
Aos 76 anos, Faustão abriu o coração — literalmente e figurativamente — ao participar do programa Conversa com Bial, exibido pela Globo na madrugada de quarta-feira (16 de setembro). O apresentador relembrou um dos períodos mais críticos de sua vida: quando esteve à beira da morte, enfrentando uma sequência de transplantes que mudaria para sempre a forma como ele enxergava a existência.
A frase que resume o desespero: “Eu estava no bico do corvo”
Durante a conversa com Pedro Bial, Faustão não deixou dúvidas sobre a gravidade de sua condição. Ele usou uma expressão que explica tudo: “Eu já estava no bico do corvo”. Traduzindo: ele estava à morte, pendendo por um fio.
Homem que sempre foi impaciente, acostumado a mandar em tudo e questionar tudo, Faustão teve que aprender a lição mais dura da vida. “Eu, que não tinha paciência para nada, fui doutrinado, ou melhor, adestrado, para ter paciência e resiliência. Foram quatro transplantes”, contou ele, com a precisão de quem viveu cada segundo desse calvário.
Confiar nos médicos virou a questão de vida ou morte
Quando você está à beira do abismo, não há espaço para bravata. Faustão entendeu isso na marra. Ele decidiu deixar todas as decisões nas mãos dos especialistas — uma atitude completamente oposta àquela que o caracterizava.
“Graças a Deus, confiei nos médicos certos e também na minha mulher, que me fez mudar bastante ao longo da vida. Não é a minha praia. Por que tenho que ficar dando palpite e querendo saber de tudo? Não sou formado em medicina pela internet”, declarou o apresentador.
Entre os profissionais que o salvaram está Fernando Bacal, vice-presidente do Hospital Israelita Albert Einstein e especialista em transplantes. Faustão creditou aos médicos uma parte essencial de sua recuperação — aquela que significa estar aqui, vivo, contando tudo isso.
A jornada do corpo: de Las Vegas até a internação que mudou tudo
O que levou Faustão a perceber que algo estava errado? Uma viagem com o filho Rodrigo a Las Vegas. Enquanto Luciana — sua esposa, atleta — e Rodrigo caminhavam tranquilamente pelos hotéis, Faustão levava três dias para fazer o mesmo percurso. “Foi aí que percebi como eu estava”, disse ele, com uma honestidade tocante.
De volta ao Brasil, ele brincou com o cardiologista Fernando Bacal sobre fazer um churrasco no fim de semana. A resposta do médico foi cirúrgica: “Não vai, não. Você vem aqui porque precisa fazer alguns exames”. Faustão foi e não saiu tão cedo. Ficou internado, aguardando um coração compatível.
Quatro transplantes em dois anos: a cronologia do milagre
A trajetória médica de Faustão é de tirar o fôlego. Em agosto de 2023, ele recebeu um novo coração após enfrentar insuficiência cardíaca. Meses depois, em fevereiro de 2024, passou por um transplante renal, porque uma doença renal crônica havia se agravado.
Mas a prova de fogo veio em agosto de 2025. Após ficar internado desde maio tratando uma infecção bacteriana aguda acompanhada de sepse, Faustão passou por dois novos procedimentos no mesmo período: recebeu um fígado e foi submetido a um retransplante de rim. Tudo em um intervalo de apenas dois anos.
Reconstruindo a vida, passo a passo
Depois de longos períodos no hospital, Faustão precisou reconstruir sua rotina do zero. Hoje, segundo ele, a vida é estruturada em atividades que promovem recuperação: tai chi chuan, musculação e fisioterapia.
“A rotina agora está muito boa. Faço tai chi chuan, musculação e fisioterapia. Fiquei muito tempo no hospital. Aí, você fica com dor nas costas e sai cheio de problemas. Mas não tive nenhum problema com os transplantes”, afirmou o apresentador, com a satisfação de quem superou o impossível.
A redefinição do que é realmente importante
Quando você passa por uma encruzilhada como essa, as prioridades mudam. Para Faustão, a descoberta foi simples mas profunda: “O grande segredo da vida é construir um patrimônio. E patrimônio é família. É quando você deixa um legado”.
Longe dos estúdios após décadas na televisão, ele não sentiu dificuldade em se adaptar à nova realidade. Esse período coincidiu justamente com as internações — e com uma presença muito maior ao lado dos filhos e de Luciana, sua esposa.
Faustão destacou o papel absolutamente crucial de Luciana, que conseguiu unir seus filhos João Guilherme e Rodrigo com Lara, sua filha mais velha, de forma como nunca havia acontecido. “Tenho uma mulher que realmente é absurda, inteligente e participativa em todos os sentidos.”
64 anos de trabalho: quando é hora de descansar
Depois de 64 anos de atividade profissional ininterrupta, Faustão chegou a uma conclusão que parecia inconcebível para alguém como ele: é melhor parar. “No dia em que eu parar, vou parar mesmo. É melhor deixar um pouco de saudade para meia dúzia e alívio para muita gente.”
A experiência de semanas no hospital — quando “passaram várias séries, não filmes, pela sua cabeça” — o fez refletir profundamente. “Trabalhei durante 64 anos e acho que fiz o que pude.”
O segredo de vencer a doença com altivez
Quando perguntado sobre como enfrentou tudo isso, Faustão deixou uma mensagem poderosa: “Você tem que enfrentar a doença com altivez. É isso que move você a dar uma virada. Sem dúvida alguma, esse é o grande segredo da vida.”
Agora, seus planos são simples: curtir a vida, viajar o máximo que puder e estar perto das pessoas que ama. “Quero curtir a vida, viajar o máximo que puder e aproveitar principalmente a convivência com a mulher e os filhos.”
Aquele homem que estava “no bico do corvo” conseguiu voar de novo — e dessa vez, com a sabedoria de quem realmente conhece o valor de estar vivo.
Fonte: Portal Leo Dias
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