Foto: 多多123 / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)
Durante a perda de peso, o corpo nem sempre cede medidas de forma uniforme. Enquanto algumas regiões emagrecem rapidinho, outras parecem teimosas e resistem. Surge então uma questão importante: aquele volume que persiste nas pernas, coxas ou braços é apenas gordura acumulada — ou pode ser lipedema, uma condição bem diferente?
A distinção não é apenas curiosidade. De acordo com a pesquisa Vigitel Brasil 2006–2024, divulgada pelo Ministério da Saúde em 2026, a porcentagem de mulheres com sobrepeso nas capitais brasileiras e no Distrito Federal subiu de 38,5% para 60,6%. Entre elas, a obesidade avançou de 12,1% para 26,7%. E o lipedema afeta principalmente esse público feminino — muitas vezes sem ser identificado.
O que é cada uma?
Segundo o Dr. Edson Ramuth, médico e fundador do Emagrecentro, pontua que a gordura localizada se caracteriza por um acúmulo concentrado em regiões como abdômen, flancos, quadris e coxas. O lipedema, por sua vez, é uma condição crônica marcada pelo aumento desproporcionado de gordura, tipicamente nas pernas e, às vezes, também nos braços. Além disso, quem tem lipedema frequentemente sente dor, sensibilidade, inchaço e desenvolve hematomas com facilidade.
Ramuth observa que lipedema e excesso de peso podem ocorrer simultaneamente. Conforme explicou o especialista ao Saúde em Dia, examinar como a gordura se distribui, identificar os sintomas e avaliar como o corpo responde ao emagrecimento são passos importantes para reconhecer quando é preciso de uma avaliação mais aprofundada.
Diferença 1: como a gordura se distribui
A gordura localizada pode aparecer no abdômen, flancos, coxas ou outras partes do corpo, sem necessariamente seguir a mesma proporção nos dois lados. Já no lipedema, o volume tende a aumentar de forma simétrica — ou seja, as duas pernas (ou os dois braços) crescem proporcionalmente. Pés e mãos costumam ser preservados, o que pode formar uma espécie de “degrau” visível na altura dos tornozelos ou punhos.
“Quando o tronco perde medidas, mas as extremidades continuam proporcionalmente maiores e com uma distribuição parecida, é importante verificar se existem outras manifestações”, esclarece Ramuth.
Diferença 2: dor e sensibilidade ao toque
A gordura localizada, isoladamente, não causa dor quando pressionada. O lipedema, porém, é diferente: pode provocar incômodo espontâneo, sensibilidade exagerada ao toque e sensação constante de peso nas regiões afetadas.
Mesmo durante o emagrecimento, quando o corpo reduz massa corporal e alivia a sobrecarga nas articulações, essas queixas podem persistir. Segundo o médico, caso haja desconforto ao tocar ou pressionar a região, ou se as pernas continuarem pesadas e doloridas mesmo durante a perda de peso, não se deve atribuir o incômodo apenas à dificuldade em emagrecer.
Diferença 3: hematomas roxos e inchaço frequente
Roxos frequentes e inchaço não são manifestações que se espera encontrar apenas pela acumulação de gordura. No lipedema, os hematomas podem surgir após pequenos impactos — ou até mesmo sem uma causa aparente. O inchaço também tende a se intensificar ao longo do dia, especialmente após períodos prolongados em pé.
É importante mencionar esses sintomas ao médico na consulta, já que podem estar associados a outras condições também. Ramuth recomenda que o histórico médico do paciente e o exame clínico sejam analisados com cuidado, já que são essenciais para identificar a causa das queixas.
Diferença 4: como o corpo responde ao emagrecimento
A gordura relacionada ao excesso de peso tende a diminuir conforme a massa corporal reduz, embora determinadas áreas possam responder mais lentamente que outras. No lipedema, também pode haver perda de volume. Porém, a evolução varia bastante — a desproporção entre o tronco e as extremidades pode continuar perceptível mesmo depois de semanas de dedicação.
“O número mostrado na balança não confirma nem descarta o diagnóstico. O especialista destaca que é fundamental avaliar o padrão corporal, os sintomas apresentados e as mudanças nas medidas ao longo do acompanhamento.
Emagrecer não é tudo — mas ajuda
O Dr. Ramuth reforça um ponto fundamental: emagrecer não resolve o lipedema. Porém, a perda de peso traz benefícios reais quando a pessoa também apresenta sobrepeso ou obesidade. Quando a gordura corporal diminui, o corpo funciona melhor no aspecto metabólico, as articulações sofrem menos pressão e fica mais fácil se movimentar — o que resulta em mais qualidade de vida e autonomia nas atividades cotidianas.
Se a desproporcionalidade persistir acompanhada de dor, sensibilidade, roxos na pele ou inchaço durante o emagrecimento, o ideal é consultar um médico — de preferência um angiologista ou cirurgião vascular — para confirmar o diagnóstico e indicar o tratamento apropriado.
Você já sentiu essa dificuldade em emagrecer determinadas regiões do corpo? Conhece alguém que suspeita ter lipedema?
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