aérea panorâmica 360° de área com rio, vegetação e complexo industrial sob céu azul
Vista aérea panorâmica 360° de área com rio, vegetação e complexo industrial sob céu azul. Foto: Omar David Sandoval Sida / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Ainda segundo o estudo, os cães da cidade de Chernobyl apresentam um padrão biológico mais próximo ao dos animais de Galápagos do que ao dos bichos que vivem entre os escombros industriais. Ou seja, estar longe não basta para explicar as particularidades observadas.

Uma hipótese para a sobrevivência

Mesmo com a localização marcante, os autores afirmam que as alterações genéticas não vêm obrigatoriamente de mutações causadas diretamente pela radiação contínua. Essa é uma ressalva importante para não tirar conclusões apressadas.

Cão de pelagem preta e caramelo, olhando para cima, apoiado em superfície de madeira
Cão de pelagem preta e caramelo, olhando para cima, apoiado em superfície de madeira. Foto: Zoepa / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

A principal hipótese dos pesquisadores é outra. Os animais que sobreviveram aos momentos mais críticos da exposição logo após o acidente nuclear de 1986 podem já ter carregado variantes genéticas protetoras. Esses genes teriam ajudado os bichos a sobreviver e a se reproduzir em condições ambientais extremas.

Perguntas frequentes sobre Cães de Chernobyl

O que os cientistas descobriram sobre os Cães de Chernobyl?

Cientistas perceberam que os cachorros que moram nas redondezas da usina nuclear, na Ucrânia, apresentam um mapa genético com modificações ligadas a quatro áreas do organismo. A publicação saiu na revista científica Genes e, segundo o Cães&Gatos, dá sequência a investigações anteriores. As áreas com alterações são:

  • desenvolvimento de câncer;
  • reparo de danos no DNA;
  • resposta imune;
  • regulação do ciclo celular.

Os cães da cidade de Chernobyl, situada a cerca de 16 quilômetros do complexo atômico, mantêm assinaturas genéticas parecidas com as de cães convencionais do Leste Europeu, como os da Polônia e da Rússia. Já os animais dos arredores imediatos da usina apresentam mutações e traços moleculares próprios, sobretudo em trechos do genoma voltados à regeneração do DNA. Os cientistas compararam os dois grupos para entender de onde vinha essa diferença.

Os Cães de Chernobyl têm mutações causadas diretamente pela radiação?

Os autores ponderam que não necessariamente. De acordo com eles, as mudanças no DNA não surgem necessariamente de mutações causadas diretamente pela contaminação radioativa constante. Apesar da localização marcante, essa ressalva evita conclusões apressadas. Por isso, a relação direta entre a radiação e as alterações não é apresentada como certa.

O estudo também analisou se o isolamento geográfico seria a explicação. O resultado indicou que ele não justifica, de forma isolada, as particularidades dos cães do complexo nuclear. Os animais da região da usina não perderam a variabilidade genética que costuma acompanhar a deriva genética, que são mudanças aleatórias na frequência dos genes causadas pelo isolamento reprodutivo. Na prática, a diferença entre os grupos não se resume à distância da usina.

Como a equipe testou se a diferença veio da seleção natural ou da deriva genética?

Para verificar essas duas suposições, a equipe comparou o DNA dos animais de Chernobyl com o de cães que vivem isolados nas Ilhas Galápagos. A comparação mostrou que os cães da cidade têm padrão biológico mais próximo ao dos animais de Galápagos do que ao dos indivíduos que vivem nos escombros industriais.

Segundo o Cães&Gatos, que adaptou a reportagem da CNN Brasil, a análise indicou que a localização, sozinha, não explica as particularidades observadas nos Cães de Chernobyl. Os autores usaram a comparação para testar as duas hipóteses.

Qual é a principal hipótese para a sobrevivência desses animais?

A principal aposta dos pesquisadores é que os bichos que resistiram às fases mais perigosas da radiação logo após o desastre nuclear de 1986 talvez já trouxessem, desde antes, variações genéticas de proteção. Esses genes teriam favorecido a sobrevivência e a reprodução sob condições ambientais extremas.

Trata-se de uma hipótese, não de uma conclusão definitiva. Por isso, o estudo trata essas variantes como uma possível explicação, e não como resultado confirmado. Para tirar dúvidas sobre a saúde de um cão, a orientação é procurar um médico-veterinário.

Conteúdo informativo, não substitui avaliação de médico-veterinário. Fonte oficial vinculada na matéria.

E você, acha que pesquisas como essa ajudam a entender melhor a saúde dos animais que vivem em áreas contaminadas?

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