Espessante da ração úmida: o que a ciência diz sobre a goma xantana

Espessante da ração úmida: o que a ciência diz sobre a goma xantana

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Foto: chrismetcalfTV / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

A goma xantana é um ingrediente de nome difícil que aparece nos rótulos de sachês para cães e gatos e, agora, gera dúvidas nas redes sociais. Segundo a reportagem do caesegatos.com.br, a alimentação úmida ajuda o pet a beber mais água e deixa a refeição mais atraente. Por isso, o tutor que lê o rótulo tem motivos para querer entender o que está ali.

O que é esse espessante

Trata-se de um polissacarídeo, ou seja, um conjunto de várias moléculas de açúcar unidas. Ele é obtido por meio da fermentação de carboidratos feita por bactérias da espécie Xanthomonas campestris.

Pote de goma xantana com pó branco despejado sobre um prato plástico branco
Pote de goma xantana com pó branco despejado sobre um prato plástico branco. Foto: Awkwafaba / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Na indústria pet, essa substância funciona como espessante, emulsificante e estabilizante. Na prática, ela mantém o molho homogêneo e evita que os ingredientes se separem dentro do sachê.

De onde veio a preocupação

O alarme cresceu depois da divulgação de um estudo experimental feito com ratos por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que foi divulgado pela Agência FAPESP. A pesquisa observou que a ingestão desse aditivo esteve ligada a alterações em marcadores relacionados à inflamação intestinal.

Só que há uma distância grande entre um experimento com roedores e a rotina de um cão ou gato saudável. Nas redes, porém, achados de laboratório costumam se misturar com alertas médicos reais, e aí a confusão começa.

Foi justamente isso que aconteceu com um caso humano. Alguns autores associaram esse tipo de espessante à enterocolite necrosante, uma inflamação grave do intestino, em bebês prematuros. Os relatos chegaram à FDA, a agência de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos, em 2011, e falavam de recém-nascidos que receberam o produto SimplyThick, criado para adultos com disfagia, misturado às fórmulas para controlar o refluxo.

A hipótese levantada por esses casos é que o intestino imaturo dos prematuros, somado ao acúmulo de água, açúcares e ácidos graxos gerados pela fermentação, poderia sobrecarregar o organismo e desencadear a inflamação.

O que dizem as autoridades

A Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA) faz uma leitura diferente. Segundo a entidade, esses casos não estão ligados ao ingrediente incorporado durante a fabricação de fórmulas infantis. Eles envolveram a adição direta do espessante ao leite materno ou à fórmula, em quantidades não definidas.

Latas de ração úmida para gatos de várias marcas, empilhadas sobre uma superfície escura
Latas de ração úmida para gatos de várias marcas, empilhadas sobre uma superfície escura. Foto: Foto: Jonn Leffmann / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

Já os estudos de longo prazo trouxeram um resultado tranquilizador. Um estudo de dois anos, feito com ratos e cães, não identificou efeitos adversos em doses de até 1.000 mg por quilo de peso corporal por dia, a maior dose testada.

Nas formulações de alimentos para animais, os níveis informados ficam entre 0,01% e 1,0%. Em um sachê de 85 g, isso equivale a cerca de 8,5 mg a 850 mg do ingrediente. Pelo levantamento da EFSA, essa substância não é absorvida de forma intacta pelo intestino e é apenas parcialmente fermentada pela microbiota local, sem gerar riscos toxicológicos sistêmicos ou genotoxicidade.

Fora do universo pet

O produto não é novidade na cozinha humana. Há décadas essa substância aparece em massas e produtos de panificação sem glúten, sorvetes, iogurtes, molhos, sopas instantâneas e itens de confeitaria, sempre com a função de conferir textura e firmeza à receita.

A FEDIAF, entidade europeia que reúne a indústria de alimentos para animais de estimação, trabalha em conjunto com a EFSA para organizar análises científicas sobre os aditivos empregados nas rações comerciais. Na indústria pet, o uso nas concentrações previstas é considerado seguro.

O veredito para o seu pet

Para cães e gatos saudáveis, não há evidências que indiquem motivo para preocupação com a presença desse ingrediente nos alimentos úmidos comerciais, desde que usado nas concentrações previstas. Quando o animal tem alguma sensibilidade gastrointestinal específica, a conversa com um especialista em nutrição e nutrologia de cães e gatos continua sendo o melhor caminho.

Conteúdo informativo, não substitui avaliação de médico-veterinário. Fonte oficial vinculada na matéria.

A versão completa desse tema está na página 56 da edição de outubro (nº 326) da Revista Cães e Gatos, disponível sem custo.

Como a goma xantana chegou ao mercado

Segundo a Wikipédia, a goma foi descoberta em 1950 por Allene Jeanes e sua equipe, no Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. Os pesquisadores buscavam microrganismos que produzissem gomas solúveis em água, já que os espessantes usados até então vinham de plantas.

Pó branco-creme em tigela de madeira, com uma colher preta encostada na borda
Pó branco-creme em tigela de madeira, com uma colher preta encostada na borda. Foto: Mhgunning / Wikimedia Commons (CC0)

A produção comercial começou em 1961, pelo Grupo Kelco, hoje CPKelco. Em 1969, a FDA aprovou o uso da goma como estabilizante, emulsificante e espessante em alimentos. No Brasil, a adição é permitida desde 1965, e na Europa o aditivo foi aprovado em 1974. Por lá, ele recebe o código E 415.

O alerta de 2011 nos Estados Unidos

Em 20 de maio de 2011, a FDA publicou um comunicado sobre o SimplyThick e alertou pais, cuidadores e profissionais de saúde para não dar o produto a bebês prematuros.

Já um estudo de 1993, citado pela Wikipédia, deu 15 gramas da goma por dia a 18 voluntários, durante 10 dias. Nessa dose, a goma teve efeito laxativo, com mais fezes e maior frequência de evacuação. Essa quantidade é muito maior que a presente em um sachê, que fica entre 8,5 mg e 850 mg.

Perguntas frequentes sobre goma xantana

O que é a goma xantana?

A goma xantana pertence ao grupo dos polissacarídeos, isto é, é formada por diversas moléculas de açúcar encadeadas entre si. Ela é obtida pela fermentação de carboidratos feita por bactérias da espécie Xanthomonas campestris. Na indústria pet, age como espessante, emulsificante e estabilizante no sachê, mantendo o molho homogêneo. Fora da cozinha, aparece em xampus, cremes e pastas de dente, também para dar textura.

A goma xantana faz mal para cães e gatos saudáveis?

Para cães e gatos saudáveis, não há evidências que indiquem motivo para preocupação com a goma xantana nos alimentos úmidos comerciais, desde que usada nas concentrações previstas. Nesses produtos, os níveis ficam entre 0,01% e 1,0%. O estudo com ratos mostrou alterações em marcadores de inflamação intestinal, mas há uma distância grande entre esse modelo experimental e a rotina de um pet saudável.

O que a EFSA diz sobre os casos com bebês prematuros?

Segundo a Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA), esses casos não estão ligados ao ingrediente incorporado durante a fabricação de fórmulas infantis. Eles envolveram a adição direta do espessante ao leite materno ou à fórmula, em quantidades não definidas. Os relatos chegaram à FDA em 2011.

Quando procurar orientação especializada sobre a goma xantana?

Quando o animal tem alguma sensibilidade gastrointestinal específica, ou quando restam dúvidas sobre o rótulo, a orientação recomendada é a de um especialista em Nutrição e Nutrologia de cães e gatos. O conteúdo informativo desta página não substitui a avaliação de um médico-veterinário.

E você, costuma ler os rótulos dos sachês do seu pet? Acha que os fabricantes deveriam explicar melhor esses ingredientes para o tutor?

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