Foto: Drew de F Fawkes / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
Ed Sheeran está encarando a maior controvérsia de sua carreira, e o vilão da história tem um nome e uma conta bancária de fazer inveja: Robert Kraft, um empresário bilionário que provou ter poder suficiente para mexer nos planos de um dos maiores cantores do mundo.
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Tudo começou quando o rapper Macklemore foi expulso da “Loop Tour”, a bem-sucedida turnê americana de Sheeran, depois que fez comentários em favor de uma “Palestina Livre” durante as apresentações. E aí começou a confusão — todos os artistas convidados abandonaram o projeto em solidariedade ao rapper, deixando o britânico sozinho no palco.
Quem é o bilionário que mexeu com a turnê
Robert Kraft não é um empresário qualquer. Segundo reportagem do G1, o cara é dono do New England Patriots, o famoso time de futebol americano que revelou Tom Brady (ex-marido de Gisele Bündchen e considerado o melhor quarterback da história da NFL). Além disso, Kraft é proprietário do Gillette Stadium, nos arredores de Boston — exatamente onde Sheeran teria shows agendados.

A fortuna do empresário de 85 anos é estimada em US$ 15 bilhões (cerca de R$ 77 bilhões). Ele comanda o Grupo Kraft, um conglomerado que investe em papel, embalagens, imóveis, capital privado e entretenimento. Ou seja: o cara tem dinheiro e influência para apertar o botão e fazer as coisas acontecerem.
Por que Kraft se meteu na história de Macklemore
O artista ganhou destaque por defender publicamente a causa palestina e por contestar a ofensiva militar israelense em Gaza. Isso incomodou — e muito — o empresário judeu Kraft, que afirmou que o rapper tem um “histórico mais amplo de retórica e imagens antissemitas” e classificou o comportamento como “profundamente ofensivo e doloroso para a comunidade judaica”.
Segundo o próprio Macklemore, Kraft pressionou donos de outros estádios que receberiam a turnê para que o impedissem de se apresentar. O resultado foi claro: tanto o estádio Gillette quanto o Raymond James, localizado na Flórida, recusaram realizar os shows caso Macklemore integrasse a programação.
Ed Sheeran tentou se safar, mas ninguém acreditou
Sheeran começou a desfazer-se do problema. Alegou que a decisão de tirar Macklemore não foi dele, mas da produtora da turnê, a Messina Touring Group. A empresa, por sua vez, afirmou que o rapper foi removido porque as casas de shows se recusaram a sediar os espetáculos com ele — e que, sem as apresentações nesses locais, a turnê teria que ser cancelada completamente.

Mas e aí? A explicação não pegou bem. Críticos apontam que Macklemore é um velho amigo de Sheeran e que o britânico simplesmente “lavou as mãos” no imbróglio.
Para o jornalista Jeffrey Ingold, citado pela BBC, a atitude foi puro desvio de responsabilidade. “Ele é um dos músicos mais importantes do mundo. Ele tem poder e influência. Na prática, ele se desobrigou da questão, declarando: “Isso não é responsabilidade minha”, protestou.
A imagem de “bom moço” que pode explodir
O problema real de Sheeran é que sua marca inteira se construiu em cima de uma imagem de pessoa comum, amigável e acessível. Por anos, ele cultivou cuidadosamente essa reputação de “bom moço”.

Mas agora essa mesma imagem está virando arma contra ele. Mark Savage, jornalista musical da BBC, explica que Sheeran nunca quis usar sua visibilidade para questões políticas — e aí está o conflito. Ao ficar calado, ele se torna cúmplice de uma decisão que reparou opiniões em duas.
Quem é Robert Kraft além do dinheiro
O empresário nasceu em Brookline, Massachusetts, estudou em escolas públicas e ingressou na Universidade Columbia com bolsa de estudos. Seu pai era judeu ortodoxo e sonhava que ele se tornasse rabino — spoiler: isso não aconteceu.
Kraft completou sua formação em 1963 e posteriormente conquistou admissão na Harvard Business School, cursando mestrado em administração empresarial. Cinco anos depois, fundou sua primeira empresa de embalagens e virou pioneiro na indústria alimentícia.
Ele é amigo de Donald Trump há aproximadamente 25 anos e mantém uma relação próxima com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. Em 2019, recebeu o Prêmio Genesis, popularmente conhecido como o “Nobel Judeu”, das mãos do próprio Netanyahu. Ao aceitar, solicitou que o milhão de dólares envolvido fosse destinado a combater o antissemitismo.
Kraft criou a Fundação Together Beat Hate (Juntos Vencemos o Ódio) e contribuiu pessoalmente com US$ 20 milhões (cerca de R$ 100 milhões) para combater o ódio no mundo.
O poder do bilionário no entretenimento
Em 1994, Kraft comprou o New England Patriots por US$ 172 milhões. Atualmente, a organização tem valor estimado em US$ 10,6 bilhões (aproximadamente R$ 54 bilhões), consolidando-se como um dos empreendimentos mais rentáveis do esporte norte-americano. Ou seja: o cara sabe multiplicar dinheiro como ninguém.
A família Kraft é extremamente proeminente na filantropia. Os quatro filhos que teve com Myra, sua esposa que já faleceu — Jonathan, Daniel, Josh e David — participam da gestão dos empreendimentos familiares e financiam organizações beneficentes voltadas para infância, saúde, esportes infantojuvenis e direitos femininos.
Kraft é membro emérito do conselho da Universidade Columbia, do Instituto de Câncer Dana-Farber, do Boston College, do Carnegie Hall, do Apollo Theater e foi membro do Banco da Reserva Federal de Boston. O episódio com Macklemore e Ed Sheeran só reforça uma coisa: Robert Kraft é um dos empresários mais influentes dos Estados Unidos.
A amizade entre Sheeran e Kraft antes do escândalo
A relação entre o cantor britânico e o bilionário era próxima. Segundo o G1, Ed Sheeran se apresentou no casamento de Kraft em 2022, apenas dois anos antes da polêmica com Macklemore explodir.
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