Foto: Photo Credit: James Gathany Content Providers(s): CDC / Wikimedia Commons (Public domain)
Bactérias do intestino podem explicar aquela febre chata que algumas pessoas pegam depois de tomar vacina. Um estudo publicado no periódico Science e reportado pela Super Interessante descobriu que diferenças no microbioma intestinal (a comunidade de bactérias que vive ali) explicam por que alguns vacinados têm reação febril enquanto outros escapam ilesos.
Neste artigo
Pesquisadores analisaram amostras de fezes de mais de 170 pessoas e notaram um padrão curioso: aqueles com características semelhantes no microbioma intestinal apresentaram febre após receberem a segunda ou terceira dose da vacina de Covid-19. Não é mágica — é biologia em ação.
A proteína que mexe com a temperatura
O grande vilão da história se chama flagelina, uma proteína que compõe estruturas chamadas flagelos — pense nelas como pequenas hélices que permitem as bactérias se moverem. Quem apresentou febre mais intensa tinha níveis elevados dessa proteína no intestino.

A descoberta ganhou contornos ainda mais interessantes quando os pesquisadores notaram que pessoas com febre alta também exibiam maior inflamação intestinal. Já aqueles que não tiveram febre ou tiveram apenas uma febre leve? Neles, a flagelina não aparecia e nenhum padrão específico no microbioma foi detectado.
Camundongos confirmam a suspeita
Para confirmar se realmente havia uma ligação entre a flagelina e a reação febril, os pesquisadores fizeram um experimento com camundongos geneticamente modificados. Os animais expostos às bactérias humanas associadas à febre tiveram uma resposta equivalente ao que ocorre em humanos: aumento de temperatura.
O detalhe revelador foi que apenas os camundongos capazes de detectar a flagelina apresentaram essa reação — aqueles sem receptores para essa proteína foram muito menos afetados. Isso reforça a ligação entre flagelina e a resposta do sistema imunológico à vacinação.
Dieta pode ser a chave da diferença
Se flagelina está relacionada à febre pós-vacina, por que alguns têm muito dela no intestino e outros pouco? A hipótese mais promissora até agora aponta para a dieta. De acordo com o estudo, vegetarianos apresentaram os menores níveis de flagelina no intestino.

Mas antes de sair por aí mudando seus hábitos alimentares, calma: mais pesquisas são necessárias para confirmar essa relação e entender todos os fatores que influenciam esses níveis. Os autores do trabalho esperam que essas descobertas, no futuro, ajudem a minimizar o efeito colateral febril das vacinas — algo que poderia, inclusive, aumentar as taxas de vacinação ao remover uma preocupação comum.
O que a flagelina revela sobre a reação febril
A flagelina é uma proteína específica que compõe os flagelos, estruturas em forma de hélice que permitem a locomoção das bactérias em meios líquidos. Pesquisadores descobriram que pessoas com febre mais intensa após a vacinação tinham níveis elevados dessa proteína no intestino. Além disso, quem apresentou febre alta também exibiu maior inflamação intestinal, enquanto aqueles sem febre ou com febre leve não mostravam padrões específicos de flagelina.

A dieta como possível fator de diferença
Um padrão emergiu durante o estudo: vegetarianos apresentaram os menores níveis de flagelina no intestino. Segundo a pesquisa, essa observação levou à hipótese de que a dieta pode estar relacionada aos níveis dessa proteína bacteriana. Porém, os autores alertam que mais pesquisas são necessárias para confirmar essa relação e entender todos os fatores que influenciam esses níveis. Os pesquisadores esperam que essas descobertas, no futuro, ajudem a minimizar o efeito colateral febril das vacinas.
O que mais se pergunta sobre bactérias do intestino
O que é flagelina e por que importa?
Flagelina é a proteína que compõe os flagelos, estruturas que funcionam como hélices microscópicas, permitindo que as bactérias se movimentem em meios líquidos. O estudo mostrou que pessoas com febre alta após vacinação tinham níveis elevados dessa proteína no intestino, sugerindo que o sistema imunológico reage a ela durante a resposta à vacina. Sua presença indica que os microrganismos têm maior capacidade de se espalharem pelo corpo.
Por que vegetarianos tiveram menos flagelina?
O estudo observou que vegetarianos apresentaram os menores níveis de flagelina no intestino, o que levou à hipótese de que a dieta está relacionada aos padrões do microbioma. Contudo, os pesquisadores ressaltam que são necessárias mais investigações para confirmar essa conexão e entender quais alimentos ou padrões alimentares específicos influenciam esses níveis bacterianos.
Como o experimento com camundongos provou a ligação entre flagelina e febre?
Pesquisadores usaram camundongos geneticamente modificados expostos às bactérias humanas associadas à febre e observaram que os animais apresentaram aumento de temperatura, assim como ocorre em humanos. O detalhe crucial foi que apenas os camundongos com receptores capazes de detectar flagelina tiveram essa reação, enquanto aqueles sem esses receptores foram muito menos afetados, confirmando a ligação entre a proteína e a resposta do sistema imunológico.
Qual é a relação entre inflamação intestinal e febre após vacinação?
Participantes que apresentaram febre alta após a vacinação também exibiam maior inflamação intestinal em comparação aos demais. Em contraste, aqueles sem febre ou com febre leve não mostravam esse padrão de inflamação, sugerindo que a inflamação no intestino está conectada à resposta febril do corpo à vacina.
Em quantas pessoas o estudo original analisou amostras para chegar a essa conclusão?
Um estudo com mais de 170 participantes coletou amostras fecais e identificou uma correlação: pessoas com perfis parecidos de Bactérias do intestino tenderam a desenvolver febre depois de receber a segunda ou terceira dose da vacina contra Covid-19. Esse tamanho de amostra permitiu identificar conexões claras entre as bactérias do intestino e a resposta febril.
E aí, essa descoberta te surpreendeu? Você costuma ter febre após tomar vacina, ou é daqueles que passa ileso?
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