Foto: Pets Adviser from Brooklyn, USA / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
Nos últimos anos, a medicina humana vem descobrindo o poder dos agonistas GLP-1 para tratar diabetes e obesidade — e agora a veterinária está entrando nessa onda. De acordo com Cães e Gatos, essas “canetas emagrecedoras” começam a aparecer na rotina de clínicas brasileiras, mas ainda enfrentam um caminho cheio de pontos de interrogação.
Neste artigo
Como funciona o GLP-1 em cães e gatos?
O GLP-1 é um hormônio natural produzido pelo trato gastrointestinal que faz duas coisas cruciais: aumenta a secreção de insulina e diminui o apetite. Nos gatos, essa combinação é particularmente interessante porque a obesidade crônica é um dos maiores vilões por trás do desenvolvimento do diabetes felino — um tipo de doença que se parece muito com a diabetes tipo 2 em humanos.

A obesidade em felinos é um problema seríssimo. Estudos mostram que entre 20% e 40% dos gatos nos Estados Unidos e Inglaterra carregam peso excessivo. Aqui no Brasil, a situação não é diferente: 36% dos gatos estudados apresentavam obesidade. Esses números deixam claro por que inovações no manejo do peso dos felinos são tão importantes.
Gatos e cães: duas histórias diferentes
O interessante é que o GLP-1 funciona de forma bem diferente em gatos e cães — porque a doença deles é diferente.

Nos gatos, o uso desses agonistas promete algo que parecia distante: a possibilidade de remissão diabética. Isso ocorre porque esses medicamentos ajudam o pâncreas a produzir insulina de novo, além de contribuir para a perda de peso. Juntos, esses dois efeitos criam um cenário onde o gato pode, de fato, se recuperar do diabetes.
Já nos cães, a história é outra. A maioria deles desenvolve diabetes similar ao tipo 1 em humanos — ou seja, deficiência de insulina desde o início, sem chance de reverter apenas emagrecendo. Um estudo analisou o uso da liraglutida (um agonista GLP-1) em cães diabéticos e viu que quando combinada com insulina, conseguiu manter os níveis de glicemia mais controlados do que só com insulina.
Para cães obesos (especialmente os idosos), a liraglutida também mostrou reduzir o apetite e melhorar números como colesterol e triglicérides no sangue — mas a perda de peso não foi tão impressionante quanto nos gatos.
O lado sombrio: efeitos que preocupam
Nem tudo são flores. Os agonistas GLP-1 podem causar inapetência, vômito e perda de peso não intencional — especialmente em gatos. Isso pode parecer contraditório (afinal, queremos que eles percam peso), mas o problema é que essa perda pode ser tão abrupta e severa que dispara uma emergência: a lipidose hepática felina, uma doença do fígado que surge quando um gato emagrece muito rapidamente. Isso é sério e exige acompanhamento veterinário cuidadoso.
O grande problema: falta de padronização
Aqui mora um nó que ainda não foi desatado. Os agonistas GLP-1 não têm doses e intervalos padronizados na Medicina Veterinária. Um mesmo medicamento pode ser prescrito todos os dias ou uma vez por mês — depende do protocolo que cada veterinário segue. Em gatos, as recomendações variam entre diferentes princípios ativos (como exenatida e liraglutida). Em cães, a confusão é ainda maior porque os estudos disponíveis são bem escassos.

O que dizem os órgãos reguladores
Em março de 2026, o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP) e o Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo (CRF-SP) publicaram uma nota técnica que funciona como um alerta. De acordo com os órgãos, apesar de alguns médicos-veterinários já estarem prescrevendo esses medicamentos, o uso na prática veterinária permanece “inabitual” e não existem “indicações formais aprovadas para uso veterinário”. A nota também salienta que os estudos de segurança disponíveis são ainda incipientes e limitados ao ambiente de pesquisa.
Traduzindo: estamos no começo dessa história, e os órgãos reguladores estão atentos, pedindo cautela.
Por que as canetas emagrecedoras funcionam diferente em gatos
Nos gatos, as canetas emagrecedoras atuam de forma particularmente promissora porque ajudam o pâncreas a produzir insulina novamente. Segundo o Cães e Gatos, quando combinado com a perda de peso, esse efeito cria cenários onde o animal pode se recuperar do diabetes — uma possibilidade bem diferente do que acontece em cães.
Dúvidas comuns sobre canetas emagrecedoras
As canetas emagrecedoras funcionam em todos os pets da mesma forma?
Não. Nos gatos, as canetas emagrecedoras promovem remissão diabética ao restaurar a produção de insulina e reduzir peso. Em cães, que têm diabetes semelhante ao tipo 1 humano, o medicamento melhora o controle de glicemia quando combinado com insulina, mas a perda de peso é menos significativa.
Qual é o maior risco ao usar canetas emagrecedoras em gatos?
O principal risco é a lipidose hepática felina, uma doença do fígado que surge quando um gato emagrece muito rapidamente. Os efeitos adversos descritos incluem inapetência, vômito e perda de peso não intencional, exigindo acompanhamento veterinário cuidadoso.
Os órgãos reguladores aprovaram as canetas emagrecedoras para pets?
Não. Em março de 2026, o CRMV-SP e o CRF-SP publicaram nota técnica alertando que o uso permanece “inabitual” e não existem “indicações formais aprovadas para uso veterinário”. A nota destaca que os estudos de segurança ainda são incipientes e restritos à pesquisa.
Como a obesidade em gatos se relaciona com o diabetes felino?
A obesidade crônica em gatos é um dos principais fatores associados ao desenvolvimento do diabetes. Estudos mostram que 36% dos gatos no Brasil apresentavam obesidade, aumentando o risco de resistência insulínica e disfunção do pâncreas.
E você, levaria seu pet ao veterinário para explorar essa opção, ou prefere esperar até haver mais clareza sobre segurança e dosagem?
Aviso importante: Este é um conteúdo informativo e não substitui a avaliação de um médico-veterinário. Consulte sempre um profissional habilitado antes de qualquer decisão sobre medicação para seu animal.
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