Foto: BhaalPriestess / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)
Olfato dos pets tem papel central na forma como cães e gatos exploram o ambiente, reconhecem outros indivíduos e se relacionam. Segundo o caesegatos.com.br, os animais conseguem distinguir odores de pessoas conhecidas e de desconhecidas, e usam essa informação para orientar parte das suas reações.
Neste artigo
Tudo começa nos receptores do epitélio olfatório, que captam moléculas de odor. Esses estímulos viram sinais neurais, são processados pelo sistema nervoso central e ficam ligados ao aprendizado e à memória.
Do nariz ao comportamento
A médica-veterinária Nathalia Villaça Xavier, docente do Centro Universitário Max Planck (UniMAX), em Indaiatuba (SP), explica que o olfato é essencial para explorar o ambiente, se comunicar e reconhecer indivíduos. Nos cães, ele também serve para atividades especializadas de detecção. Nos gatos, ajuda a diferenciar quem faz parte da rotina de quem é estranho.

Mesmo assim, o reconhecimento não depende de um único composto. Ele vem da combinação de várias substâncias químicas presentes no odor corporal humano, que surge da pele, do suor e da respiração.
O que os estudos com cães e gatos mostraram
Em 2015, Berns, Brooks e Spivak usaram ressonância magnética funcional para observar o cérebro de cães expostos a cheiros de animais, de pessoas familiares e de desconhecidos. O odor de alguém da família provocou a maior resposta no núcleo caudado, região associada ao processamento de recompensas. Para os pesquisadores, isso sugere que um cheiro conhecido pode ativar associações sociais já aprendidas, mesmo quando a pessoa não está presente.
Nos gatos, um estudo publicado em 2025 por Miyairi e colaboradores comparou amostras de odor dos responsáveis, de pessoas desconhecidas e de um controle sem cheiro humano. Os felinos passaram mais tempo investigando os odores estranhos do que os familiares, o que indica que conseguem fazer essa diferença.
Ainda assim, a especialista lembra que esses resultados não significam que os bichos interpretem os aromas da mesma forma que as pessoas.
Perfume, banho e estresse mexem no odor
Perfumes, produtos de higiene, atividade física e contato com outros animais podem alterar o cheiro que o pet percebe. Por isso, um familiar pode ter outro aroma depois de um banho ou de um treino. Nesse caso, o animal pode farejar a pessoa por mais tempo, sem que isso signifique que deixou de reconhecê-la.
O estresse também muda a química do corpo. Em 2022, uma equipe liderada por Wilson examinou amostras de respiração e transpiração recolhidas tanto antes quanto depois de um episódio de estresse psicológico. Os cães participantes conseguiram separar as amostras pós-estresse das amostras basais da mesma pessoa. Nos gatos, há sinais de sensibilidade a informações químicas ligadas a estados emocionais, mas isso não prova que eles compreendam a emoção nem a sua causa.
Já as mudanças hormonais podem influenciar o odor, porém ainda faltam evidências de que os animais identifiquem, só pelo cheiro, fases como o ciclo menstrual, a gestação ou doenças endócrinas.
Reencontros e memória ainda têm lacunas
Cães e gatos aprendem e guardam memórias olfativas. Por isso, um cheiro conhecido pode influenciar a resposta do animal mesmo depois de um período sem contato. Mas isso é diferente de comprovar que ele reconhece alguém após meses ou anos longe. Segundo Nathalia, ainda são necessários estudos específicos para medir quanto tempo essa memória dura.
Para a médica-veterinária, “a ausência de uma reação exuberante não significa necessariamente que o animal deixou de reconhecer a pessoa”. Por isso, a intensidade de um reencontro não deve ser usada sozinha para avaliar se o pet reconheceu alguém. Idade, saúde, experiências anteriores e contexto também pesam na resposta.
O nariz não trabalha sozinho
Além do olfato, cães e gatos usam voz, postura, modo de andar, movimentos e rotinas para identificar pessoas. Um cão pode combinar voz, aparência e cheiro e recorrer a outras pistas quando uma delas falta.

Por isso, uma reação diferente não deve ser vista de imediato como rejeição ou desconfiança. Quando o animal se mantém distante por muito tempo, fica rígido, tenta escapar ou reage de forma agressiva para se proteger, pode estar incomodado; ainda assim, esses sinais isolados não dizem qual é o motivo. Experiências anteriores, mudanças no ambiente, dor e alterações sensoriais também precisam ser considerados.
Cães ou gatos: quem leva vantagem?
Nathalia afirma que os estudos atuais não permitem concluir que cães sejam necessariamente melhores que gatos em reconhecer pessoas apenas pelo cheiro. A literatura sobre cães é mais extensa, mas isso não quer dizer que eles tenham superioridade funcional.
Idade, estado de saúde, socialização, temperamento e histórico de exposição influenciam as respostas de cada animal. Quando a mudança de comportamento for súbita, intensa ou persistente, vale procurar a avaliação de um médico-veterinário para investigar possíveis causas.
Conteúdo informativo, não substitui avaliação de médico-veterinário. Fonte oficial vinculada na matéria.
E você já percebeu seu gato ou cachorro farejando com mais atenção alguém que acabou de chegar em casa ou que trocou de perfume? Conte aí nos comentários.
Do que é feito o cheiro de uma pessoa
Segundo o caesegatos.com.br, a composição desse odor pode ser influenciada pela atividade metabólica, pela microbiota da pele e pelo uso de cosméticos.

Ao longo do tempo, cachorros e gatos conseguem relacionar certos tipos de cheiro a pessoas com quem convivem. Por isso, a composição química varia conforme o contexto, e o reconhecimento pode depender do histórico de exposição de cada animal.
Ainda segundo o caesegatos.com.br, há evidências de que cães treinados conseguem detectar alterações do odor humano causadas pelo estresse.
Perguntas frequentes sobre Olfato dos pets
Olfato dos pets separa mesmo familiares de desconhecidos?
Sim, segundo os estudos citados. Em 2015, Berns, Brooks e Spivak observaram que o cheiro de alguém da família provocou a maior resposta no núcleo caudado dos cães. Em 2025, Miyairi e colaboradores registraram que os gatos investigaram mais os odores desconhecidos. Esses resultados não significam que os animais interpretam os cheiros como as pessoas.
Olfato dos pets reconhece alguém que ficou meses longe?
Os estudos ainda não comprovam isso. Cães e gatos guardam memórias olfativas, mas quanto tempo essa memória dura após períodos longos ainda precisa de pesquisas específicas, segundo Nathalia Villaça Xavier. Por isso, a intensidade do reencontro não deve ser usada sozinha para avaliar o reconhecimento.
Perfume e banho atrapalham o reconhecimento pelo cheiro?
Perfumes, produtos de higiene, atividade física e contato com outros animais mudam o odor que o pet percebe. Isso não significa que ele deixará de reconhecer a pessoa. Ele pode farejá-la por mais tempo ou reagir de outra forma àquele cheiro.
Quando procurar um médico-veterinário por causa do comportamento?
A avaliação é indicada quando a mudança de comportamento for súbita, intensa ou persistente. Afastamento persistente, postura tensa ou agressividade defensiva podem indicar desconforto, mas não revelam sozinhos a causa. O médico-veterinário pode ajudar a investigar possíveis causas.
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