Ed Sheeran no olho do furacão: expulsão de rapper pró-Palestina virou a maior polêmica da turnê

Ed Sheeran no olho do furacão: expulsão de rapper pró-Palestina virou a maior polêmica da turnê
Ed Sheeran no olho do furacão: expulsão de rapper pró-Palestina virou a maior polêmica da turnê
Foto: Parism550 / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Tudo desabou para Ed Sheeran quando Macklemore gritou “Free Palestine” no palco do MetLife Stadium, em Nova Jersey, no dia 4 de setembro. O rapper estava ali pra abrir os shows da turnê “Loop” do cantor britânico — mas aquele discurso pró-Palestina mudou tudo. A promotora Messina Touring Group o tirou das apresentações seguintes, e o que aconteceu depois foi pura bagunça: artistas saindo, celebridades atacando, fãs inflamados. Ed Sheeran virou sinônimo de censura da noite pro dia.

Como tudo começou: o grito que ecoou nos estádios

Macklemore não apenas mencionou Palestina — ele usou o palco pra gritar “Palestina Livre” e disse que queria que as pessoas em Gaza e na Cisjordânia soubessem que não haviam sido esquecidas. Simples assim, mas suficiente pra acender o pavio.

A Organização Israelense-Americana rapidinho começou uma petição pedindo a expulsão do rapper. E não demorou: a Messina Touring Group informou que Macklemore não faria os oito shows restantes que tinha escalado pela turnê norte-americana. Fim de papo.

Ed Sheeran tenta se blindar: “não sou cúmplice”

O cantor britânico logo publicou um comunicado afirmando que a decisão vinha da promotora, não dele. “Não sou cúmplice. Tenho minhas visões pessoais sobre esse conflito devastador. Só porque eu escolho não falar publicamente, não significa que eu não as tenho, e não significa que eu não me importe”, escreveu nas redes.

Também divulgou que as visões sobre o conflito eram pessoais, mas que ele preferia manter silêncio público — uma tentativa de se afastar da polêmica sem parecer insensível.

O dominó começou: artistas abandonam a turnê em massa

Macklemore não ficou calado. “Antes de começar, quero dizer algo que deveria ser óbvio. Neste momento, acho que isso importa. Eu não sou uma vítima”, publicou no Instagram num comunicado longo explicando sua saída.

Mas aí a coisa escalou de um jeito que Ed Sheeran não esperava. Na terça-feira (15), Finneas, Aaron Rowe, Lukas Graham e a banda Beoga — praticamente toda a abertura da turnê — anunciaram que não iam mais abrir os shows. Poof. Ed Sheeran perdeu todos os artistas de abertura de uma vez.

Finneas, que abriria os shows em São Paulo nos dias 5 e 6 de dezembro, foi direto: “Artistas não devem ser silenciados por se manifestar contra a opressão”. Lukas Graham foi na mesma linha: “Deveríamos poder falar sobre guerra, sobre civis sendo mortos, sobre crianças que merecem crescer. Onde quer que vivam. Qualquer que seja a sua bandeira”.

A banda irlandesa Beoga foi ainda mais contundente, explicando seu histórico: “Somos irlandeses que entendem colonialismo. Como membros fundadores do movimento Artistas Irlandeses pela Palestina, somos ativistas com compromisso pela justiça e continuaremos a ser”.

Celebridades detonam Ed Sheeran na internet

Do lado de fora, a pressão aumentava. Javier Bardem, o ator espanhol, usou o Instagram pra convocar abertamente um boicote a Ed Sheeran. Ele criticou a justificativa do cantor e da produtora de manter a turnê como um espaço “estritamente neutro e despolitizado”.

Pink também entrou na onda, mas de forma confusa. Primeiro repostou uma mensagem criticando Macklemore, depois publicou um texto longo recuando e mudando de tom — a web não deixou passa despercebido a volta.

Quem defendeu Ed Sheeran (e por quê)

No outro lado da trincheira, Robert Kraft, dono de um dos estádios onde Sheeran se apresenta, saiu em defesa. Ele assumiu publicamente a responsabilidade pelo veto e explicou: “Esta decisão é resultado de seus comentários [Macklemore] e de um histórico mais amplo de retórica e imagens antissemitas que consideramos profundamente ofensivas e prejudiciais à comunidade judaica”.

Kraft se posicionou como defensor da decisão, ressaltando o caráter “apolítico e unificador” de Ed Sheeran — um argumento que pra muita gente na internet soou como censura disfarçada.

O silêncio ensurdecedor de Ed Sheeran

Até agora, Ed Sheeran não comentou a saída em massa dos demais artistas de abertura. Ficou naquela comunicado blindado e seguiu em frente. A turnê segue até 11 de dezembro, mas agora Sheeran está numa posição incômoda: perdeu a credibilidade junto a uma parcela dos fãs e artistas que o apoiavam.

E quanto a Macklemore? Ele deixou claro que não se vê como vítima — só como um artista que usou sua voz pra falar sobre o que acredita. Independente de quem tem razão nessa guerra de narrativas, uma coisa ficou clara: Ed Sheeran aprendeu na prática que manter neutralidade em conflitos geopolíticos hoje em dia é quase impossível.

Fonte: G1 Globo

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