Foto: Parism550 / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
Ed Sheeran meteu os pés pelas mãos e a conta chegou: depois de expulsar o rapper Macklemore da Loop Tour por causa de um discurso de apoio à Palestina, o cantor britânico perdeu todos os artistas de abertura de seus shows. Sim, todos. A polêmica que começou no dia 4 de setembro, quando Macklemore gritou “Palestina Livre” no MetLife Stadium em Nova Jersey, segundo informações do G1, virou uma avalanche de cancelamentos.
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A reação em cadeia
Finneas, Aaron Rowe, Lukas Graham e a banda Beoga — todos artistas que abririam shows na turnê — anunciaram na terça-feira (15) que não participariam mais das apresentações. Com isso, Sheeran ficou sem ninguém pra esquentar o público antes dele entrar em cena, com datas previstas até 11 de dezembro. Era muita coisa para um comunicado no Instagram.
Os artistas não minaram palavras. Finneas escreveu: “Artistas não devem ser silenciados por se manifestar contra a opressão”. Lukas Graham foi além: “Deveríamos poder falar sobre guerra, sobre civis sendo mortos, sobre crianças que merecem crescer. Onde quer que vivam. Qualquer que seja a sua bandeira”. A banda Beoga, aproveitando suas raízes irlandesas, completou: “Somos irlandeses que entendem colonialismo. “Enquanto fundadores do movimento Artistas Irlandeses pela Palestina, atuamos como ativistas dedicados à luta por justiça”.
Boicote de celebridades e a tentativa de defesa
A treta ganhou ainda mais proporção quando o ator espanhol Javier Bardem publicou no Instagram um pedido aberto de boicote a Ed Sheeran. A cantora Pink também entrou na dança — primeiro repostou uma crítica, depois publicou um longo texto se explicando. E no X (antigo Twitter), o assunto ficou em trending, com fãs e críticos cobrando uma posição mais clara do britânico.

Ed Sheeran tentou se defender no Instagram naquela terça-feira (15), afirmando que a decisão não tinha partido dele. Segundo o cantor, foi a Messina Touring Group — a promotora responsável pela etapa dos EUA — e os próprios estádios que pediram para tirar Macklemore.
Sheeran alegou ter passado a semana toda conversando com os locais tentando “construir uma ponte”, inclusive com Robert Kraft, dono do New England Patriots e do Gillette Stadium, mas que a decisão deles foi final. “Não sou cúmplice. Tenho minhas visões pessoais sobre esse conflito devastador.
“O fato de eu optar pelo silêncio público não quer dizer que não tenho posições sobre isso”, completou na mensagem.
Macklemore tinha razão para estar ali
Tudo começou quando o rapper fez dois discursos durante os shows de abertura em Nova York. No primeiro, em 4 de setembro, simplesmente gritou “Palestina Livre”. Na segunda noite, foi mais explicativo: “A todos os meus irmãos e irmãs judeus: criticar Israel, criticar o apartheid e opor-se ao genocídio não é, de forma alguma, uma crítica a vocês”. O Conselho Israelense-Americano moveu uma petição pedindo sua exclusão da turnê, e a promotora acatou.

O próprio Macklemore, em um comunicado longo no Instagram, deixou claro que não era vítima. “Antes de começar, quero dizer algo que deveria ser óbvio. Neste momento, acho que isso importa. Eu não sou uma vítima”, escreveu. Ele estava escalado para abrir oito dos dez shows restantes da turnê americana.
Quem defendeu Sheeran?
Nem tudo foi crítica. Robert Kraft, o empresário que pediu a saída de Macklemore, defendeu a decisão ressaltando o caráter “apolítico e unificador” de Ed Sheeran. Kraft afirmou que comentários anteriores do rapper configuravam “um histórico mais amplo de retórica e imagens antissemitas que consideramos profundamente ofensivas e prejudiciais à comunidade judaica”.

Segundo o Portal LeoDias, a decisão de Kraft se baseou também no “histórico” de Macklemore, não apenas no discurso daquele dia.
O contexto por trás da fala de Macklemore
É importante destacar que uma comissão de investigação da ONU denunciou em junho que Israel atacou crianças de forma intencional na Faixa de Gaza. Segundo a comissão, tais práticas configuram genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra. De acordo com o relatório, aproximadamente 30% das 73 mil mortes registradas no conflito de Gaza eram de crianças — ultrapassando 20 mil vidas.
Brasil está de olho
Ed Sheeran tem shows marcados em São Paulo para 5 e 6 de dezembro no Allianz Parque (também referido como Nubank Parque). Finneas havia sido anunciado como ato de abertura para ambas as datas, mas agora ninguém sabe quem ocupará esse lugar. O carinho de Sheeran pelo Brasil é conhecido — ele até ganhou uma blusa estampada com o apelido “Edinho” e a data do primeiro show, conforme informou o Portal LeoDias.
Quem pediu a saída de Macklemore
O Conselho Israelense-Americano foi rápido. Após os discursos, moveu uma petição pedindo a exclusão do rapper da turnê. Mas a pressão não veio só deles — os próprios estádios que sediariam os shows em Boston, Atlanta, Charlotte, Indianápolis, Dallas e Tampa também se opuseram ao seu retorno, segundo informações do G1. Com essa rejeição em massa, a Messina Touring Group confirmou que Macklemore não faria os oito shows restantes da turnê americana.
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