Foto: LadyofHats / Wikimedia Commons (Public domain)
Um fóssil encontrado em 2001 no sul da Inglaterra acaba de revelar um dinossauro inédito na Inglaterra: uma espécie desconhecida pela ciência. Segundo a Super Abril, o animal recebeu o nome de Paludohadros proudlovii e pertence aos iguanodontianos, grupo de herbívoros que se espalhou bastante durante o Cretáceo, período que vai de cerca de 145 milhões a 66 milhões de anos atrás.
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A identificação ficou a cargo do paleontólogo Ricardo Sacamoto, pesquisador da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da USP, que integra a equipe liderada por Max Langer. Ao reavaliar o material, guardado no Museu de História Natural de Londres, ele percebeu características que apontavam para uma espécie ainda não descrita.
Um gigante ainda em crescimento
Mesmo jovem, o exemplar estudado já era bem grande. Ele pesava cerca de 1,5 tonelada e media aproximadamente quatro metros, um tamanho comparável ao de um rinoceronte. Por ainda não ter atingido a maturidade, porém, a espécie pode ter sido maior.

Os cálculos indicam que indivíduos totalmente desenvolvidos alcançavam entre seis e oito metros de comprimento e podiam chegar a pesar o dobro do exemplar analisado. Ou seja, o bicho que os pesquisadores têm em mãos é só uma prévia do que ele podia ser na vida adulta.
Como os cientistas chegaram à nova espécie
A diferenciação veio da análise de partes específicas do esqueleto: mandíbula, braços, pelve e pernas. Dentes com formatos próprios, projeções ósseas e saliências em outras regiões do corpo também entraram na conta.
Para Sacamoto, esse conjunto de traços foi o que permitiu separar o animal de outros iguanodontianos já descritos. Os paleontólogos também classificaram a espécie como de “divergência precoce”, ou seja, ela se separou cedo de outras linhagens do grupo, o que ajuda a entender como os iguanodontianos se diversificaram ao longo do Cretáceo.
Um primeiro registro para a região
O Paludohadros é o primeiro iguanodontiano, isto é, um herbívoro bípede, descrito para o sítio Smokejacks Brickworks e para a Formação Weald Clay. Outros integrantes do grupo já eram conhecidos na Bacia de Wealden, mas vinham de camadas geológicas mais antigas.

Segundo o pesquisador, o animal viveu no Barremiano, entre cerca de 125,77 e 121,4 milhões de anos atrás. Para ele, a descoberta amplia o conhecimento sobre a diversidade desses herbívoros no início do Cretáceo. Sacamoto também se mostra otimista quanto ao futuro: “A chance de nós encontrarmos novas espécies é bastante alta”, disse ele.
Uma homenagem ao gerente da pedreira
O nome específico, proudlovii, é uma homenagem a William Proudlove, gerente de uma fabricante de tijolos que atuava na pedreira onde o fóssil apareceu. Proudlove morreu aos 35 anos, pouco tempo depois da escavação. Com a escolha, os pesquisadores reconhecem a ligação entre o espécime e as pessoas que trabalharam no local na época.

A pesquisa teve financiamento do Programa Bepe, da Fapesp, e o artigo foi publicado na revista Journal of Systematic Palaeontology. Nos próximos quatro anos, durante o doutorado, Sacamoto vai reavaliar outros iguanodontianos guardados no museu londrino. Parte desses fósseis pode pertencer à mesma espécie, e outros podem revelar mais novidades.
Onde o fóssil foi encontrado
O fóssil veio de Smokejacks Brickworks, área de extração de argila usada na fabricação de tijolos no sul da Inglaterra. Segundo o Super Abril, que reproduz texto do Jornal da USP, os restos foram achados na Formação Weald Clay, unidade geológica que registra ambientes antigos da região.
Um estudo financiado e publicado em revista
A pesquisa recebeu apoio do Programa Bepe, sigla de Bolsa Estágio de Pesquisa no Exterior, da Fapesp, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. O artigo tem título em inglês: “A new iguanodontian dinosaur from the Weald Clay Formation (Lower Cretaceous) of Smokejacks Brickworks, southern England”.
A pesquisa apresenta um gênero e uma espécie de dinossauro até então desconhecidos, a partir de restos fósseis mantidos no Museu de História Natural de Londres, instituição onde Sacamoto conduz seus estudos.
Perguntas frequentes sobre dinossauro inédito na Inglaterra
O que é o dinossauro inédito na Inglaterra?
O dinossauro inédito na Inglaterra é o Paludohadros proudlovii, um iguanodontiano, grupo de herbívoros que se espalhou durante o Cretáceo. Trata-se de um herbívoro bípede que viveu no Barremiano, entre cerca de 125,77 e 121,4 milhões de anos atrás. Os paleontólogos o classificaram como de divergência precoce, ou seja, ele se separou cedo de outras linhagens do grupo.
Quem identificou o dinossauro inédito na Inglaterra?
A identificação foi feita pelo paleontólogo Ricardo Sacamoto, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da USP, na equipe liderada por Max Langer. Ele reavaliou fósseis guardados no Museu de História Natural de Londres e percebeu traços que apontavam para uma espécie não descrita. Esses traços incluem dentes com formatos próprios e projeções ósseas, além de características da mandíbula, dos braços, da pelve e das pernas.
Por que o dinossauro inédito na Inglaterra tem esse nome?
O nome proudlovii homenageia William Proudlove, gerente de uma fabricante de tijolos que atuava na pedreira onde o fóssil apareceu. Proudlove morreu aos 35 anos, pouco tempo depois da escavação. Com a escolha, os pesquisadores reconhecem a ligação entre o espécime e as pessoas que trabalharam no local na época.
Pode haver outros dinossauros inéditos na Inglaterra?
Sacamoto afirma que “a chance de nós encontrarmos novas espécies é bastante alta”. Ele vai reavaliar outros iguanodontianos do museu londrino nos próximos quatro anos, durante o doutorado. Parte desses fósseis pode pertencer ao Paludohadros proudlovii, e outros podem revelar espécies novas.
O caso mostra que as coleções de museus ainda guardam respostas importantes. Um fóssil achado em 2001 só ganhou identidade agora, depois de um olhar mais atento. E você, acharia justo batizar um dinossauro com o nome de quem trabalhava na pedreira onde ele foi encontrado?
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