Playlist de treino diminui o cansaço percebido, mas não muda o resultado

Playlist de treino diminui o cansaço percebido, mas não muda o resultado

Foto: Eugenio Hansen, OFS / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Playlist de treino pode fazer o exercício parecer mais fácil, e a explicação passa pelo cérebro. Segundo o g1, um estudo de 2009, do pesquisador Costas I. Karageorghis, mostrou que a trilha certa pode ajudar o tempo a passar mais rápido, dar ritmo ao atleta, reduzir a sensação de cansaço e melhorar o humor.

Mas qual seria a música certa? Será que todas as faixas de uma mesma lista têm o mesmo efeito em qualquer pessoa e em qualquer atividade? A resposta, como você já deve imaginar, depende de vários fatores.

O BPM entra na conta

Para Karageorghis, um dos pontos decisivos é o BPM, a quantidade de batidas por minuto. Cada zona de esforço cardíaco tem um número ideal de batidas, e quanto mais intenso o exercício, mais rápida deve ser a música. Na prática, o ritmo da pessoa e o da canção passam a combinar.

Metrônomo mecânico preto com escala de andamento e pêndulo dourado, sobre fundo claro
Metrônomo mecânico preto com escala de andamento e pêndulo dourado, sobre fundo claro. Foto: Vincent Quach (Invincible) / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Sérgio Gregorio da Silva, professor e diretor do Centro de Educação Física e Desportos da UFPR, menciona uma pesquisa que ele realizou junto com outros especialistas sobre a ginástica aeróbica. Segundo a pesquisa, o andamento da música pode influenciar a frequência cardíaca quando orienta o ritmo dos movimentos. Ele mesmo lembra que não existe um BPM ideal para todo mundo.

Para ilustrar, o g1 separou exemplos de faixas com números de BPM que atendem a essa orientação. Entram na lista “Don’t Start Now”, de Dua Lipa (124 BPM), e “Poker Face”, de Lady Gaga (119 BPM).

Já “Blinding Lights”, do The Weeknd (171 BPM), e “Já faz tanto tempo”, de Lulu Santos com Fresno (180 BPM), aparecem entre as mais aceleradas. Também aparecem “I wanna be sedated”, dos Ramones (163 BPM), e “Dog days are over”, do Florence + The Machine (150).

Para quem busca letras de ação, a reportagem cita “Born to Run”, de Bruce Springsteen, e “Run the World”, de Beyoncé.

A música não elimina o cansaço

Sérgio Gregorio da Silva afirma que a música pode dar ânimo, deixar o exercício mais agradável e ajudar a manter o ritmo. Só que esquecer o fone não significa perder o treino. Nas pesquisas dele, a música mudou tanto o jeito como a pessoa se sentia quanto o ritmo escolhido para se exercitar.

Por sua vez, a musicoterapeuta Cléo Monteiro França Correia, que colabora com o Departamento de Neurologia e Neurocirurgia da Escola Paulista de Medicina da Unifesp, afirma que a explicação está no cérebro. Segundo ela, a música promove neuroplasticidade e ativa redes cerebrais sensoriomotoras. Na prática, a atenção vai para o som, e o desconforto físico parece menor.

Os dois especialistas concordam em um ponto: a música altera a percepção de esforço, fazendo o treino parecer mais leve, mas não muda de fato a intensidade nem o resultado. A fadiga continua lá, só que o cérebro presta atenção em outra coisa. Por isso, a trilha funciona mais como aliada do que como atalho.

Quem decide é o gosto pessoal

Uma pesquisa recente da Maximum Boxing mostrou que o pop é o estilo preferido dos brasileiros na hora do treino, com 56,2% das respostas. Em seguida aparecem a música eletrônica (42%), o rock/metal (35%) e o sertanejo (31,2%). O levantamento não fala em BPM. Alok, Anitta e Henrique e Juliano foram os três artistas mais citados como indispensáveis na playlist.

O produtor e compositor Hitmaker, que comanda o projeto Hitdance, voltado para treinos em academias, vai além da matemática. Para ele, o que faz uma boa música de treino é a energia que ela passa, e isso vem da letra, dos instrumentos e da variação rítmica. “Independentemente do BPM”, diz ele, o que importa é o que a faixa provoca em quem ouve.

Como montar a sequência do treino

Hitmaker compara a playlist de treino com o próprio show. Nas apresentações, ele começa animado, dá uma pausa para o público cantar quando todos já estão cansados de pular e termina novamente animado. No treino, a lógica é parecida: começar com faixas mais calmas, para acompanhar o aquecimento, e acelerar no meio, com músicas de alta energia, até encontrar o ritmo certo.

O produtor também tem um caso engraçado. Uma vez, ele resolveu malhar com músicas da Alcione como parte de uma pesquisa sobre música e acabou se comovendo no meio do treino de musculação. “O clima da playlist importa”, resume ele, ao explicar que, em dias de pouca vontade, evita faixas que trazem problemas e prefere algo que dê disposição logo de cara.

No fim das contas, seja pelo encaixe do BPM com a esteira, seja pela carga emocional de uma música, a trilha ajuda a afastar o tédio e a manter a conexão com o próprio corpo. E você, costuma treinar com fone ou prefere a música da academia? Conta aí qual faixa não pode faltar na sua playlist.

Tabelas de BPM são um guia, não uma regra

De acordo com o g1, quadros comparativos auxiliam a relacionar os batimentos cardíacos com o BPM das faixas. Mesmo assim, os profissionais ouvidos pela reportagem concordam que a preferência pessoal e o fator emocional pesam mais.

playlist de treino: Relógio esportivo Polar AC3 GPS no pulso, com tela mostrando frequência cardíaca e ritmo
Relógio esportivo Polar AC3 GPS no pulso, com tela mostrando frequência cardíaca e ritmo. Foto: Tristan Haskins / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Quando a vontade de treinar some

O produtor Hitmaker conta que, em uma segunda-feira sem vontade de treinar, não quer lembrar de problemas nem da ex. Segundo o g1, ele usa uma frase para resumir a escolha: “Eu quero, assim: vamos viver, favela chegou. Acorda, dá três tapas na cara e vamos para o treino.”

Dois tênis de corrida roxos com detalhes em amarelo-neon, verde-água e coral, vistos de lado e de cima
Dois tênis de corrida roxos com detalhes em amarelo-neon, verde-água e coral, vistos de lado e de cima. Foto: Tiia Monto / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Playlist de treino: o que a ciência e a prática dizem

A musicoterapeuta Cléo Monteiro França Correia atua no Setor de Neurologia do Comportamento e colabora com o Departamento de Neurologia e Neurocirurgia da EPM/Unifesp. Segundo ela, a música promove neuroplasticidade e ativa redes cerebrais sensoriomotoras.

Hitmaker, que se apresentou na festa BeboDireito, em Vitória, no Espírito Santo, diz que a energia de uma faixa vem da letra, dos instrumentos e da variação rítmica. Para ele, o que importa é o que a música provoca em quem ouve.

Para quem treina, a orientação dos especialistas ouvidos pelo g1 é simples. A música pode dar ânimo, tornar o exercício mais agradável e ajudar a manter o ritmo, mas não elimina a fadiga física. Quem esquece o fone não perde o treino, segundo o professor Sérgio Gregorio da Silva.

A pesquisa da Maximum Boxing citada pelo g1 aponta o pop como estilo favorito dos brasileiros na hora do treino, com 56,2% das respostas. Ela não faz nenhuma referência a BPM, o que reforça o peso do gosto pessoal na escolha da playlist de treino.

Com informações de g1.globo.com.

Leia também

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *