Dolly Parton: a rainha do country deixa um legado de três mil canções

Dolly Parton morre aos 80 anos deixando legado de música, amor e esperança

Foto: Curtis Hilbun / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

A lenda da música country Dolly Parton faleceu aos 80 anos, conforme anunciado pela família na terça-feira, 25 de agosto. O anúncio foi feito em um vídeo comovente por seu sobrinho Brian Seaver, que trabalhou como chefe de segurança da artista por mais de duas décadas.

A notícia chegou após meses em que Dolly se manteve afastada dos holofotes por problemas de saúde — sua última aparição pública havia sido em um evento do Dollywood no início do mês. Mas sua despedida não foi apenas marcada pela tristeza: foi uma celebração de uma vida inteira dedicada à música, à arte e à generosidade.

Uma Voz que Atravessou Gerações

Dolly começou sua carreira ainda criança, se apresentando em programas de rádio e TV locais, antes de deslanchar como compositora e cantora de country nos anos 1960. O que se seguiu foi uma trajetória lendária: Grammy Awards, filmes de sucesso em bilheteria, e uma reputação consolidada como uma das maiores compositoras de todos os tempos, tendo escrito mais de 3 mil canções ao longo de sua vida.

Dolly Parton: Mulher loira com blazer estampado, sorrindo para câmera em retrato profissional
Mulher loira com blazer estampado, sorrindo para câmera em retrato profissional. Foto: Peabody Awards / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Seus primeiros passos profissionais incluíram colaborações extensas com Porter Wagoner, com quem lançou seu primeiro álbum solo em 1967. Mas foi em 1980 que Dolly explodiu para a fama internacional, protagonizando “9 to 5” ao lado de Jane Fonda e Lily Tomlin — filme que não apenas foi um sucesso de bilheteria, mas também rendeu a ela uma indicação ao Oscar pela canção-tema.

Ao longo das décadas seguintes, a artista dominou as paradas com sucessos inesquecíveis: “Jolene”, “Coat of Many Colors”, “Love is Like a Butterfly” e “I Will Always Love You”, cuja versão de Whitney Houston para “The Bodyguard” atingiu proporções épicas mundialmente. Dolly nunca se prendeu a um único gênero — transicionou pelo pop, bluegrass, folk e até rock em seus últimos anos.

O Detalhe Tocante da Partida

Na mensagem de despedida, Brian Seaver revelou um desejo simples mas profundo de sua tia: “Dolly chamou me e disse que quer descansar em um lindo leito de algodão puro porque, depois de uma vida toda usando strass pesado, ela finalmente merece estar confortável e ter algum descanso”.

Essa frase resumia a essência de quem era Dolly — uma mulher que levou o brilho e o glamour até seus últimos dias, mas que também compreendia a beleza do repouso merecido. Segundo o sobrinho, ela havia solicitado anos antes que ele fizesse exatamente esse anúncio, demonstrando como controlava sua própria narrativa até o fim.

Muito Mais que uma Estrela

Dolly não foi apenas uma cantora. Ela foi uma empreendedora visionária: adquiriu o Dollywood Company nos anos 1980, transformando o parque temático em Tennessee em uma instituição americana querida. Recentemente, ela havia escrito um musical baseado em sua vida que estava marcado para chegar à Broadway em janeiro de 2027.

Dolly Parton: Homem e mulher em preto e branco, anos 1960, em estúdio com instrumentos musicais
Homem e mulher em preto e branco, anos 1960, em estúdio com instrumentos musicais. Foto: Moeller Talent, Inc. Nashville (management) / Wikimedia Commons (Public domain)

Casada com Carl Dean por quase seis décadas — ele faleceu em março de 2025 — Dolly manteve seu marido longe dos holofotes durante todo o tempo, protegendo sua vida pessoal com a mesma destreza com que construiu seu império artístico. Sem filhos, ela se tornou o pilar financeiro de diversos familiares e planejou meticulosamente seu patrimônio de aproximadamente US$ 450 milhões (cerca de R$ 2,3 bilhões) para evitar disputas entre parentes, contratando especialistas em planejamento sucessório em Los Angeles e Nashville.

A Mentora Que Inspirou Gerações

Miley Cyrus, sua afilhada desde antes do nascimento, prestou uma homenagem comovente no dia seguinte à morte de Dolly. Miley contou que uma de suas últimas conversas com a madrinha foi sobre “música e metamorfose” e escreveu: “Eu tenho um anjo ao meu lado. Eu sempre tive”.

Vitrine de museu com casaco colorido (Coat of Many Colors) de Dolly Parton e documentos
Vitrine de museu com casaco colorido (Coat of Many Colors) de Dolly Parton e documentos. Foto: Benjichilders / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A relação começou quando o pai de Miley, Billy Ray Cyrus, amigo de Dolly, pediu que ela fosse madrinha da filha. Além do vínculo familiar, as duas colaboraram artisticamente — Dolly participou de episódios de “Hannah Montana” e as duas gravaram juntas, incluindo versões de “Jolene” e a música “Rainbowland”. Durante décadas, Dolly funcionou como mentora de Miley, apoiando-a publicamente em momentos de mudanças na carreira.

Uma Vida Resumida em Canções

Poucos meses antes de sua morte, Dolly refletiu sobre seu legado em um texto publicado em sua plataforma Substack. Ela explicou que se considerava uma “Songteller” — alguém que conta histórias através de músicas — e que, se pudesse escolher apenas uma coisa para fazer, seria sentar, desfrutar e escrever canções.

“Eu nunca tive que ir a um terapeuta porque essa é minha terapia”, disse ela. “Meu violão é minha terapia também. Se tudo se resumisse a fazer uma coisa, eu gostaria de sentar, desfrutar a vida, experimentá-la — as alegrias e as tristezas — e escrever sobre isso.”

Brian Seaver encerrou seu discurso de despedida com palavras que capturaram a essência do trabalho de Dolly: “Dolly era uma fazendeira, como seu pai. Ele plantava na terra. Ela plantava canções e felicidade. Descansa em paz, tia Dolly. Que Deus abençoe Dolly Parton e que Deus abençoe vocês todos. Ela sempre amará vocês.”

Um Império Financeiro Blindado

Com patrimônio avaliado em aproximadamente US$ 450 milhões (cerca de R$ 2,3 bilhões), Dolly Parton contratou advogados especialistas em planejamento sucessório em Los Angeles e Nashville para estruturar seu espólio de forma blindada, segundo o Portal Leo Dias. Sua intenção era evitar disputas entre parentes. A maior parte de sua fortuna foi alocada em fundos fiduciários e outros mecanismos jurídicos privados, dispensando um inventário público detalhado.

Colaborações Artísticas com Gerações Novas

Dolly apareceu em episódios de “Hannah Montana” interpretando a tia do personagem vivido por Miley Cyrus. Miley revelou em entrevistas que essas aparições estão entre as que mais marcaram na produção e contribuíram para aprofundar o vínculo entre Dolly Parton e ela.

As duas dividiram palcos em diferentes momentos e colaboraram em projetos musicais. Miley foi uma das responsáveis por resgatar “Jolene” e fazê-la ser reconhecida pelas novas gerações. Também assinaram juntas “Rainbowland”, lançada no álbum “Younger Now” de 2017.

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