Foto: Rede tnb / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
O dramaturgo e escritor Benedito Ruy Barbosa faleceu nesta terça-feira (7) aos 95 anos em São Paulo, deixando um legado que influenciou diversas gerações de telespectadores no Brasil. Mas antes de se tornar uma lenda das novelas, ele enfrentou cara a cara a censura da ditadura militar — e não deixou barato.
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De acordo com reportagem do G1, em entrevista ao Memória Globo, Benedito revelou o embate que enfrentou durante a produção de Meu Pedacinho de Chão, em 1971. Os censores removeram uma sequência por considerar inadequado que o hino nacional fosse interpretado em certo local da narrativa. “Isso me deixou indignado. Briguei com a censura e consegui liberar as cenas”, afirmou o autor na época.
Do interior de São Paulo para as telas do Brasil
Nascido em Gália, interior paulista, em 1931, Benedito Ruy Barbosa não teve uma trajetória fácil. O mais velho entre cinco irmãos perdeu o pai cedo e precisou trabalhar desde criança — foi auxiliar em firma comercial, vendedor de verduras e até faxineiro antes de conseguir um emprego como revisor no jornal Estado de S. Paulo.

Sua paixão pela escrita resultou no romance Fogo Frio, que ganhou versão teatral e recebeu prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte. Em 1966, estreou na televisão com Somos Todos Irmãos na TV Tupi. O resto é história.
Um catálogo de histórias que marcaram época
Em 1976, Benedito assinou com a TV Globo e começou uma sequência impressionante de sucessos. Cabocla (1979) adaptava Ribeiro Couto; em 1990, ele se transferiu para a TV Manchete e escreveu Pantanal, inovação que explorou locações externas e mergulhou na cultura do bioma brasileiro.

Após o êxito de Pantanal, Benedito Ruy Barbosa voltou à Globo para criar Renascer (1993), novela que se passava no sertão baiano e explorava o conflito geracional entre o coronel José Inocêncio e as novas gerações. Depois vieram O Rei do Gado (1996), que abordava a rivalidade entre famílias de imigrantes italianos e temas como reforma agrária, e Terra Nostra (1999), retratando o drama de italianos separados ao chegarem ao Brasil no início do século XX.
A censura de ontem, finalmente liberada
Décadas depois, o autor revisitou suas próprias obras. Em 2014, ele assinou a refilmagem colorida de Meu Pedacinho de Chão e declarou naquela ocasião que finalmente conseguiu levar ao ar conteúdos que a censura havia impedido na primeira versão, durante o período da ditadura. Era como se pudesse, enfim, terminar a briga que começara em 1971.

A telenovela Velho Chico, seu último trabalho televisivo em 2016, se passava na fictícia cidade de Grotas do São Francisco, localizada no sertão nordestino — mais um enredo que explora o confronto entre gerações e a luta pela terra e pelo poder no interior do país, conflitos que marcaram toda sua trajetória artística.
O legado de Benedito Ruy Barbosa segue vivo: suas novelas seriam refilmadas décadas depois, agora escritas por seu neto, Bruno Luperi, levando as histórias que ele criou para novas gerações de espectadores.
Os temas que definiram suas novelas
A marca registrada de Benedito Ruy Barbosa era a exploração da vida rural e interiorana, segundo a Wikipédia. Ele retratava a cultura dos caboclos, a imigração portuguesa e italiana no Brasil — temas que apareceram em obras como Os Imigrantes (1981) e Vida Nova (1988). Seus personagens, conforme descrito pelo próprio autor, tinham características comuns: “bom caráter, determinação para a luta, crença em valores positivos”.
Pantanal e o risco que a Globo recusou
A sinopse de Pantanal foi recusada pela TV Globo quando Benedito a apresentou, segundo a Wikipédia. O mesmo aconteceu com Os Imigrantes. Depois de levar seu maior sucesso para a Rede Manchete em 1990, o autor retornou à emissora carioca três anos depois para escrever Renascer — sua estreia no horário nobre, que marcaria sua trajetória de forma definitiva.
Remakes de ouro: as novelas que voltaram
Seis antigas obras de Benedito Ruy Barbosa receberam versões novas, segundo a Wikipédia. Cabocla (2004) e Sinhá Moça (2006) foram adaptadas pelas filhas Edmara e Edilene; Paraíso (2009) também ganhou remake familiar. A refilmagem de Meu Pedacinho de Chão em 2014 ficou a cargo do próprio autor. Já Pantanal (2022) e Renascer (2024) foram refeitas pelo neto Bruno Luperi — perpetuando o legado familiar na televisão.
Conselheiro do futebol e projetos engavetados
Além de suas novelas, Benedito tinha boas ligações com o futebol e era conselheiro vitalício do São Paulo Futebol Clube, conforme a Wikipédia.
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