Revelação surpreendente: A vitamina K pode estar ligada a pulmões mais saudáveis — saiba como

Revelação surpreendente: A vitamina K pode estar ligada a pulmões mais saudáveis — saiba como
Revelação surpreendente: A vitamina K pode estar ligada a pulmões mais saudáveis — saiba como
Foto: Smithsonian Institution/Science Service; Restored by Adam Cuerden / Wikimedia Commons (Public domain)

A vitamina K ganhou fama por sua atuação na coagulação sanguínea, mas um estudo recente publicado em junho no periódico American Journal of Clinical Nutrition revelou algo inesperado: ela também pode estar associada a uma melhor saúde respiratória. A pesquisa, que acompanhou mais de 179 mil participantes durante 10 anos usando dados do UK Biobank (levantamento nacional do Reino Unido), foi conduzida por pesquisadores de universidades australianas e europeias.

O que a pesquisa descobriu?

Os resultados apontam que consumir vitamina K1 — o tipo encontrado em vegetais — estava associado a uma melhor função pulmonar nos participantes. Além disso, houve redução do risco de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), um distúrbio que interfere com a passagem do ar pelos pulmões e causa inflamação, provocando falta de ar e cansaço.

Mas aqui vem o detalhe importante: o pneumologista Guylherme Saraiva, do Einstein Hospital Israelita em Goiânia, alertou que o estudo mostrou uma associação, não causalidade. “Representa associação, não causalidade”, comenta o especialista. Isso significa que a pesquisa gera hipóteses que precisam ser confirmadas em ensaios clínicos randomizados, considerados o padrão-ouro da pesquisa.

O que explica essa conexão?

Existem mecanismos que ajudam a entender por que a vitamina K pode proteger os pulmões. Um deles envolve a proteção contra processos de calcificação vascular — um problema comum na DPOC que prejudica a função pulmonar.

Mas há outro fator igualmente relevante: os alimentos ricos em vitamina K1, como vegetais folhosos, fornecem outros nutrientes com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. “Alimentos ricos em vitamina K1, como vegetais folhosos, fornecem outros nutrientes com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias”, explica Saraiva.

Vitamina K: muito mais que coagulação

A letra K vem de uma origem curiosa: a palavra dinamarquesa koagulation, que significa coagulação. O bioquímico dinamarquês Carl Peter Henrik Dam (1895-1976) batizou assim a vitamina, pelo seu papel fundamental na coagulação sanguínea — uma descoberta que o rendeu o Prêmio Nobel.

Na verdade, a vitamina K é um grupo de vitaminas lipossolúveis (solúveis em gordura). As mais comuns são a K1 (filoquinona) e a K2 (menaquinonas). A K1 ganhou destaque neste estudo porque é essencial para controlar sangramentos e também contribui para a saúde óssea.

Onde encontrar vitamina K1?

A vitamina K1 aparece em hortaliças como couve, espinafre, brócolis, agrião, rúcula, alface, repolho e óleos vegetais, especialmente soja e canola. Um detalhe importante: sua absorção é melhor quando consumida com uma fonte de gordura, como explica a nutricionista Tânia Andrade, também do Einstein.

E a vitamina K2?

A K2 (menaquinonas) compreende diferentes formas e é especialmente interessante por ser produzida por bactérias presentes em alimentos fermentados. O nattô (um fermentado de soja), queijos maturados, iogurtes, gema de ovo e carnes como fígado são boas fontes. Ela favorece a mineralização óssea e há indícios de benefícios à saúde cardiovascular.

Atenção: nem toda vitamina K é segura

Existe também a vitamina K3 (menadiona), que é sintética e não é indicada devido ao potencial de toxicidade, especialmente pelo risco de lesão hepática e anemia hemolítica. Suplementos de vitamina K só devem ser indicados por médico ou nutricionista, pois existem contraindicações, sobretudo para pacientes que usam certas medicações anticoagulantes.

A mensagem mais importante do estudo

Para Saraiva, a conclusão mais segura do estudo é que padrões alimentares com grande variedade de hortaliças, frutas, grãos, cereais integrais e sementes estão associados a melhor saúde global e, por consequência, pulmonar. A nutricionista Tânia Andrade concorda: “A recomendação é optar por um cardápio variado, com maior espaço para vegetais, para que não falte nenhum nutriente.”

Além do menu equilibrado, outras estratégias são fundamentais: evitar o tabagismo, manter vacinação adequada, praticar atividade física regular e controlar a exposição a poluição e fumaça. Embora os benefícios da vitamina K aos pulmões ainda precisem de mais comprovação científica, seu papel na coagulação sanguínea já está solidamente consolidado.

Fonte: Super – Abril

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