Foto: Νικόλαος Κυριακάκης / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
Um exame de DNA pode identificar variantes ligadas a doenças hereditárias em cães e gatos, além de ajudar a reconhecer animais portadores de mutações. Segundo o caesegatos.com.br, os avanços no conhecimento do genoma dessas espécies tornaram essas análises mais úteis no diagnóstico, na prevenção e no acompanhamento clínico.
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Diferentes exames para diferentes objetivos
Nem todo teste genético serve para a mesma coisa. Há exames que procuram variantes específicas associadas a doenças hereditárias, como a atrofia progressiva da retina em cães, a mielopatia degenerativa também em cães e a doença renal policística em gatos Persas.
Outros testes identificam animais saudáveis que carregam variantes recessivas e podem passá-las para os filhotes. Também existem análises de predisposição, painéis com vários genes e exames farmacogenéticos, que estudam como o organismo reage a remédios. A escolha depende da suspeita clínica, do histórico do paciente, da raça e do objetivo da investigação.
Uma variante não é sentença
Ter uma variante no DNA não significa, necessariamente, que o animal vai adoecer. De acordo com a médica-veterinária Samantha Ive Miyashiro, o entendimento do resultado varia conforme o tipo de mutação, o modo como ela é transmitida, o grau de penetrância e a atuação do meio ambiente somada à de outros genes. Por isso, ela afirma que “os resultados sempre devem ser interpretados em conjunto com histórico clínico”.
No caso da doença renal policística em gatos Persas, a variante do gene PKD1 pode orientar o acompanhamento da função dos rins e o planejamento de reprodução. Já na mielopatia degenerativa canina, a análise do gene SOD1 ajuda a medir o risco genético, mas não confirma sozinha se a doença vai se manifestar.
Quando o exame ajuda a escolher o remédio
A farmacogenética é outra frente. Variantes do gene ABCB1, antes chamado de MDR1, podem afetar a glicoproteína P, que participa do transporte de medicamentos pelo organismo. Animais com essas alterações podem ter mais risco de intoxicação com ivermectina, doramectina, loperamida e alguns agentes usados na oncologia veterinária.
Com o genótipo em mãos, o veterinário pode escolher remédios e ajustar doses com mais cuidado. Mesmo assim, o resultado é só mais uma peça do quebra-cabeça clínico.
Telemedicina também tem regras e limites
Enquanto os exames genéticos ajudam a decidir o caminho do tratamento, a telemedicina tem mudado a forma de acompanhar os pets. Uma reportagem do petsnews.com.br explica que a chamada de vídeo ajuda a mostrar comportamentos e a tirar dúvidas sobre a recuperação, mas não substitui sempre a consulta presencial.
No Brasil, a Resolução CFMV nº 1.465/2022 regulamenta o tema. Ela prevê situações em que diagnóstico, prescrição e acompanhamento podem ser feitos a distância, mas não permite teleconsulta em casos de urgência e emergência. Falta de ar, convulsão, colapso e suspeita de intoxicação são exemplos citados que exigem atendimento presencial.
Para fazer uma teleconsulta, é preciso que a relação entre veterinário, animal e responsável tenha sido estabelecida antes de forma presencial e registrada. Encontrar um profissional pela internet e iniciar uma videochamada, portanto, não basta para caracterizar uma teleconsulta completa. A exceção fica para situações de desastre em que o deslocamento seja impossibilitado.
Câmera não substitui exame físico
Vídeos e fotos podem registrar episódios rápidos e comportamentos que não aparecem no consultório. Mas uma câmera não permite palpação nem ausculta, e a iluminação e o ângulo podem atrapalhar a análise. Se o veterinário perceber que precisa examinar o animal, encaminhá-lo para atendimento presencial é uma conduta prevista, e não uma falha do serviço.
No acompanhamento de condições crônicas, a regulamentação estabelece que a consulta presencial com o veterinário assistente ocorra em intervalos de no máximo 180 dias. O restante do acompanhamento pode ser feito a distância, conforme avaliação do profissional.
Como escolher o laboratório do teste genético
Segundo o caesegatos.com.br, a escolha do laboratório merece atenção. Para avaliar um teste, pesam fatores como a comprovação científica, a publicação de artigos revisados por outros especialistas, o controle de qualidade e a clareza na divulgação dos resultados.

Nem todas as doenças hereditárias têm variantes conhecidas. Associações encontradas em uma raça podem não valer da mesma forma para outras populações. Além disso, o custo dos exames e a necessidade de capacitação profissional ainda limitam o uso dos testes na rotina clínica.
Para onde caminham os testes genéticos
Já a mesma fonte projeta, para os próximos anos, o sequenciamento de nova geração (NGS), mais painéis genéticos, avanços na oncologia molecular e crescimento da farmacogenômica.

Nesse panorama, tirar proveito dos testes exige escolher com cuidado quais exames pedir, contar com laboratórios de boa qualidade e analisar os resultados considerando a situação clínica de cada paciente. A integração dessas informações com o histórico clínico também pode tornar as decisões mais individualizadas.
A médica-veterinária Samantha Ive Miyashiro afirma que “os ciclos de reciclagem e atualização científica são extremamente importantes” para que os veterinários conheçam essas ferramentas e saibam quando aplicá-las.
Perguntas frequentes sobre exame de DNA
O exame de DNA mostra se o animal vai adoecer?
Não necessariamente. Segundo o caesegatos.com.br, uma das principais contribuições do exame é identificar variantes antes do aparecimento dos sinais clínicos. A capacidade de prever uma doença, porém, varia conforme a alteração investigada e as evidências científicas disponíveis.

De que depende a escolha de um exame de DNA?
Essa decisão vai depender da suspeita clínica, do histórico do animal, da raça e do objetivo da investigação, de acordo com a mesma fonte. Ela também indica que a escolha do laboratório merece atenção e cita critérios como validação científica e controle de qualidade.
O resultado do exame de DNA deve ser lido sozinho?
Não. Samantha Ive Miyashiro afirma que os resultados precisam ser interpretados junto com histórico clínico, exame físico, exames complementares e características raciais.
A teleconsulta pode gerar receita de remédio para o pet?
Pode, desde que a prescrição decorra de teleconsulta ou telemonitoramento feitos dentro das condições previstas. Conforme o petsnews.com.br, a prescrição deve conter o nome e o registro profissional do médico-veterinário, os dados do animal e de quem responde por ele, além do dia e do horário da consulta. Medicamentos sujeitos a controle especial seguem exigências adicionais. Receber uma indicação por mensagem, por si só, não significa que houve teleconsulta regular.
Conteúdo informativo, não substitui avaliação de médico-veterinário. Fonte oficial vinculada na matéria.
E você, já fez algum exame genético no seu pet ou passaria por uma teleconsulta antes de ir ao consultório?
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