Foto: Thilo Parg / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)
Uma pedreira abandonada no sudoeste da China virou uma mina de ouro para quem estuda a pré-história. Lá dentro, arqueólogos encontraram uma quantidade extraordinária de fósseis e ferramentas que revelam, pela primeira vez, detalhes concretos sobre como viviam os denisovanos — aqueles primos extintos dos humanos modernos que quase ninguém conhece.
Segundo reportagem da Super Interessante, a descoberta foi publicada em dois artigos da revista Nature e marca um dos maiores avanços no estudo dessa misteriosa espécie. O segredo? Sete novos fósseis denisovanos encontrados na Caverna Bianfu, na província de Yunnan, incluindo o primeiro fragmento de braço que a ciência conseguiu documentar desses hominídeos.
Quem eram mesmo esses denisovanos?
Você provavelmente conhece os neandertais, certo? Pois bem, os denisovanos foram parentes próximos deles — e dos humanos também. Tanto que o DNA denisovano ainda corre nas veias de muita gente hoje em dia, especialmente em populações do Leste Asiático, aborígenes australianos e nativos da Papua-Nova Guiné.
O problema é que durante muito tempo quase não sabíamos nada sobre eles. A espécie só foi identificada em 2010, baseado em fragmentos de osso encontrados em uma caverna na Sibéria. Por anos, aqueles eram praticamente os únicos fósseis conhecidos. Em 2025, finalmente conseguiram reconstruir o rosto completo de um denisovano — mas essa é outra história.
Caçadores primitivos, mas habilidosos
O que torna essa nova descoberta tão fascinante é o que ela revela sobre o dia a dia desses hominídeos. Os fósseis encontrados incluíam quatro dentes, dois fragmentos de crânios e aquele primeiro osso do antebraço. Mas o que realmente conta a história são as ferramentas e os restos de presas ao redor.
As ferramentas que os denisovanos deixaram para trás eram bem simples e primitivas — feitas de osso ou pedra lascada, produzidas com apenas alguns golpes. Nada de refinamento, nada de horas de trabalho cuidadoso. Tudo sugere que eram criadas para uso imediato, não como obra de arte ou item de longa duração.
O que chama atenção, porém, é que mesmo com essa tecnologia rudimentar, a caverna apresentava uma quantidade enorme de ossos de mamíferos de porte médio a grande — veados, búfalos-asiáticos. Esses não são animais fáceis de caçar. Exigem estratégia, coordenação, trabalho em equipe. Os denisovanos sabiam até extrair a medula óssea das presas, uma parte riquíssima em calorias e gorduras. Ou seja, enquanto as ferramentas eram primitivas, a inteligência por trás da caça era sofisticada.
Um registro de 120 mil anos de ocupação
Outra revelação importante vem das camadas onde os fósseis foram encontrados. Eles apareceram em diferentes profundidades, o que significa que denisovanos distintos habitaram aquele local em épocas diferentes. Os cientistas calculam que eles viveram lá entre 167 mil e 134 mil anos atrás.
As ferramentas, porém, aparecem em camadas que datam de 190 mil até 70 mil anos atrás — sugerindo uma ocupação contínua do local que pode ter durado até 120 mil anos. Ainda não dá pra ter certeza de que todas as ferramentas foram feitas pelos denisovanos, mas o registro é impressionante mesmo assim.
Bo Li, professor da Universidade de Wollongong e um dos autores do estudo, sintetizou bem o que isso significa: “Este sítio permite ir além de descobertas isoladas, mostrando como os denisovanos realmente se adaptaram ao seu entorno. Isso demonstra o quanto era variada a tecnologia que os povos humanos antigos utilizavam no Leste Asiático.
E aí — você acredita que, com ferramentas tão primitivas, eles conseguiam caçar animais grandes? O que você acha mais impressionante nessa história?
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