Labrador devolvido duas vezes se torna cão de assistência e ajuda cadeirante no dia a dia

Labrador devolvido duas vezes se torna cão de assistência e ajuda cadeirante no dia a dia

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Foto: Raymond Shobe / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

Um labrador de 2 anos e oito meses chamado Cheddar foi destinado, desde o começo, ao Programa de Treinamento de Cão de Assistência do Instituto Adimax, em Salto de Pirapora, no interior de São Paulo. Segundo reportagem do Cães&Gatos, a instituição é o maior centro de treinamento da América Latina.

Aos três meses, o filhote foi encaminhado a uma Família Socializadora. Por cerca de um ano, voluntários acolhem os cães e os ajudam a se adaptar a ambientes, pessoas e situações do cotidiano.

Só que o caminho de Cheddar teve um desvio. Ele foi devolvido duas vezes durante a socialização. Na terceira tentativa, já com fama de bagunceiro, chegou à casa da enfermeira Patrícia Jung, em Sorocaba, que já tinha participado do programa com outro cão.

Um cão que aprendia observando

Patrícia sabia que o desafio era grande. O Instituto se preocupava com o bem-estar do labrador e precisava de alguém disposto a oferecer apoio emocional. Logo nos primeiros dias, porém, Cheddar mostrou que estava sempre atento ao que acontecia ao redor.

Certa vez, Patrícia deixou o filhote no jardim com o marido. Ao chegar à cozinha, encontrou o cão esperando por ela. Ele havia aprendido sozinho a abrir o portão destinado aos pets, só observando a voluntária.

No início, Patrícia achou que tinha esquecido o portão aberto. Quando a cena se repetiu, percebeu que era obra do próprio cão. A casa precisou se adaptar à curiosidade dele, que buscava objetos e criava jeitos próprios de se comunicar, como sinalizar que queria ir ao jardim.

Da bagunça ao treinamento

Depois de um ano com a família de Patrícia, Cheddar voltou ao Instituto para a etapa de treinamento. Ele aprendia com rapidez impressionante, mas nem sempre se interessava pelas atividades propostas. Um dia, os funcionários encontraram as baias do canil abertas e os cães soltos. Cheddar tinha aberto os trincos e libertado os colegas.

cão de assistência: Labrador amarelo sentado em grama seca, diante de um muro de pedras
Labrador amarelo sentado em grama seca, diante de um muro de pedras. Foto: Skansken / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

Foi nesse episódio que a equipe enxergou um potencial maior: ajudar pessoas com limitações de mobilidade. Fabiano Pereira, instrutor de cão-guia e gestor técnico do Instituto, explicou que o cão precisa estar à vontade na missão. Para ele, “é sempre ele que escolhe o que quer ser”.

Foi então que a equipe mudou a abordagem e ofereceu ao labrador outro tipo de treinamento e outros estímulos. A resposta veio logo: o cão passou a demonstrar mais interesse pelas atividades. Eliaquim Timóteo da Cunha, responsável pelo treinamento, lembra que foram alguns meses de trabalho até Cheddar ficar pronto.

Nessa fase, ele aprendeu a abrir portas e gavetas, pegar objetos do chão e acender e apagar luzes, habilidades que facilitam a rotina de quem tem mobilidade reduzida. Ao final, Cheddar se formou como Cão de Assistência à Mobilidade, em uma cerimônia com direito a beca.

O encontro com Bruno

Faltava encontrar a pessoa certa. As inscrições estavam abertas no site do Instituto havia alguns meses, mas ainda não tinha aparecido ninguém compatível com o cão. A virada veio durante uma visita de Bruno Rodrigues de Souza, analista de sistemas e morador de Salto de Pirapora.

Cadeira de rodas vermelha e preta, vazia, sobre piso de cerâmica em ambiente interno
Cadeira de rodas vermelha e preta, vazia, sobre piso de cerâmica em ambiente interno. Foto: Davronov Alexander / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Cadeirante há 18 anos, Bruno ficou paraplégico após um acidente de moto. Ao conhecer a história de Cheddar, viu ali a chance de ampliar a própria independência e decidiu se inscrever pelo site da instituição.

O processo de seleção incluiu uma equipe multidisciplinar, com assistentes sociais, psicólogos e profissionais especializados. Eles avaliaram a rotina de Bruno, suas necessidades e o ambiente em que ele vive e trabalha. Depois de um período de espera, veio a confirmação: os dois formariam uma dupla.

Uma parceria que virou rotina

Depois de confirmada a dupla, Bruno e Cheddar passaram por uma fase de adaptação com o acompanhamento do Instituto. Bruno conta que a conexão foi positiva desde os primeiros contatos e que, com o treinamento e a orientação da equipe, foi aprendendo a trabalhar em conjunto com o cão.

Cão dourado deitado em cama de hospital, com mochila de cão de assistência; ao lado, pessoa de pijama
Cão dourado deitado em cama de hospital, com mochila de cão de assistência; ao lado, pessoa de pijama. Foto: Zipster969, link to pawsitivityservicedogs.com / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Hoje, os dois são inseparáveis. Cheddar acompanha Bruno no trabalho, na academia, no mercado e nos momentos de lazer. Ele pega uma pasta no armário do escritório, apanha chaves do chão, busca garrafa de água ou toalha nos treinos e alcança produtos em prateleiras baixas do supermercado.

Para Bruno, o labrador representa autonomia, segurança e inclusão. Além do apoio prático nas tarefas do dia a dia, ele destaca um vínculo afetivo construído com confiança, respeito e companheirismo. Patrícia, que acolheu o cão na socialização, também comemora a conquista e lembra que o labrador trouxe desafios, mas também muito amor e momentos inesquecíveis.

Como Patrícia vê a evolução de Cheddar

Segundo o Cães&Gatos, Patrícia credita ao Instituto a mudança de rota do cão. “A orientação do Instituto Adimax foi fundamental, pois, em vez de podar esse jeito explorador dele, preparamos o Cheddar para desenvolver todo seu potencial”, afirma.

Ela também afirma que foi preciso entender o comportamento do labrador. “Foi preciso entender que o que muitas vezes a gente achava que era coisa de bagunceiro, era a inteligência dele, a curiosidade.”

O que Bruno ganhou com o cão

Bruno afirma que Cheddar o ajuda em diversas tarefas do cotidiano. Segundo ele, a atuação do labrador contribui para ter mais independência em deslocamentos e atividades diárias. “Receber um cão de assistência foi uma experiência transformadora para mim.”

Eliaquim Timóteo da Cunha, responsável pelo treinamento, resume a base do trabalho: “Cheddar sempre foi muito inteligente e reforçamos esse talento natural dele.”

Perguntas frequentes sobre cão de assistência

O que é um cão de assistência?

Um cão de assistência é treinado para ajudar pessoas com limitações de mobilidade. No caso de Cheddar, o treinamento incluiu abrir portas e gavetas, pegar objetos do chão e acender e apagar luzes. Ao final, ele se formou como Cão de Assistência à Mobilidade.

Como um cão de assistência é treinado?

Antes do treinamento específico, o cão passa cerca de um ano com uma Família Socializadora, que o ajuda a se adaptar a ambientes, pessoas e situações do cotidiano. Depois, no Instituto Adimax, a equipe ensina tarefas práticas. Foram alguns meses de trabalho até Cheddar ficar pronto, segundo Eliaquim Timóteo da Cunha.

Como uma pessoa recebe um cão de assistência?

As inscrições são feitas pelo site do Instituto Adimax. Bruno contou que o processo foi muito sério, organizado e humanizado. Uma equipe multidisciplinar, com assistentes sociais, psicólogos e profissionais especializados, avalia a rotina, as necessidades e o ambiente onde a pessoa vive e trabalha.

O que um cão de assistência faz no dia a dia?

Cheddar acompanha Bruno no trabalho, na academia, no mercado e no lazer. Ele pega uma pasta no escritório, apanha chaves do chão, busca garrafa de água ou toalha nos treinos e alcança produtos em prateleiras baixas do supermercado.

E você, acredita que um cão visto como bagunceiro pode se transformar em um grande companheiro quando recebe o treinamento certo?

Conteúdo informativo, não substitui avaliação de médico-veterinário. Fonte oficial vinculada na matéria.

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