Preço do pet dispara: mais da metade dos tutores corta até cuidados essenciais

Animal de estimação: 56% dos tutores cortam cuidados

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Foto: Veterinarian Pet Alliance / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

Manter um animal de estimação no Brasil virou luxo pra muita gente. Uma pesquisa nacional realizada pelo Instituto Locomotiva a pedido do Instituto Caramelo revelou um dado que dói no bolso: 56% dos responsáveis já deixaram de fazer algum cuidado com seus pets por falta de grana. E tem mais — 14% fazem isso várias vezes. Quando a gente olha só pra classes C, D e E, o percentual sobe pra assustadores 62%.

O tamanho da crise financeira com pets

Os números mostram que a situação não é só uma reclamação de quem ama animais. Para 90% dos brasileiros, os custos pra manter um bichinho estão mais altos. Entre quem já tem pet, 42% já enfrentou dificuldades financeiras por causa dos gastos — número que chega a 47% nas classes C, D e E.

Criança indígena Sateré-Mawé segurando seu animal de estimação ao ar livre
Criança indígena Sateré-Mawé segurando seu animal de estimação ao ar livre. Foto: Joelma Monteiro de Carvalho / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

E o jeito que as famílias tentam se sair bem com isso? Deixam de comprar produtos. Nada menos que 59% dos responsáveis já deixaram de adquirir algo pro seu gato ou cachorro por causa do preço. Parece pouco? Pensa num produto deixado de lado, depois em outro, e outro mais — tá aí o impacto acumulado na vida do animal.

A porta de saída mais sombria: abandono

Aqui vem a parte mais pesada da história. Quase metade dos brasileiros (48%) aponta dificuldades financeiras como um dos fatores que levam ao abandono de pets. E 72% concordam que o custo elevado é uma das principais razões pra isso acontecer. Mais chocante ainda: 38% dizem conhecer alguém que abandonou ou entregou um animal por não conseguir pagar.

Cão pequeno em abrigo com pessoas ao fundo e garrafas de água, ilustrando situação de resgate
Cão pequeno em abrigo com pessoas ao fundo e garrafas de água, ilustrando situação de resgate. Foto: Jocelyn Augustino / Wikimedia Commons (Public domain)

Pra ter ideia da demanda, o Instituto Caramelo trabalha diariamente com animais que precisam de resgate, reabilitação e de um novo lar. Em 2025, a organização realizou 342 resgates e viabilizou 315 adoções. De janeiro a julho de 2026, foram mais 185 resgates e 186 adoções — números que mostram uma luta constante contra essa realidade.

Yohanna Perlman, diretora executiva do Instituto Caramelo, não deixou dúvidas ao afirmar que “quando uma família não consegue arcar com os gastos do seu animal de estimação, o impacto vai muito além da questão financeira e atinge também o bem-estar do pet”. E, no limite, isso contribui para o abandono. Segundo ela, é necessário “ampliar o acesso à castração e aos serviços veterinários, já que manter um bichinho se tornou algo inacessível para grande parte das pessoas”.

Quem tem pet no Brasil e como chegam lá

A boa notícia é que sete em cada dez pessoas têm um animal de estimação hoje. Entre os entrevistados, 42% têm um pet, 31% possuem dois, 12% têm três e 15% convivem com quatro ou mais. Cães aparecem em 76% dos lares, e gatos, em 51%.

Quanto à forma de conseguir esses animais, a mais comum ainda é através de amigos ou parentes (47%). Mas tem quem resgate após abandono (28%), adote em campanhas de rua (19%) ou encontre pelas redes sociais (13%). A maioria dos brasileiros (85%) acredita que a adoção é a opção mais adequada em comparação com a compra.

A castração que não sai do lugar

Outro desafio surge quando olhamos pra castração. Só 53% castrou todos os seus pets. Outros 17% castraram apenas parte deles. E preocupante: 30% não castraram nenhum. O Instituto Caramelo, mesmo com essa limitação financeira das famílias, conseguiu promover mais de 11 mil castrações em 2025, considerando procedimentos internos, externos e campanhas. De janeiro a julho de 2026, foram mais de 5,7 mil.

Quem deveria estar cuidando disso?

A pesquisa também capturou um sentimento importante entre os brasileiros: 63% apontam as ONGs como um dos grupos que mais contribuem pra proteção animal no país, seguidas pelos protetores independentes (50%). Mas prefeituras e órgãos públicos? Só 25% lembram deles. E 86% dos entrevistados defendem que o poder público invista mais na causa.

A diretora insistiu que “as organizações não governamentais e protetores autônomos desempenham um papel importante, porém não devem ser os únicos responsáveis por resolver uma questão de tamanha escala”. Os profissionais que trabalham na linha de frente enfrentam rotineiramente pedidos muito superiores ao que as organizações não governamentais conseguem atender. “É fundamental implementar ações governamentais contínuas para castração, assistência veterinária, combate ao abandono e disseminação de conhecimento sobre responsabilidade animal”, complementou Yohanna.

Os benefícios que as famílias conhecem, mas não conseguem garantir

Segundo o Wikipédia, a psicologia reconhece efeitos benéficos do convívio com animais de estimação, como redução do stress, combate a crises de depressão e aumento do senso de responsabilidade. Quem tem gato pode se beneficiar ainda mais: estudos indicam redução de 30% no risco de infartos.

Mulher abraçando cão em coleira de serviço em ambiente público, demonstrando interação afetiva
Mulher abraçando cão em coleira de serviço em ambiente público, demonstrando interação afetiva. Foto: college.library / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Mesmo entre quem não possui pets, o desejo permanece: 58% dos três em cada dez brasileiros que não têm animais gostariam de ter um. Os obstáculos mais comuns citados foram: reduzido espaço na residência (37%), disponibilidade limitada (37%) e gastos elevados com nutrição e veterinária (29%).

A importância da adoção responsável

A pesquisa revelou que 85% dos brasileiros acreditam que adotar um animal de estimação é a escolha mais adequada em comparação com a compra. Esse consenso reflete uma mudança na percepção sobre a responsabilidade com animais de estimação, reconhecendo que existem muitos bichos precisando de um lar.

O que mais se pergunta sobre animal de estimação

Qual é o impacto do custo elevado no abandono de animais de estimação?

Para quase metade dos brasileiros (48%), as limitações financeiras estão entre os motivos que levam ao abandono. Também segundo a pesquisa, 72% dos entrevistados veem o preço alto como um dos principais obstáculos para isso. Um dado ainda mais preocupante: 38% dizem conhecer alguém que abandonou ou entregou um animal de estimação por dificuldades financeiras.

Quantos animais de estimação os brasileiros têm em casa?

Sete em cada dez pessoas têm hoje um animal de estimação. Na amostra, 42% possuem um animal de estimação, 31% têm dois, 12% contam com três e 15% vivem com quatro ou mais. Cães estão presentes em 76% dos lares e gatos em 51%.

Conteúdo informativo, não substitui avaliação de médico-veterinário. Fonte oficial vinculada na matéria.

E aí, você conhece alguém que teve que fazer essas escolhas difíceis com seu pet por causa do orçamento apertado?

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4 respostas a “Preço do pet dispara: mais da metade dos tutores corta até cuidados essenciais”

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