Foto: Doll91939 / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
A diretora Amora Mautner não está brincando: estreia nesta segunda-feira (18) a nova novela das nove da Globo, “Quem Ama Cuida”, e ela já avisou que colocou tudo na mesa. Segundo reportagem do G1, a diretora brincou: “Se não fizer sucesso, desisto de novela” — e pelo currículo dela, é fácil entender por que está tão confiante.
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Uma trama que começaria com tudo errado
A história arranca com pancada: São Paulo inteira destruída por uma enchente histórica. Adriana (Letícia Colin), fisioterapeuta, perde a casa e vê seu marido Carlos (Jesuíta Barbosa) ser arrastado e morto pelas águas. Daí em diante, melodrama de verdade — conflitos familiares que explodem, amores que não podem ser, vinganças que queimam.

Escrita por Walcyr Carrasco e Cláudia Souto, a trama promete resgatar aquele som clássico do melodrama que fez a novela brasileira ficar lendária. Nada de subtileza: é trama grossa, personagem marcado, emoção na veia.
Amora não deixa nada ao acaso — nem o cardápio da geladeira do ator
Aos 50 anos, com 31 deles dentro da TV Globo, Amora Mautner tem uma assinatura que poucos conseguem copiar: trabalhar “vivo” no set, o que ela chama de uma “gira”, onde a criação acontece enquanto a câmera rola. E essa mulher não brinca em serviço.
Conta-se que certa vez ela rasgou o papelzinho de uma atriz que chegou com tudo “premeditado de casa” — movimentos, gestos, tudo anotadinho. Amora detonou: “Não sou funcionária pública, sou artista”. Ator que chega com a cena engessada, pra ela, é perda de tempo.
Para preparar o elenco dessa novela, Mautner foi além: mandou um questionário com 80 perguntas para cada integrante, investigando desde o que tem na geladeira deles em casa até seus hábitos de leitura. Tudo pra construir o personagem do lugar certo, de dentro pra fora.
Aristóteles, Frank Capra e o dom de transformar atriz em vilã
A grande antagonista da novela é Pilar (Isabel Teixeira), irmã invejosa de Arthur Brandão (Antônio Fagundes). A mulher trama pra interditá-lo judicialmente e acaba entre os principais suspeitos de seu assassinato — que, aliás, acontece lá pelo capítulo 13 ou 14, bem no começo mesmo.

Amora resgata a filosofia clássica de Aristóteles sobre a catarse pra moldar essa vilã. Ou seja: ela não é só má por ser má — tem profundidade, tem dor, tem razão envenenada. E trabalhar com Isabel Teixeira (melhor atriz de novela em “Pantanal”) exigiu da diretora um certo “jogo de cintura”.
Cinema mudo, neurociência e a rejeição ao chroma key
No set, Mautner trabalha com técnicas bem específicas: “contramarca” e “elemento estranho” — truques que quebram a artificialidade das cenas. A dinâmica toda é inspirada no teatro e no cinema dinamicamente orquestrado de Frank Capra, aquele diretor que revolucionou os diálogos e as ações sobrepostas, quando um fala por cima do outro.
Essa marca é dela mesma: aquele caos controlado que consagrou o núcleo de Carminha, Tufão e Jorginho em “Avenida Brasil” — um falando por cima do outro, tudo acontecendo ao mesmo tempo, e parecia tão real que ficou na memória de quem assistiu.
Mas tem mais novidade: para os efeitos especiais, Mautner rejeitou completamente o chroma key (aquela tela verde). A equipe batizou o projeto como “Projeto Méliès” — em homenagem ao cineasta francês que foi pioneiro em truques visuais — e usa ilusões de ótica e truques totalmente físicos dentro do estúdio. É cinema mudo dentro da TV, basicamente.
Neurociência na trama: ela estuda o cérebro do espectador
Amora pesquisa neurociência há 14 anos e aplica esse conhecimento na montagem de “Quem Ama Cuida”. A diretora usa o que sabe sobre como o cérebro funciona pra mapear o “ponto de fuga do espectador” — basicamente, onde o olho da pessoa vai olhar na tela.
Isso é tão preciso que, no primeiro capítulo, ela teve que tirar elementos de cena porque o público não conseguiria achar Adriana (Letícia Colin) em até três segundos. Se o olho não encontra, o cérebro dispersa — e ela sabe disso.
BBB na novela? Sim, por que não
Durante o evento de lançamento, Amora conheceu Ana Paula Renault, vencedora do BBB 26, e não perdeu tempo: convidou-a pra fazer uma participação na trama. A diretora elogiou Ana Paula como “autêntica”, “original” e “do bem” — e isso vindo de alguém que exige tanta espontaneidade significa que a BBB passou no teste.
Porque é isso mesmo que Amora quer: a linguagem viva dos reality shows dentro da novela. Naturalidade, espontaneidade, aquela “coisa viva dentro do set” que faz a gente ficar colado na tela sem saber por quê.
E você, o que acha — Amora consegue fazer “Quem Ama Cuida” explodir de novo? Ou essa aposta dela vai bombar mesmo? Conta pra gente nos comentários!
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