Foto: Terragio67 / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
Trichomonas em cães e gatos: um parasita que costuma viver na boca das pessoas também foi encontrado nesses animais, segundo uma pesquisa feita na Polônia. Como informou o Cães&Gatos, em texto adaptado da Veterinária Atual, os cientistas acharam o microrganismo na boca dos bichos.
Entre os protozoários encontrados está a espécie Trichomonas tenax, comum na boca humana. Ele tem potencial zoonótico, ou seja, pode afetar animais e pessoas, o que torna o achado um sinal de alerta para os pesquisadores.
Quantos animais foram analisados
Os cientistas avaliaram amostras da boca de 238 animais de companhia: 151 cães e 87 gatos. As coletas aconteceram entre junho de 2024 e dezembro de 2025, durante consultas de rotina em clínicas veterinárias de diversas regiões do país europeu.
O parasita apareceu em 17,22% dos cães e em 5,75% dos gatos. Ou seja, a espécie canina teve uma proporção bem maior de animais contaminados.
Idade e tártaro pesam nos cães
Nos cães, a presença do microrganismo cresceu junto com a idade. Ele foi encontrado em 8,69% dos animais de até quatro anos, subiu para 20,51% na faixa dos cinco aos oito anos e chegou a 28,57% nos cães com mais de nove anos.

A saúde da boca também teve peso forte nesse resultado. Entre os cães sem tártaro ou com acúmulo em até um quarto da superfície dos dentes, 7,58% deram positivo. Já nos animais com tártaro em mais da metade da dentição, o percentual saltou para 36,17%.
Os gatos seguem outro caminho
Nos felinos, o cenário foi diferente. Os pesquisadores não encontraram diferenças estatisticamente relevantes ligadas à idade, ao ambiente em que o gato vive ou ao estado de higiene dental.

Chamou atenção que todos os gatos positivos viviam exclusivamente dentro de casa. Por isso, os cientistas levantaram a hipótese de que o contato íntimo com as pessoas possa ser a origem da infecção. Essa ligação, porém, ainda precisa ser confirmada por novas investigações envolvendo tutores e outras pessoas que convivem com os bichos.
Duas espécies e uma dúvida em aberto
O sequenciamento genético identificou duas espécies circulando nos animais: Trichomonas brixi e Trichomonas tenax. Nos cães positivos, a T. brixi foi a mais frequente, presente em 65,2% das amostras sequenciadas. Ela foi descrita recentemente e aparece pela primeira vez em pets no território polonês.

Nos gatos, a situação se inverteu: a T. tenax esteve em quatro das cinco amostras felinas positivas. Para explicar por que o parasita se fixa na boca, os autores apontam que o acúmulo de placa e tártaro muda o ambiente oral, com variações de pH e pequenas áreas com pouco oxigênio, condições que favorecem a instalação do microrganismo.
Ainda não dá para saber se o parasita contribui para o avanço da doença periodontal ou se apenas se instala de forma oportunista em bocas mal cuidadas. Como o tema é pouco estudado na rotina veterinária, os pesquisadores alertam para a necessidade de mais vigilância, dentro da visão de Saúde Única (One Health), que liga a saúde de pessoas, animais e ambiente.
Conteúdo informativo, não substitui avaliação de médico-veterinário. Fonte oficial vinculada na matéria.
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Perguntas frequentes sobre Trichomonas em cães e gatos
O que é Trichomonas em cães e gatos?
É a presença de protozoários na boca dos animais, entre eles a espécie Trichomonas tenax. Essa espécie é comumente encontrada na boca humana e tem potencial zoonótico, ou seja, pode afetar tanto animais quanto pessoas. Por isso, os autores do estudo pedem mais vigilância, na visão da Saúde Única (One Health), que liga a saúde de pessoas, animais e ambiente. Segundo o Cães&Gatos, o tema ainda é pouco documentado na rotina clínica veterinária. Como o conteúdo é informativo, a avaliação do animal deve ser feita por um médico-veterinário.
Qual a frequência de Trichomonas em cães e gatos?
Os pesquisadores analisaram amostras da boca de 238 animais de companhia, sendo 151 cães e 87 gatos. As coletas foram feitas entre junho de 2024 e dezembro de 2025, durante consultas de rotina em clínicas veterinárias de diversas regiões da Polônia.
O parasita apareceu em 17,22% dos cães e em 5,75% dos gatos. Ou seja, a prevalência na espécie canina foi bem maior. Nos cães positivos, a T. brixi foi a mais frequente, presente em 65,2% das amostras sequenciadas. Nos gatos, a T. tenax apareceu em quatro das cinco amostras positivas.
A idade e o tártaro mudam a presença de Trichomonas em cães e gatos?
Nos cães, sim. O protozoário foi encontrado em 8,69% dos animais de até quatro anos, em 20,51% dos cães de cinco a oito anos e em 28,57% dos que têm mais de nove anos. Segundo o Cães&Gatos, a ocorrência acompanha o avanço da idade e o grau de acúmulo de tártaro.
Entre os cães sem tártaro ou com acúmulo em até um quarto da superfície dos dentes, 7,58% deram positivo. Nos animais com tártaro em mais da metade da dentição, o índice chegou a 36,17%. Os pesquisadores sugerem que o acúmulo de placa e tártaro muda o ambiente da boca, com variações de pH e pequenas áreas com pouca oxigenação, o que favorece a fixação do microrganismo.
Os gatos seguem o mesmo padrão dos cães?
Não. Nos felinos, os pesquisadores não encontraram diferenças estatisticamente relevantes ligadas à idade, ao ambiente em que o gato vive ou ao estado de higiene dental. Chamou atenção que todos os gatos positivos viviam exclusivamente dentro de casa.
Por isso, os cientistas levantaram a hipótese de que o contato íntimo com as pessoas possa ser a origem da infecção. Essa ligação ainda não foi confirmada. Para testá-la, serão necessárias novas investigações envolvendo tutores e outras pessoas que convivem com os animais.
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