Foto: Okras / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
Marjorie Estiano e Any Gabrielly acabam de mergulhar fundo numa trama que mexe com a gente de um jeito que poucos dramas conseguem: “Habeas Corpus”, o primeiro drama jurídico brasileiro da Netflix, entra de cabeça nas falhas do sistema de Justiça brasileiro — e as atrizes não saíram ilesas dessa experiência.
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Na série, Marjorie vive Inez Franco, uma professora e advogada criminalista que apela para o lado emocional e a capacidade de distorcer narrativas durante os julgamentos. Do outro lado, Any Gabrielly é Marina, uma aluna bolsista brilhante que se envolve num caso de revisão criminal — e, spoiler: ela tem motivações bem mais profundas do que apenas interesse acadêmico. Segundo o G1, a produção se inspira em casos reais da ONG Innocence Project Brasil, que trabalha revisando processos com condenações injustas.
Quando a ficção força você a encarar a realidade
O que transformou a preparação das atrizes numa verdadeira lição de humildade foi o acesso real ao sistema. Marjorie visitou fóruns, conversou com advogados e pesquisou casos verídicos — e saiu de lá com uma compreensão muito mais profunda sobre como a Justiça afeta especialmente quem não tem recursos.
A atriz mencionou que adquiriu muitos aprendizados em diferentes áreas, mas o mais importante foi compreender o impacto da justiça sobre uma população vulnerável. O que fica evidente é o quanto um Estado forte faz diferença para garantir a cidadania, e o estrago que deixa quando não consegue cumprir esse papel. O abandono do Estado fica muito gritante”, revelou Marjorie em conversa com o veículo.
Any começou pensando que já sabia tudo sobre falhas judiciais. Enganou-se. A atriz revelou que, inicialmente, acreditava compreender o significado do tema, mas só ao mergulhar nos estudos, explorar fóruns e conversar com advogados percebeu sua falta de conhecimento. Ela decidiu pesquisar histórias de pessoas que enfrentaram situações semelhantes às retratadas na série. Essas falhas são muito desumanas e cruéis. Pode destruir uma vida inteira”.
O instrumento jurídico que move a história
Apesar do nome, o que realmente conduz a trama é a revisão criminal — não o habeas corpus. Enquanto o habeas corpus (previsto na Constituição) protege quem sofre restrição ilegal de liberdade, a revisão criminal permite questionar uma condenação definitiva quando surgem novas provas de inocência.

É esse mecanismo que coloca Inez e seus alunos em movimento, analisando o processo de Jonathan, um jovem de apenas 19 anos condenado injustamente a 47 anos de prisão por homicídio. A missão: encontrar elementos que façam a sentença desabar.
Marjorie muda de ideia sobre sua personagem
Interessante notar que Marjorie, na vida real, pensa o oposto de sua personagem. Se Inez manipula emoções em prol de sua vaidade e ego, a atriz acredita que o sistema precisa ser revisado com mais ética. Seu arco na série é justamente esse: começar superficial e evoluir para questionar seu papel.
Ela observou que a justiça estava um pouco mais voltada para o ego e a vaidade dela. Ela explicou que, por meio desses equívocos, a personagem começa a questionar a si mesma e ressignificar sua trajetória, e o arco narrativo consiste justamente em revisar seu papel dentro daquele sistema.
Any, por sua vez, espera que o público saia de “Habeas Corpus” questionando suas próprias certezas sobre crime, punição e Justiça. A série, nesse sentido, funciona como um espelho incômodo.
Uma escola ao vivo ao lado de veteranos
Para Any, estar em cena com nomes como Marisa Orth, Vladimir Brichta e outros veteranos foi tão marcante quanto absorver as lições sobre o sistema jurídico. A atriz, que começou a ganhar papéis de destaque nos últimos 5 anos, não escondeu o nervosismo de trabalhar ao lado de ídolos.

“É muito gratificante, dá um nervoso também, porque você sente uma responsabilidade. Any reconheceu que está junto com essas pessoas, mas trata-se de “um processo de aprendizado sem tamanho”.
Um momento que marcou particularmente foi quando as gravações de tribunal aconteceram durante o Carnaval — textos longos, sequências de julgamento, tensão no ar. “Era tão lindo ver esses veteranos trabalhando. Ver Marisa Orth e Marjorie num grande embate ali… Eu fiquei muda e absorvendo o que era aquilo. Ver o Vladimir Brichta fazendo as coisas, o trabalho, tudo era uma escola. Ela refletiu que gostaria de poder guardar aquela experiência e carregá-la consigo para sempre.
São Paulo como personagem silenciosa
Segundo informações do Portal LeoDias, a série tem forte pegada de São Paulo. Parte das gravações aconteceu na Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco, com cenas acadêmicas e de tribunal. A Sala São Paulo e o Instituto de Biologia também viraram cenário.
Uma casa projetada pelo renomado arquiteto Paulo Mendes da Rocha, no Butantã, foi transformada na residência do personagem Murilo (Vladimir Brichta) — transformando a arquitetura paulistana em personagem quase invisível, mas fundamental.
O drama que esconde segredos além da revisão criminal
Por trás da trama de revisão criminal, a série traz um plot twist importante: a personagem de Any guarda um trauma profundo e busca reparação por uma injustiça antiga. Segundo o Portal LeoDias, essa motivação vai muito além do interesse acadêmico e adiciona camadas de complexidade ao envolvimento de Marina no caso de Jonathan.
Trabalhar com veteranos e absorver experiência
Para Any, estar em cena com nomes como Marisa Orth, Vladimir Brichta e Danton Mello foi tão marcante quanto aprender sobre o sistema jurídico. A atriz admitiu que sente gratificação ao atuar, embora experimente também nervosismo, dada a responsabilidade envolvida. Você se aproxima daquelas pessoas, mas é uma jornada de aprendizado que não tem fim.
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