Tom Cavalcante fala sobre a carreira: “modo de sobrevivência”

Tom Cavalcante diz que o humor foi 'modo de sobrevivência'

Foto: Guioliveiran / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Tom Cavalcante não nasceu querendo fazer os outros rirem só por diversão. Segundo revelou em entrevista ao programa “João Visita”, da LeoDias TV, nesta quinta-feira (16/10), o humor virou para ele um “modo de sobrevivência” — e a história por trás disso é bem mais profunda do que parece.

Quando tudo começou em casa

Tom relembrou que tudo começou cedo, aos 14 anos de idade, ainda no Ceará. Mas não foi por acaso: a família dele era cheia de artistas que viviam fazendo graça um com o outro. “Eu acho que tudo começa em uma relação muito intensa com os familiares e uma família com artistas exponenciais, cada um com seu jeito de fazer graça”, declarou ele.

Tom Cavalcante: Edifício colonial de dois andares em Fortaleza, Ceará, com fachada azul e branca
Edifício colonial de dois andares em Fortaleza, Ceará, com fachada azul e branca. Foto: Ridiculopathy / Wikimedia Commons (CC0)

Os avós dele viraram lenda nesse aprendizado. Tom contou uma história que seus avós protagonizaram que é praticamente uma aula de humor involuntário: o avô estava em seu leito de morte, olhando pro mar da praia onde moravam. Aí a avó solta: “traz uma vela”. E o avó responde, sem pestanejar: “não precisa, eu vou a remo”. Ele riu ao relembrar a cena — e logo depois vinha o baque emocional.

O ponto de virada que mudou tudo

Porque depois desse período delicioso de aprender humor observando a família, veio “um fato curioso e triste”: a morte de sua mãe. E foi aí que Tom entendeu algo fundamental sobre si mesmo.

“Se eu ficasse triste, como já estava, iria morrer. Como modo de sobrevivência eu entendi que teria que fazer graça”, desabafou o apresentador. Ou seja: o humor deixou de ser só uma coisa legal que a família fazia. Virou a maneira que ele encontrou para lidar com a dor e seguir vivendo.

Do rádio à televisão

Antes de virar a cara conhecida da TV brasileira, Tom passou por caminhos mais modestos — foi animador de shows e locutor em rádios. Mas aquele jeito de fazer graça como ferramenta de vida já estava ali, plantado desde a adolescência, transformando dor em leveza.

Os passos da carreira após entender o humor como ferramenta

Depois de perceber que o humor era sua forma de lidar com a vida, Tom seguiu por caminhos que transformaram essa descoberta em profissão. Aquele jeito que aprendera em casa, rodeado de avós e familiares artistas, virou agora sua ferramenta de trabalho.

Microfone condensador AKG C214 com suporte anti-vibração em fundo branco
Microfone condensador AKG C214 com suporte anti-vibração em fundo branco. Foto: Lucasbosch / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Depois veio a Rádio Verdes Mares, onde trabalhou como radialista e apresentou o programa humorístico Ligação Direta durante cinco anos. Essa trajetória mostra que Tom levou a sério aquilo que aprendera com a família: o humor como instrumento de vida. Nas eleições de 1986, Tom Cavalcante atuou aquecendo comícios políticos com números de imitação, conquistando maior visibilidade.

Do Ceará para o Brasil inteiro

A mudança para o Rio de Janeiro em 1982 marcou um ponto de virada. Tom tentou entrar em um programa humorístico da Globo, mas foi recusado. Dois anos depois, em 1984, participou do Show de Calouros no SBT, mas também não foi selecionado pela produção para se apresentar no palco. Porém, continuou na luta — e em 1989 conheceu Chico Anysio, quem o convidou para o Chico Anysio Show, segundo a Wikipédia.

Tom Cavalcante: Chico Anysio em evento com grupo de pessoas em ambiente fechado, conversando
Chico Anysio em evento com grupo de pessoas em ambiente fechado, conversando. Foto: Ricardo Pipo / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

Dali em diante, veio o personagem que o marcou: o bêbado João Canabrava na Escolinha do Professor Raimundo, e depois o porteiro Ribamar em Sai de Baixo. Tom já não era mais o garoto que usava o humor para sobreviver — era alguém que a televisão brasileira queria conhecer. Em 1998, substituiu Xuxa por um dia durante sua licença-maternidade no Planeta Xuxa, onde apresentou seus vários personagens e imitações.

Programas solo e consolidação na TV

Nos anos 2000, Tom ganhou seus próprios programas. Primeiro veio o Megatom na TV Globo em 2000, que saiu do ar em maio de 2001. Depois o Show do Tom na Record, e mais tarde o Multi Tom no Multishow, consolidando a carreira que começara como ferramenta de sobrevivência. Em 2009, também estrelou a sitcom Louca Família por duas temporadas. Atualmente, apresenta o programa Acerte ou Caia! na Record, segundo a Wikipédia, após retornar à emissora no final de 2023, depois de 12 anos ausente.

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2 respostas a “Tom Cavalcante fala sobre a carreira: “modo de sobrevivência””

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