Spray nasal com dois remédios pode aliviar nariz entupido sem rebote em estudo de sete semanas

Spray nasal com dois remédios alivia nariz entupido sem rebote

Foto: Maxim Masiutin / Wikimedia Commons (CC0)

Um spray nasal com a associação de dois fármacos parece conseguir aliviar o entupimento nasal persistente sem causar a chamada congestão de rebote, aquela que retorna depois do uso continuado de descongestionantes. De acordo com o Metrópoles, a abordagem foi avaliada num estudo clínico com 60 adultos que conviviam com o problema de forma crônica e não obtinham alívio com os sprays tradicionais de corticoide.

Como funciona a combinação

A fórmula junta a oximetazolina, um descongestionante que contrai os vasos sanguíneos do revestimento nasal, e a budesonida, um corticosteroide que atua na inflamação. Os achados saíram em 29 de outubro, na publicação científica JAMA Otolaryngology–Head & Neck Surgery.

Embalagem em blister e aplicador branco de spray nasal Imigran 20 mg, sobre fundo escuro
Embalagem em blister e aplicador branco de spray nasal Imigran 20 mg, sobre fundo escuro. Foto: Mangos / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Os participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos. Um usou a dupla de medicamentos, e o outro, apenas budesonida. As aplicações foram feitas duas vezes ao dia, durante quatro semanas.

Resultados ao longo das semanas

Após quatro semanas, 83% dos que tomaram a combinação disseram ter percebido ao menos uma melhora moderada nos sintomas. No grupo que usou somente budesonida, o índice foi de 36%. Nenhum paciente da combinação apresentou piora da obstrução nasal no período.

Criança com rosto desfocado segura frasco de spray nasal branco estendido à frente
Criança com rosto desfocado segura frasco de spray nasal branco estendido à frente. Foto: Shixart1985 / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

A diferença já aparecia antes. Após duas semanas, a redução dos índices de obstrução chegou a 69% no grupo da combinação, contra 41% no outro. Na quarta semana, os percentuais subiram para 76% e 46%, respectivamente.

E a retirada do descongestionante?

Esse era o ponto mais sensível do estudo. Ao fim das quatro semanas, a oximetazolina foi reduzida gradualmente por mais duas semanas, e, na sétima, os participantes já não a usavam. Assim, os pesquisadores puderam checar se o nariz entupiria de novo.

Jato de spray em névoa saindo de um frasco branco, com um dedo pressionando, sobre fundo preto
Jato de spray em névoa saindo de um frasco branco, com um dedo pressionando, sobre fundo preto. Foto: robin_24 / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Durante a redução e na semana seguinte à suspensão completa, não houve piora significativa da obstrução. Entre os pacientes com sintomas bem controlados, 75% conseguiram manter essa melhora por toda a semana, mesmo sem usar o descongestionante.

Ainda faltam respostas

Apesar dos números animadores, o estudo teve apenas 60 participantes e acompanhou os pacientes por sete semanas. Logo, não é possível garantir, por enquanto, que a combinação previna a congestão de rebote em tratamentos longos.

O próprio estudo aponta a necessidade de pesquisas com acompanhamento mais longo para avaliar segurança e eficácia a longo prazo. Até lá, a dupla aparece como uma opção para quem tem obstrução persistente e não responde bem aos corticoides convencionais. Antes de usar qualquer medicamento, vale conversar com um médico.

Linha do tempo do tratamento

Segundo o Metrópoles, o estudo teve três etapas. Na primeira, de quatro semanas, as aplicações foram feitas duas vezes ao dia. Na segunda, a oximetazolina foi reduzida aos poucos durante mais duas semanas. Na terceira, na sétima semana, os participantes já não usavam o descongestionante.

Os pesquisadores mediram a obstrução nasal em três momentos:

  • Na segunda semana, a redução dos índices chegou a 69% no grupo da combinação e a 41% no grupo da budesonida.
  • Na quarta semana, os percentuais subiram para 76% e 46%, nessa ordem.
  • Depois da suspensão, 75% dos pacientes com sintomas bem controlados mantiveram a melhora durante toda a semana.

Quem entrou no estudo

Os pesquisadores recrutaram 60 adultos com obstrução nasal crônica. Esses participantes não haviam respondido bem aos sprays convencionais de corticoide, segundo o Metrópoles. A reportagem associa a combinação justamente a esse grupo de pacientes, que têm obstrução persistente e não respondem bem ao tratamento convencional.

Perguntas frequentes sobre spray nasal

O que tem no spray nasal estudado?

O spray nasal testado junta duas substâncias com funções diferentes. A oximetazolina é um descongestionante e age contraindo os vasos sanguíneos do revestimento nasal. A budesonida é um corticosteroide e atua na inflamação. Por isso, a combinação reúne uma ação sobre os vasos e uma ação sobre a inflamação. O outro grupo do estudo usou somente a budesonida, o que permitiu comparar os dois efeitos. A informação é do Metrópoles.

Como o spray nasal foi avaliado no estudo?

Participaram 60 adultos com obstrução nasal crônica. Eles foram divididos aleatoriamente: um grupo usou a combinação e o outro, apenas budesonida. As aplicações foram feitas duas vezes ao dia, durante quatro semanas. Depois, a oximetazolina foi reduzida gradualmente por mais duas semanas. Na sétima semana, os participantes já não usavam o descongestionante. Esse último estágio serviu para verificar se a suspensão do remédio faria a congestão do nariz voltar.

Qual foi o resultado do spray nasal em comparação com a budesonida sozinha?

A diferença apareceu cedo. Na segunda semana, a redução da obstrução chegou a 69% no grupo da combinação e a 41% no grupo da budesonida. Na quarta semana, os índices foram de 76% e 46%. Ao fim de quatro semanas, 83% dos que usaram a combinação relataram ao menos uma melhora moderada, contra 36% do outro grupo. Nenhum paciente da combinação apresentou piora da obstrução nasal no período.

O spray nasal evita a congestão de rebote?

Os pesquisadores não identificaram piora significativa da obstrução durante a redução da oximetazolina e na semana seguinte à suspensão completa. Entre os pacientes com sintomas bem controlados, 75% mantiveram a melhora sem o descongestionante. Mesmo assim, o estudo teve apenas 60 participantes e durou sete semanas. Por isso, não é possível afirmar que a combinação evita o rebote em tratamentos longos. O próprio estudo aponta a necessidade de pesquisas com acompanhamento mais longo para avaliar segurança e eficácia. Antes de usar qualquer medicamento, vale conversar com um médico.

E você, usaria um spray desse tipo se o seu médico indicasse?

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