Foto: Jakub Hałun / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)
Quatro gigantes das telecomunicações europeias resolveram se unir para disputar o mercado de conexão via satélite direto nos celulares. Conforme o Canal Tech, Telefónica, Deutsche Telekom, Orange e Vodafone firmaram uma carta de intenções para apresentar uma proposta em conjunto no próximo processo de licitação europeu de frequências destinadas a serviços móveis via satélite.
Neste artigo
A estratégia é clara: montar uma alternativa europeia capaz de competir diretamente com a Starlink, da SpaceX, oferecendo cobertura em regiões com pouco acesso às redes móveis tradicionais.
Divisão de responsabilidades no projeto
A aliança segue um modelo inteligente de divisão de tarefas. As quatro operadoras ficarão responsáveis pela infraestrutura terrestre — sistemas de coordenação e monitoramento —, enquanto a rede de satélites será fornecida por um parceiro ainda a ser escolhido. Assim, elas participam do desenvolvimento sem precisar investir diretamente na construção de uma constelação inteira de satélites.
A iniciativa busca disponibilizar a tecnologia D2D (direct to device), o mesmo sistema que a Starlink emprega: ligar aparelhos celulares diretamente aos satélites, reduzindo a dependência de infraestrutura tradicional de antenas no solo.
Os objetivos reais por trás da união
De acordo com as operadoras, a parceria busca suprir a necessidade de conectividade em regiões com pouca cobertura, fortalecer a estabilidade das redes públicas e garantir a segurança de comunicações essenciais. O movimento também se alinha com os objetivos da Comissão Europeia de reforçar a independência europeia em tecnologias do espaço e infraestrutura de telecomunicações.
Não é à toa: em maio, a União Europeia lançou uma proposta destinada a reservar parte do espectro de 2 GHz para empresas europeias que desejassem oferecer serviços de telefonia móvel via satélite. O objetivo é abrir espaço para iniciativas europeias e fortalecer o controle regional sobre infraestruturas consideradas estratégicas.
Starlink não gostou e criticou a proposta
A reserva de frequências para empresas europeias gerou críticas diretas da Starlink. Como parte do espectro seria destinada a concorrentes locais, sobraria menos espaço para a SpaceX disputar na região — e isso claramente não agradou.
Agora o leilão será decisivo para definir como essa divisão de frequências vai acontecer e quais empresas poderão operar os serviços na Europa.
Tendência global de alianças no setor
A Europa não está sozinha nessa estratégia. Grandes operadoras americanas como AT&T, T-Mobile e Verizon já firmaram parcerias para melhorar o sinal em regiões rurais e locais com deficiência de cobertura, sinalizando que as empresas de telecomunicações tradicionais globalmente estão acordando para a concorrência dos serviços via satélite.
Na Europa, porém, essa aliança ainda depende de dois passos importantes: a definição de um parceiro para fornecer a rede espacial e o avanço das negociações sobre o espectro de frequências no leilão europeu.
A tecnologia por trás da disputa
A Starlink, subsidiária de telecomunicações da SpaceX, já opera em cerca de 160 países e territórios segundo a Wikipédia. Em junho de 2026, a constelação tinha cerca de 10.413 satélites em órbita terrestre baixa, dos quais 10.397 estavam operacionais, conectando mais de 12 milhões de assinantes.

Por que a Europa tem pressa
Essa rede de satélites representa aproximadamente 75% de todos os satélites em funcionamento e capazes de manobra que orbitam o planeta.

O histórico das alianças em órbita
Constelações de satélites em órbita terrestre baixa não são novidade. Segundo a Wikipédia, empresas como Iridium, Globalstar e Teledesic exploraram essa tecnologia desde a década de 1990, mas entraram em falência ou encerraram operações devido a dificuldades de financiamento. A SpaceX começou a lançar satélites Starlink apenas em 2019, após estimar um custo de pelo menos US$ 10 bilhões para projetar, construir e implantar a constelação.

Perguntas e respostas sobre Starlink
Por que as operadoras europeias criaram uma aliança contra a Starlink?
O objetivo é competir com a Starlink oferecendo serviço de conexão direta entre satélites e celulares na Europa. A Starlink domina 75% de todos os satélites ativos em órbita e opera em 160 países, enquanto as operadoras europeias — Telefónica, Deutsche Telekom, Orange e Vodafone — buscam desenvolver uma alternativa local que cumpra as metas de autonomia tecnológica da Comissão Europeia.
Como a Starlink ganha dinheiro atualmente?
A Starlink oferece acesso à Internet de banda larga, serviços de comunicação móvel e conexão em voo para companhias aéreas, além de prestar serviços governamentais e militares. Em 2025, a empresa gerou receita de US$ 11,4 bilhões, tornando-se o maior segmento de negócios da SpaceX, com lucro operacional de US$ 4,4 bilhões.
Qual é a tecnologia que a Starlink usa para conectar celulares?
A Starlink opera com a tecnologia direct to device (D2D), que viabiliza conectar aparelhos celulares direto aos satélites sem necessariamente contar com as antenas terrestres tradicionais. A constelação da Starlink conta com 10.397 satélites operacionais em órbita terrestre baixa que se comunicam com terminais de usuário e estações terrestres, servindo mais de 12 milhões de assinantes.
Como a disputa entre a Starlink e as operadoras europeias vai ser decidida?
O próximo leilão europeu de frequências para serviços móveis por satélite será decisivo. A União Europeia propôs reservar parte da faixa de 2 GHz para empresas europeias, reduzindo o espaço disponível para concorrentes de outras regiões como a Starlink. A escolha de um parceiro para fornecer a rede de satélites das operadoras europeias também será crucial para viabilizar a iniciativa.
O que você acha dessa estratégia das operadoras europeias — conseguem realmente fazer frente à Starlink, ou a SpaceX tem vantagem demais construída?
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