
Ed Sheeran está vivendo a maior crise de sua carreira, e tudo começou quando um empresário bilionário decidiu colocar a mão no bolso — literalmente. No centro dessa polêmica que virou o assunto do momento: Robert Kraft, dono do New England Patriots e do Gillette Stadium.
Quem é o bilionário que comanda essa trama?
Kraft não é qualquer empresário. Com uma fortuna estimada em US$ 15 bilhões (cerca de R$ 77 bilhões), ele é presidente do Grupo Kraft, um conglomerado gigantesco com investimentos em papel, embalagens, imóveis, capital privado e entretenimento. Aos 85 anos, ele é um dos homens mais influentes dos Estados Unidos.
Nascido em Brookline, Massachusetts, Kraft estudou na Universidade Columbia com bolsa de estudos — o que surpreendeu seu pai, um judeu ortodoxo que esperava que ele se tornasse rabino. Depois de se formar em 1963, ele foi para a Harvard Business School e, cinco anos depois, fundou sua primeira empresa de embalagens, virando um pioneiro na indústria alimentícia.
Os Patriots e a riqueza descomunal
Em 1994, Kraft comprou o New England Patriots por “apenas” US$ 172 milhões. Parece muito? Espera só: hoje a franquia está avaliada em US$ 10,6 bilhões (cerca de R$ 54 bilhões), tornando-a uma das mais valiosas do esporte americano. É o mesmo time onde brilhou Tom Brady, considerado o quarterback mais bem-sucedido da história da NFL e ex-marido de Gisele Bündchen.
O Gillette Stadium, que também é propriedade de Kraft e fica nos arredores de Boston, era exatamente o lugar onde Ed Sheeran agendou shows de sua “Loop Tour” — a turnê que prometia ser o auge de sua carreira.
Como um bilionário detonou a turnê inteira?
Aqui começa a polêmica que ninguém esperava. Macklemore, rapper conhecido por apoiar abertamente os direitos palestinos e criticar a campanha militar de Israel em Gaza, estava na programação da turnê. Só que Kraft não gostou nada disso.
Segundo Macklemore, o bilionário pressionou donos de outros locais que receberiam a turnê para bloqueá-lo. Kraft alegou que sua decisão responde a um “histórico mais amplo de retórica e imagens antissemitas” por parte do rapper — algo que ele classificou como “profundamente ofensivo e doloroso para a comunidade judaica”.
O resultado? Todos os artistas convidados para acompanhar Ed Sheeran abandonaram o projeto depois que Macklemore foi retirado da programação. Não foi um ou dois — foi a turma inteira que saiu.
E Ed Sheeran? Lavou as mãos
Aqui é onde a coisa fica feia para o cantor. Sheeran insistiu que a decisão não foi dele, mas sim da produtora da turnê, a Messina Touring Group. A empresa alegou que Macklemore foi retirado porque estádios como o Gillette Stadium e o Raymond James Stadium, na Flórida, se recusaram a sediar os shows caso ele se apresentasse.
Se Macklemore tivesse ficado, argumentou a produtora, a turnê inteira teria que ser cancelada. Problema resolvido, né? Errado.
Críticos não passaram despercebido: Macklemore é um amigo antigo de Sheeran, e o cantor simplesmente aceitou a retirada do colega sem contestar. Para o jornalista Jeffrey Ingold, foi um ato de pura covardia.
“Ele é um dos músicos mais importantes do mundo. Ele tem poder e influência. E, essencialmente, ele lavou as mãos, dizendo: ‘Esta não é minha responsabilidade’”, disparou Ingold à BBC.
O homem por trás da cortina: influência política e pessoal
Kraft não é novo nisso. Ele é amigo de Donald Trump há aproximadamente 25 anos — uma relação que passou por períodos de proximidade e distanciamento. Compareceu ao casamento de Trump e foi visto em seu camarote na estreia do documentário “Melania” sobre a esposa do ex-presidente.
Mas sua influência vai muito além de Hollywood e do mundo dos esportes. Ele foi membro do Banco da Reserva Federal de Boston e é membro emérito do conselho da Universidade Columbia. Sua proximidade com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu é bem conhecida — Netanyahu entregou pessoalmente a ele o Prêmio Genesis em 2019, popularmente conhecido como o “Nobel Judeu”.
A filantropia e a preocupação com antissemitismo
Para ser justo, Kraft não é apenas um homem de poder que usa sua influência por capricho. Preocupado com o aumento do antissemitismo no mundo, ele criou a Fundação Together Beat Hate (Juntos Vencemos o Ódio) e contribuiu pessoalmente com US$ 20 milhões (cerca de R$ 100 milhões). Ao receber o Prêmio Genesis, solicitou que o milhão de dólares envolvido fosse destinado a iniciativas voltadas ao combate ao antissemitismo e à “deslegitimação” de Israel.
Seus quatro filhos com sua falecida esposa Myra — Jonathan, Daniel, Josh e David — estão ativamente envolvidos nos negócios da família e também apoiam diversas instituições de caridade voltadas a crianças, saúde, esportes juvenis e direitos das mulheres, tanto nos EUA quanto em Israel.
O lado obscuro da imagem de Ed Sheeran
Enquanto isso, Ed Sheeran está vendo sua imagem desabar. Por anos, ele cultivou cuidadosamente uma imagem de bom moço, de pessoa comum e acessível. Inclusive, se apresentou no casamento de Kraft em 2022 — o que torna essa situação ainda mais complicada.
Mas é precisamente essa imagem que agora pode se voltar contra ele. Mark Savage, jornalista musical da BBC, aponta que Sheeran não quer usar sua visibilidade para questões políticas. O problema? Para muitos, isso é uma falta de coragem e consistência, especialmente quando se trata de um amigo que foi deixado de lado.
A controvérsia que começou com a retirada de Macklemore da turnê virou uma bola de neve gigantesca — e Ed Sheeran, um dos músicos mais vendidos do mundo, está sendo visto não como vítima, mas como cúmplice de silêncio.
Fonte: G1 Globo
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