Biscoitos Oreo com petróleo? A verdade por trás da notícia que viralizou e foi desmentida pela Anvisa

Biscoitos Oreo com petróleo? A verdade por trás da notícia que viralizou e foi desmentida pela Anvis
Biscoitos Oreo com petróleo? A verdade por trás da notícia que viralizou e foi desmentida pela Anvis
Foto: Midori / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

Em agosto, as redes sociais explodiram com uma notícia assustadora: biscoitos recheados populares — especialmente a marca Oreo — estariam recheados de petróleo. Vídeos viralizaram afirmando que o recheio continha derivados de petróleo, substâncias tóxicas para o corpo humano. Mas calma: isso é uma fake news completa, e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) saiu em defesa dos consumidores para esclarecer a confusão.

De onde veio essa história maluca?

Tudo começou com uma interpretação completamente errada de um detalhe técnico na embalagem. Os vídeos alegavam que a inscrição “contém ingredientes feitos por bioengenharia” era na verdade um aviso sobre a presença de petróleo. Além disso, afirmavam que o recheio era feito com “gordura lavada em hexano”, um solvente derivado do petróleo.

O resultado? Uma onda de pânico entre os consumidores, que acreditaram ter estado comendo veneno travestido de biscoito gostoso — e que as autoridades de saúde tinham simplesmente ignorado o problema.

O que realmente acontece na fabricação

Aqui está a verdade que ninguém estava contando: o hexano é usado na produção, não na receita. É uma diferença gigantesca.

O hexano funciona como um solvente durante a fabricação das gorduras vegetais — ele ajuda a extrair e processar o óleo. Mas aqui vem o detalhe crucial: ele evapora quase completamente. Ao final do processo, sobra no máximo um miligrama de hexano em cada quilo de alimento. É uma quantidade tão minúscula que não oferece qualquer risco à saúde.

Para deixar bem claro: o ingrediente real é a gordura vegetal, não o hexano. Por isso o hexano não aparece na lista de ingredientes do biscoito — porque tecnicamente ele não é um ingrediente, é apenas uma ferramenta do processo.

O que a Anvisa tem a dizer sobre tudo isso

A agência de vigilância em saúde do Brasil divulgou um comunicado oficial explicando a confusão. Segundo a Anvisa, biscoitos recheados são produzidos com farinha, açúcar, gordura, óleo, sal, fermentos, emulsificantes e aromas. Nenhum desses componentes é derivado de petróleo.

O hexano, quando autorizado, funciona como um “coadjuvante de tecnologia” — ou seja, uma substância que cumpre uma função específica durante a produção, mas precisa ser removida no processo. Diferentemente dos ingredientes e aditivos, coadjuvantes não aparecem na lista do rótulo porque não fazem parte da composição final do alimento.

Antes de qualquer solvente desse tipo ser autorizado, a Anvisa realiza uma avaliação técnico-científica rigorosa. Essa análise verifica a finalidade da substância, quanto é usado, as condições de uso, se é removido adequadamente durante a produção, e se qualquer resíduo remanescente é seguro para a saúde.

Por que a fake news se espalhou tão rápido?

A confusão acontece porque as pessoas misturaram dois conceitos completamente diferentes: a composição do alimento (o que você realmente come) e as etapas de fabricação dos ingredientes (como aquilo é produzido).

É como dizer que você contém água porque a água foi usada para cozinhar seu arroz — tecnicamente a água foi removida do processo, então ela não faz parte da sua composição final, mas foi importante para chegar ali.

Outro detalhe importante: biscoitos recheados não precisam de registro individual na Anvisa. A categoria segue um procedimento simplificado, onde a empresa apenas comunica o início da fabricação ao órgão competente. Isso não significa que os produtos não sejam fiscalizados — só que não passam por análise individual antes de chegar às prateleiras.

A lição fica por conta

Essa história é um exemplo perfeito de como uma verdade parcial pode virar uma mentira gigante nas redes sociais. Sim, hexano é usado em alguns processos alimentares. Não, isso não significa que você esteja comendo petróleo. A diferença entre “usado na fabricação” e “ingrediente” é tudo — e a Anvisa deixou isso muito claro.

Disclaimer obrigatório: Este conteúdo apresenta teorias, lendas e fenômenos culturais com fins de entretenimento e curiosidade — não representam fato científico comprovado nem posição oficial deste site.

Fonte: Super Interessante

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