Sono interrompido pesa no cérebro e no risco de doenças neurodegenerativas

Sono interrompido pesa no cérebro e no risco de doenças neurodegenerativas

Foto: Edeh Sophia / Wikimedia Commons (CC0)

Quem já acordou pesado depois de uma noite mal dormida sabe como o descanso mexe com o corpo. Segundo coluna publicada no g1, o efeito vai além do cansaço do dia seguinte. O sono pode influenciar o curso das doenças neurodegenerativas, um grupo de condições que afetam o cérebro ao longo do tempo.

A informação vem de palestras assistidas pela colunista no XXXII Congresso Brasileiro de Neurologia (Neuro 2026). Ela compara a noite a um spa gratuito, onde a gente se renova todos os dias. Um dos especialistas ouvidos no evento foi Raimundo Nonato Delgado Rodrigues, neurologista e professor associado da Universidade de Brasília. Para ele, “Proteger o sono é proteger a arquitetura do cérebro”.

Lembro, logo durmo

Para mostrar a importância do descanso, o médico recorreu à frase do filósofo francês René Descartes, “Penso, logo existo”, e criou uma versão própria: “Lembro, logo durmo”. A brincadeira deixa claro que dormir não é um luxo, e sim parte do funcionamento do cérebro.

Cão de pelagem branca e bege dormindo em cama marrom, com tecido vermelho por cima
Cão de pelagem branca e bege dormindo em cama marrom, com tecido vermelho por cima. Foto: Tomwsulcer / Wikimedia Commons (CC0)

Segundo a colunista, é durante o sono que o cérebro repara danos e faz a limpeza de substâncias tóxicas. Por isso, o sono atua como um agente modificador das doenças neurodegenerativas, ou seja, ele pode mudar a forma como essas doenças evoluem.

O que acontece quando o sono se fragmenta

O problema começa quando o sono vive interrompido. Isso é típico da insônia e da Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono. Nesses casos, a remoção de agregados neurotóxicos, como a beta-amiloide e a tau hiperfosforilada, fica prejudicada.

doenças neurodegenerativas: Monitor com quatro cortes de tomografia do cérebro; ao fundo, paciente em aparelho de tomografia
Monitor com quatro cortes de tomografia do cérebro; ao fundo, paciente em aparelho de tomografia. Foto: Goleisureintl / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

Com o passar do tempo, esse acúmulo eleva o risco de demências, principalmente a doença de Alzheimer. Por isso, cuidar do descanso é também uma forma de cuidar da saúde do cérebro.

Quando procurar ajuda

Se o sono anda interrompido há tempo, o caminho mais seguro é conversar com um médico. Ele pode investigar a causa e indicar o tratamento adequado, seja para a insônia, seja para a apneia. Pequenos cuidados com a rotina de descanso já fazem diferença no dia a dia, e começar a olhar para o sono com atenção pode ser um primeiro passo.

Médica de jaleco branco e estetoscópio, organizando papéis em consultório
Médica de jaleco branco e estetoscópio, organizando papéis em consultório. Foto: Shixart1985 / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Conteúdo informativo, não substitui orientação de profissional de saúde. Fonte oficial vinculada na matéria.

E você, já parou para pensar no sono como um cuidado com o cérebro? Conta nos comentários como anda a sua noite de descanso.

O sono e o envelhecimento ativo

A colunista do g1 diz que o sono é um dos seus temas favoritos, por estar ligado ao envelhecimento ativo. O texto é a quarta e última coluna inspirada nas palestras do XXXII Congresso Brasileiro de Neurologia.

Segundo a Wikipédia, durante o sono a maioria dos sistemas do corpo entra em estado anabólico. Esse processo ajuda a restaurar os sistemas imunológico, nervoso, esquelético e muscular. Essas funções mantêm o humor, a memória e a função cognitiva.

A mesma fonte afirma que o sono é um comportamento altamente conservado na evolução animal. Ele provavelmente remonta a centenas de milhões de anos.

Quanto sono o adulto precisa

Segundo a Wikipédia, o total de horas de sono de uma pessoa adulta costuma ficar entre sete e oito horas. A mesma fonte afirma que oito horas é o ideal para dormir. A privação de sono pode afetar a regeneração celular e a recuperação da função imunitária.

O sono de uma noite costuma ter de quatro a cinco ciclos de cerca de noventa minutos cada. Cada ciclo começa no sono NREM e termina no sono REM. Os períodos REM ficam mais longos na segunda metade da noite.

A Wikipédia também cita distúrbios do ritmo circadiano e parassonias, como o sonambulismo. Ela lista ainda o bruxismo entre os problemas que podem afetar o sono.

Luz de telas e distúrbios do sono

Segundo a Wikipédia, o uso de luz artificial alterou bastante os padrões de sono da humanidade. As telas de smartphones e televisores emitem muita luz azul, que é tipicamente associada ao dia.

Essa luz interrompe a liberação de melatonina, hormônio necessário para regular o ciclo do sono. A mesma fonte lista a insônia, a hipersonia, a narcolepsia e a apneia do sono entre os distúrbios do sono.

O relógio circadiano interno promove o sono todas as noites, segundo a Wikipédia. Os propósitos e mecanismos do sono ainda são objeto de pesquisas em andamento.

Perguntas frequentes sobre doenças neurodegenerativas

O que são doenças neurodegenerativas?

São um grupo de condições que afetam o cérebro ao longo do tempo. Entre as demências ligadas a elas, a colunista do g1 cita especialmente a Doença de Alzheimer. O sono entra nessa conversa porque, segundo a coluna, pode influenciar o curso dessas condições.

O sono causa doenças neurodegenerativas?

A coluna fala em influência sobre o curso dessas doenças, não em causa. Segundo a colunista, o sono atua como agente modificador, ou seja, pode mudar a forma como essas doenças evoluem. Durante o sono, o cérebro repara danos e remove neurotoxinas, o que ajuda a entender esse papel.

Como a insônia e a apneia afetam o cérebro?

Segundo a colunista, a fragmentação do sono, típica da insônia e da Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono, prejudica a remoção de agregados neurotóxicos. Entre eles estão a beta-amiloide e a tau hiperfosforilada. Com o tempo, esse acúmulo eleva o risco de demências.

Qual é a duração ideal do sono?

Segundo a Wikipédia, o total de horas de sono de um adulto costuma ficar entre sete e oito horas, e oito horas é o ideal. Um ciclo do sono dura cerca de noventa minutos. Se o sono anda interrompido há tempo, o caminho indicado é conversar com um médico.

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